Com mais de 50 anos de carreira na televisão, o ator Jonas Bloch encarna mais um grande papel nas novelas, ao interpretar o empresário Eric Feitosa, o inimigo de Alberto (Antonio Fagundes) em Bom Sucesso, atual folhetim global das sete.

Em conversa exclusiva com o Observatório da Televisão, o veterano ator contou sobre a rivalidade que seu personagem terá com Alberto na trama da de Rosane Svartman e Paulo Halm, falou sobre sua fama de pé quente na audiência e criticou as atitudes do atual governo brasileiro.

O milionário de Bom Sucesso

Nós conversamos durante a coletiva de Bom Sucesso, e você me disse que iria demorar um pouco para o personagem entrar. Fala para a gente sobre isso.

Eric é um personagem que vem revelar uma outra face do Alberto, que tem uma história no passado, que é uma outra coisa diferente do que a gente imagina que ele seja. Se bem que na hora da morte ele começa a rever suas histórias, erros e quer recompor isso. Eric é um amigo de infância que em determinado momento teve um rompimento com ele, e agora ele está voltando para acertar as contas com o Alberto. Essa é história básica do Eric com o Alberto, e ele vai usando todos os artifícios possíveis possíveis para ir conquistando espaço para poder dar o troco.

Ele vai ver ele vai se aliar ao Diogo, certo?

Ele utiliza o Diogo, o contrata e eles se tornam cúmplies para minar o poder do Alberto e conseguir aos pouquinhos o espaço que ele precisa.

Esse sentimento do Eric é o que? Competitividade? Inveja? Um amor perdido? 

Eu posso te dizer basicamente que ele vem dar um troco de alguma coisa que o Alberto fez com ele. Diferente dos vilões tradicionais, ele não é uma pessoa que quer poder porque já é milionário. Ele é uma pessoa que foi vítima, e partiu para outro caminho, se tornando um vilão. Mas o que ele vem fazer, ao mesmo tempo que é vilania, também é vítima então isso humaniza muito mais a situação. São dois autores de primeira qualidade, e sabem o que fazem. Criaram esse personagem para em determinado momento revelar essa outra história do Alberto.

Pé Quente…

Enquanto você não estava gravando, creio que você tenha acompanhado a novela. O que você está achando dela?

Eu tenho pé quente, porque a outra novela que fiz aqui, Novo Mundo no horário das 18h, foi o segundo maior índice da casa para aquele horário. Na Record está no ar a reprise de Bela a Feia que ganha em Ibope do horário nobre e eu também estava lá. Nem todas as novelas que fiz foram sucesso, mas tiveram várias que sim. Bom sucesso está muito bem feita, do começo ao fim. Autores, diretores, elenco, e acho que ela tem uma grande qualidade que é falar muito de afeto, não só nas cenas da Paloma com os filhos, ou com Ramon. As relações são muito bonitas. É uma coisa que nós estamos precisando muito porque hoje em dia a gente está ouvindo muito o discurso do ódio criar um inimigo para disfarçar o que tá acontecendo , o pior é que sacrificam pessoas de talento para justificar uma ideologia que nem a verdadeira.

Será que o Eric vai se dar bem?

Essas são cenas dos próximos capítulos.

Fake News e a atual política do Brasil

Você comentou sobre sacrificar pessoas de talento por causa de ideologias…

Primeiro, na situação que estamos com o desemprego, você fechar uma Ancine, tirar dinheiro da educação e da cultura, você está desempregando mais gente. As pessoas não têm ideia do número de pessoas que trabalham para esse setor, ele representa dois pontos do PIB, tudo o que espalha sobre são mentiras. Quando faço uma postagem sobre qualquer coisa está errada, eu recebo respostas como se os artistas mamassem nas tetas do governo. Quem mama nas tetas do governo é câmara de deputados, a presidência da república e a justiça. Todos eles têm 80 funcionários, entre motoristas, carros, benefícios, etc., e ninguém fala em diminuir nada dali, sabemos perfeitamente bem, e os tais impostos que querem criar na verdade são repassados pelo empresariado para nós que ganhamos o salário, quem paga na verdade sobre nós. Tudo o que está sendo feito na Amazônia é um é o benefício do agronegócio. Tem uma frase do Millôr que diz ‘errar é humano, botar a culpa nos outros também’, é o que está sendo feito, a cada dia é criado um inimigo para disfarçar as trapalhadas que estão acontecendo. E o pior que os seguidores estão repetindo isso. A desculpa é que a culpa é da esquerda, mas isso não tem nada a ver com a esquerda.

Sabemos que o Eric teve um problema no passado com o Alberto em relação à Cecília, noiva dele, e devido a um livro que ele escreveu. Mas a vingança dele justifica?

Claro imagina que existe um cara que se diz seu amigo e que está o tempo todo junto com você, e por trás seduz sua noiva. Você tem um sonho na vida de ser escritor, e ao invés de publicar o seu livro, ele diz que perdeu.  Ele vai atrás da Paloma para desestrutura o Alberto, mas não está interessado nela.

Desejo de vingaça

Você acha que a pessoa passar a vida inteira com esse desejo de vingança vale a pena?

Claro que não. Isso faz mal para a saúde. É muito difícil a gente superar, mas tem um tempo de digerir isso e exorcizar.

Como é para você pessoa física falar aqueles absurdos que o Eric fala, e fazer coisas como cuspir no caixão, etc?

Durante anos ele está segurando isso, e tem uma hora que isso vem com toda uma carga de mágoa, de se sentir traído, usado, feito de idiota. Não fosse Antônio Fagundes tão maravilhoso eu teria até raiva dele (risos).

Perdoar…

Você acredita no perdão?

Eu acredito, mas não sei se é fácil.  Tem uma hora que você tem que entender que você está num outro lugar, que aquela pessoa é que está deformada. Tive muitos momentos em que eu poderia guardar isso mas fui em frente. O meu caminho era mais importante que aquilo, que era baixo e pequeno. Tenho coisas parecidas com o Eric, e uma das referências para o papel foi que quando eu era adolescente, eu fazia escola de Belas Artes e escola de teatro, já tinha estreado em televisão e meu padrasto me obrigou a entrar no exército porque ele achava que eu tinha que ser homem, aquela ideia bolsonarista… Ele cortou meu caminho definitivamente, e eu cortei com ele para fazer o que eu queria. Se eu ficasse lá me magoando, não sei se eu teria feito uma trajetória como eu fiz de 40 filmes, um monte de prêmios que às vezes eu nem acho que mereço, mas estão lá. São mais de 50 anos de carreira.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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