Quando A Dona do Pedaço estreou, Marcos Palmeira se enunciava como um dos grandes destaque da história de Walcyr Carrasco, na pele do corajoso Amadeu Matheus. Hoje, com a trama se aproximando do capítulo 100, é visível a perda da força do personagem no enredo das nove – situação que o ator encara com muito profissionalismo e bom humor.

Não tenho um compromisso com o Walcyr nesse sentido. Meu compromisso é de fazer o melhor possível o que ele escreve. Mas ele tem toda a liberdade para levar pra qualquer caminho. Entendo que serve à história que o Amadeu fique um pouco passivo e um pouco à margem“, analisou o ex-marido da diretora artística do folhetim, Amora Mautner.

Apesar disso, Palmeira ainda aposta na possibilidade de um final feliz entre Amadeu e Maria da Paz (Juliana Paes) nos últimos capítulos da novela, previstos para irem ao ar em novembro. “Agora que a esposa dele [Gilda, de Heloisa Jorge] morreu, o romance tinha tudo pra deslanchar… Mas o filho [Carlito, de João Gabriel D’Aleluia] começa a criar problema. Eu espero que ele [no final] tenha paz, ao lado da Maria da Paz“, confessou.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – A Dona do Pedaço está o maior sucesso, hein?

MARCOS PALMEIRA – Que bom, fico feliz. A ideia era essa mesmo, que desse certo. Que a novela pegasse e a gente voltasse a ter um entretenimento… ‘Com pressão’, né? Todo dia uma surpresa. O Walcyr realmente… Só a cabeça dele pra funcionar desse jeito! [risos]

Fala um pouco sobre esse amor do Amadeu pela Maria da Paz. Como deve ficar a relação deles para os próximos capítulos?

Agora que a esposa dele morreu, o romance tinha tudo pra deslanchar… Mas o filho dele começa a criar problema. São vários percalços, mas eu espero que eles acabem juntos no final. Afinal de contas, ele se dedicou a ela, de alguma forma, o tempo todo. E ela também.

E você acha que isso acontecerá mesmo?

Eu não sei… Não tenho um compromisso com o Walcyr nesse sentido. Meu compromisso é de fazer o melhor possível o que ele escreve. Mas ele tem toda a liberdade para levar pra qualquer caminho. Até se ele quisesse resgatar o sangue dos Matheus pelo Amadeu, está aí em aberto. Todas essas possibilidades existem de verdade, de o personagem de repente ficar mau, revoltado… Acredito que isso é uma jogada do Walcyr pra que todos os atores fiquem muito aberto pra o que possa acontecer. Não tem essa de ‘o personagem não faria isso’. O personagem faz o que o Walcyr mandar. [risos]

Já se falou, inclusive, na possibilidade de o Amadeu se revelar um super vilão. Existe mesmo essa chance?

Não sei ainda, quem sabe? [risos] Vamos esperar pra saber.

O que você tem ouvido mais a respeito da repercussão do personagem? Na rua, na internet…

Às vezes cobram muito uma reação dele. Porque o Amadeu é um cara de bom coração, né? Como está escrito na sinopse. Ele é o cara que foi estudar Direito pra fugir dessa briga de família [entre os Ramirez e os Matheus]. Aí a mulher ficou doente, e ele teve um respeito enorme pela doença da Gilda, mesmo não a amando mais… E a Gilda também é uma ‘gênia’ de aceitar ele nessa situação, querendo a Maria da Paz. [risos] Tem uma coisa que é muito característico de personagem de novela. Eu estou muito feliz, estou adorando fazer a novela. Ela está acontecendo como a gente imaginava, com um clima muito bom nas gravações. E o público está acompanhando esse grande drama, com essa vilania enorme… Quem é a mais malvada? E as duas malvadas [Fabiana e Josiane, respectivamente de Nathália Dill e Ágatha Moreira] são primas. É uma novela que resgata o comentário durante a novela. Eu mesmo volta e meia me pego dizendo: ‘Ah, não é possível que vai acontecer isso!’ Você fica fazendo aqueles comentários típicos de novela. Isso é muito legal.

E essa possibilidade de a Joana (Bruna Hamú) ser a verdadeira filha da Maria da Paz?

Será que é mesmo? Tem uma trama que o Walcyr ainda está guardando e que deve colocar ainda mais lenha nessa fogueira. Será que a Josiane é minha filha de verdade? Eu não sei. Eu acho que ela tem o sangue dos Matheus ali, nas atitudes dela. Mas, pra saber, só mesmo entrando na cabeça daquele maluco do Walcyr Carrasco… [risos] Vai ter tanta ideia assim, cada semana uma coisa diferente, sempre ganchos incríveis. Não para de acontecer coisas novas. Isso é novela, né? Estamos fazendo uma boa novela.

O que você deseja pra Jô e pro Amadeu no final da novela?

