A uma semana da estreia de Éramos Seis, vão crescendo as expectativas em torno da nova versão desta história inesquecível, que a Globo estreia na próxima segunda (30) como substituta de Órfãos da Terra. Intérprete do romântico Almeida no remake, Ricardo Pereira não esconde a empolgação em logo ver a trama no ar.

É uma novela que retrata as nossas vidas, a nossa vida familiar. A gente fala muito da relação humana. Não tem um vilão. O vilão, pra mim, Ricardo, é a vida. A grande história de Éramos Seis são as relações humanas, e os problemas que as relações humanas têm“, definiu o astro português, em bate papo com o Observatório da Televisão.

Figura fácil nas novelas brasileiras desde 2004, quando estreou por aqui em Como Uma Onda, Ricardo encara como um desafio interpretar o comerciante Almeida, cujo estado civil de desquitado é visto como um obstáculo para seu romance com Clotilde (Simone Spoladore). Nas versões anteriores da trama, Serafim González (1967), Edgard Franco (1977) e Paulo Figueiredo (1994) interpretaram o personagem.

Eles [Almeida e Clotilde] querem a liberdade do amor. Querem ser livres pra poder amar, pra poder estar juntos, pra poder viver esse amor de uma forma plena, sem o olhar castrador que a sociedade imprime“, analisa.

Confira a entrevista completa do galã lusitano.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – Fale um pouco sobre o seu personagem em Éramos Seis.

RICARDO PEREIRA – Bom, é um vendedor de tecidos que, juntamente com o Calloni [Antonio Calloni, intérprete de Júlio], trabalha sob a pressão de um patrão bem exigente, que é o Werner [Schunneman, intérprete de Assad]. É um cara que não deixa a gente ficar tranquilo. É um núcleo muito bacana o da loja, tem o Brenno [Leone, intérprete de Elias] também. E o Almeida passa a vida nessa loja. Mas acho que a história principal dele é o romance que ele vai viver com a Clotilde, que é um amor que tenta vencer muitos obstáculos. Ele é um homem desquitado, numa época em que isso significa uma pressão social muito grande sobre ele, sobre a felicidade dele. Ele quer viver esse amor e não pode, já que a Clotilde fica com medo de ser julgada pela sociedade. A Clotilde é irmã da Lola (Glória Pires), e por isso ‘nós’ vivemos em um círculo familiar muito próximo. Eu sou o melhor amigo do Calloni – isto é, do Júlio – e me encanto, numa das visitas à loja, com essa cunhada que vem de Itapetininga, completamente inocente, linda. Podemos dizer que é a grande história de amor da novela. Claro que tem muitas outras histórias de amor, mas essa é uma história de um amor lindo, puro, que vai ser vivido pela Clotilde e pelo Almeida, com muitos obstáculos e dificuldades.

Isso mostra que o homem desquitado também sofria preconceito àquela época, não somente a mulher.

Total! A gente está se preparando pra essa novela há um tempão. Tivemos um pouco de tudo, aulas com historiadores, com psicólogos, pra falar sobre as questões da família, do papel do homem, do papel da mulher naquela década… Sobre o que era o desquite… Uma das minhas grandes questões é como eu ia introduzir dentro de mim essa profundidade do desquite. Esse ‘karma’, esse peso. Porque é uma realidade que eu não conheço! Isso não ‘ferra’ a vida dele. Ele é um cara super alegre, mas a vida lhe trouxe essa questão. Ele se casou muito novo, não acertou na pessoa, e quis se separar. E a sociedade faz questão de lembrar e relembrar isso permanentemente na vida dele. Então a Clotilde sente um pouco de receio de viver com um homem assim. Ela não poderia se casar com ele na igreja, ela seria vista pela sociedade de forma diferente. E o próprio Almeida também! É uma questão muito importante que vai ser explorada muito bem ao longo da história. Eles querem a liberdade do amor. Querem ser livres pra poder amar, pra poder estar juntos, pra poder viver esse amor de uma forma plena, sem o olhar castrador que a sociedade imprime.

Clotilde e Almeida viverão praticamente um amor à primeira vista. Você acredita nesse tipo de amor?

Então, não é bem assim… Eu, a Simone e também o Carlinhos [Carlos Araújo, diretor artístico do folhetim] não queríamos fazer da história algo tão ‘amor de novela’, mas algo mais natural. O Almeida é um cara que foi casado, se desquitou, vive uma vida tranquila, visita muito o cabaré – nem tanto no sentido de encontrar outras mulheres, mas de dançar, ter alegria – e de repente começa a descobrir na inocência dessa pessoa, no ser genuíno dela, na alegria dela, algo que mexe com ele. Mas não é de cara. É uma coisa que vai sendo gradual. Isso é uma muito bonito. Acho que tem muito mais camadas construir um personagem assim do que se fosse um ‘amor explosivo’. O que vocês vão ver é um amor que vai sendo contado pelo olhar, por silêncios… É uma história muito bonita, que eu estou encantado de fazer.

Você assistiu algo das versões anteriores da novela?

Sim, tive essa curiosidade, até porque hoje a internet facilita tudo. Fui pesquisar e descobri três versões. É uma novela muito prazerosa. Vamos recuperar uma história muito bonita, que já fez sucesso em outras versões, inclusive na literatura. Mas não é só isso. É uma novela que retrata as nossas vidas, a nossa vida familiar. A gente fala muito da relação humana. Não tem um vilão. O vilão, pra mim, Ricardo, é a vida. A grande história de Éramos Seis são as relações humanas, e os problemas que as relações humanas têm.

Você acredita que os seus filhos – Vicente, 7 anos; Francisca, 5; e Julieta, 2 – vão querer assistir à novela?

Sim, eles sempre espreitam! O Vicente, como é mais velho, gosta muito. Faz muitas perguntas sobre o que é ser ator. Quando eu fazia Deus Salve o Rei, ele sempre ficava me imitando. Deixávamos ele ver só algumas cenas, não deixávamos ver tudo não. Mas eu sinto que essa novela [Éramos Seis] tem uma leveza, uma coisa muito bonita, muito poética. Eu até agora só vi o que vejo nos sets. Fora isso, não vi clipe, não vi nada. Minha preocupação agora é em construir o comportamento do Almeida – inclusive, ando viciadíssimo em filmes daquela época [em que se passa a novela]! Então, também estou curioso pra ver a novela no ar, porque acho que vamos trazer uma delicadeza, uma novela delicada, bacana de se assistir, bacana de viver, querer acompanhar essa história. Porque ela, lida, é muito bonita. Imagina no ar então! Ela tem uma estética incrível. Na tela, vai ficar ainda mais mágica.

Você comentou que o seu filho Vicente tem um certo interesse pela arte. Você o incentivaria, desde pequeno, a seguir a sua profissão?

Eu sempre, como pai, vou apoiar meus filhos no que eles quiserem ser. Ele trabalhar agora, criança, como ator… não, não, acho que não. Eu não condeno. Se ele um dia chegar e me disser que quer fazer uma participação [numa novela], por mim tudo certo. Acho que tudo vale. Mas não vou fazer pressão. Acho que eu e a minha mulher somos muito ‘sem pressão’. Acho que a vida vai acontecendo, vai nos levando e a gente vai vendo. E com as crianças é isso também. Acho que eles vão escolhendo seu caminho.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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