Pra Jô, que ela pague tudo o que ela fez, ou tenha uma redenção enorme, como foi o caso do Régis (Reynaldo Gianecchini). É incrível, né? De repente o cara virou um santo de tão bonzinho. Quer enganar quem, rapaz? [risos] Mas então… Que ela pague mesmo. É muita maldade, não pode sair impune não. Agora, o Amadeu, eu espero que ele tenha paz, ao lado da Maria da Paz. Porque, quanta complicação, não? Mas eu acho que vai dar tudo certo.

E a relação com o filho, Carlito, agora que Gilda morreu?

Agora o garoto vai botar pra fora todo o drama que ele viu a mãe sofrer. O Walcyr vai trazer à tona essa revolta dele de não querer aceitar [o novo romance do pai]. Também entra muito dessa coisa da adolescência e tal. Eu achei bem legal. E acho que o João está precisando de boas cenas, porque o garoto é muito bom ator.

Como você acha que o Amadeu vai levar essa questão do filho ser contra o romance com a Maria?

Então, aqui eu posso dar um spoiler de leve. O Amadeu vai ter um encontro com a Maria da Paz, jogar ela na parede [pra retomarem a relação]. Ela vai mencionar o filho dele, e o Amadeu responderá: ‘meu filho é só uma criança’. Como quem diz, ‘o garoto eu controlo, eu vou cuidar’. E a Maria responde: ‘mas ele é uma criança que pensa, que sofre; vamos dar um tempo pra ele, eu vou conquistá-lo’. Vai voltar essa linha.

Você não acha que às vezes a Maria da Paz e o Amadeu são meio bobos? Ingênuos demais?

Essa pergunta tem que fazer pro Walcyr, né? [risos] Mas acho que os mocinhos, de alguma forma, carregam esse ‘peso’ de ter que ser meio bobos. Porque, se eles fossem muito espertos, tudo se resolveria logo! Mas, nos últimos capítulos, eu espero que tenha uma virada aí.

Muita gente diz que sente falta do Amadeu dos primeiros capítulos da novela. Você sente essa cobrança por parte do público?

Cara… É o que eu te disse. Eu não tenho nenhum compromisso com o Walcyr. Quando ele me convidou, eu sabia que foi uma novela pensada pra entrar nesse horário. Uma novela que ele teve que criar de forma rápida. Então não posso querer dele isso ou aquilo pro meu personagem. Eu não fico criticando ou fazendo nenhum tipo de julgamento. Entendo que serve à história que ele fique um pouco passivo e um pouco à margem. Eu sei que as pessoas sentem falta [do antigo Amadeu]. Eu sei que ele entrou com uma força, tinha aquela coisa mais rural também… Eu acho que ele [Walcyr] precisa contar a história de todo mundo. Eu prefiro pensar que eu estou servindo a uma história, entendeu? E fico feliz de as pessoas sentirem falta. Isso para o meu ego é muito bom. Realmente os mocinhos das novelas são personagens mais complicados, mas alguém tem que fazer esse trabalho. E eu gosto de fazer também. É claro que a vilania é sempre mais rica, né? E essa coisa do mal que se transforma no bem também tem uma força muito grande, como no papel do Gianecchini. O povo gosta. Mas agora a ideia é que o Amadeu venha com mais ‘pressão’. Pode ser que, lá pro final, ele ganhe mais força também. Acho que ele vai ficar mais ativo daqui pra frente, no sentido de resolver as coisas. Vai confrontar mais a filha, vai sair desse lugar tão passivo.

Você sempre fez muitos protagonistas, muitos galãs. A que você atribui tanto tempo resistindo nessa função folhetinesca, por assim dizer?

Eu não sei… Será que está faltando galã por aí? [risos] Eu fiz vários mocinhos. Apesar que, em Porto dos Milagres (2001), por exemplo, meu personagem tinha uma outra força. Na novela atual, realmente a força está na ‘dona do pedaço’ [Maria da Paz], a gente tem que servir pra que ela seja essa figura. Minha mãe fica orgulhosíssima de eu estar com 56 anos e ainda fazer papel de galã. [risos] Mas realmente não sei te dizer o porquê disso.

Como a Júlia – sua filha com a Amora Mautner, diretora artística de A Dona do Pedaço – enxerga essa parceria profissional entre os pais?

Ela está adorando! É a primeira vez que ela vivencia isso, de ver o pai e a mãe trabalhando juntos. Porque eu já trabalhei com a Amora antes de a gente casar. Mas, como ex, é a primeira vez. Está sendo muito bom, tanto pra mim e pra Amora, no sentido de estabelecer uma comunicação mais rápida em relação à Júlia, quanto pra Júlia, no sentido de nos ter mais próximos. E a Amora que me convidou [para fazer A Dona do Pedaço]. Se a minha ex me convidou, é um bom sinal. [risos]

Marcos, além de interpretar, você já também já atuou como produtor em vários filmes. Pensa em dirigir também?

Penso sim. Inclusive, quando eu era casado com a Amora, eu até decupava algumas cenas pra ela. Eu gosto disso. Sou muito palpiteiro. Cada vez mais eu tô amadurecendo esse lado e tenho um projeto pra dirigir, que ainda estamos vendo se vai acontecer mesmo.

(entrevista realizada pelo jornalista André Romano)

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