Giullia Buscacio
Giullia Buscacio (Divulgação/ TV Globo)

Com pouco tempo de estrada na televisão, Giullia Buscacio já ostenta um currículo de fazer inveja. Foram apenas quatro novelas na Globo – I Love Paraisópolis (2015) foi a primeira – antes de ela ser escalada para viver a filha de Glória Pires na nova versão de Éramos Seis, que estreia no próximo dia 30 (segunda-feira) como substituta de Órfãos da Terra.

Trabalhar com a Glória está sendo uma escola pra mim. Porque ela é uma pessoa exemplar, tanto profissionalmente quanto na vida pessoal. O pouco que eu tenho visto dela nesse campo já mostra que ela é uma pessoa encantadora“, derreteu-se a jovem estrela, em bate papo com o Observatório da Televisão.

Sua personagem, Isabel, é a única mulher entre os herdeiros de Lola (Glória) e Júlio (Antonio Calloni). Maria Isabel de Lizandra e Luciana Braga já deram vida ao mesmo papel em versões anteriores da história. Legado que Giullia faz questão de observar e honrar. “Essa personagem está sendo uma novidade pra mim, porque tem forte dentro de si isso de ser ‘a figura feminina’ da casa“, define.

OBSERVATÓRIO DA TELEVISÃO – Como está sendo para você participar do remake de uma novela tão famosa como Éramos Seis?

GIULLIA BUSCACIO – Está sendo uma delícia, porque todo mundo tem uma memória muito bacana da novela. Eu me encontrei com atores que já fizeram as outras versões, e eles falam que foi uma experiência incrível, que foram muitos felizes fazendo essa novela. Está sendo muito legal.

De qual das versões anteriores da novela você sente que o público se recorda com mais carinho?

Eu ouvi falar mais sobre a última versão, com a Irene [Ravache, produzida pelo SBT em 1994]. Talvez por ser a mais recente, está mais quente na memória de todo mundo.

Você sabe se a novela vai ser fielmente o texto da versão anterior, o livro original ou optará por trazer coisas novas em relação ao que já foi visto dessa história?

Ela é livremente inspirada no livro e também nas outras versões. Não temos nenhuma informação concreta quanto a se esta nova versão vai seguir fielmente o que já foi feito ou se apresentará histórias novas. Isso também será uma surpresa pra nós [atores do elenco]. De vez em quando notamos algo diferente do livro, mas não dá pra saber até que ponto essa ‘liberdade’ vai chegar. É uma incógnita pra nós.

Como vai ser a sua personagem?

Eu faço a Isabel, que é a única menina dentre os quatro irmãos. Ela sempre foi muito mimada pela família, por ser a menorzinha e a ‘menininha’ da casa. Ela sempre foi muito mimada, pelo pai inclusive. Ela tem uma relação muito bacana com o pai. Com a mãe também, mas com o Júlio existe uma afinidade maior, até pela forma como ele a trata. Ela se dá muito bem com os irmãos. É uma menina muito esperta, como vocês vão ver na primeira fase da história [nesta etapa, Isabel será vivida pela atriz-mirim Maju Lima].

Você se identifica com a Isabel?

Não! [risos] Ela é muito diferente de mim. Pra mim, é até uma novidade fazer uma personagem que cresceu no meio de três meninos. Na minha casa, somos mais mulheres do que homens. Então, a gente se pergunta: como é pra Isabel ser essa figura feminina tão ‘potente’ no meio de tantos homens? Sobretudo naquela época, em que a questão da masculinidade era presente de uma forma não tão bacana. Bem diferente de hoje, quando temos lutado cada vez mais pela igualdade de gênero.

O que você está achando dos cenários e dos ambientes criados para a novela?

Essa cidade cenográfica é a mesma em que eu fiz O Sétimo Guardião. Pra mim foi uma surpresa chegar lá e ver como eles mudaram tudo, e tão rápido! Está a coisa mais linda! Você entra lá e automaticamente já te leva pra aquela época em que se passa a novela. Hoje também foi meu primeiro contato com a casa [da família de Lola e Júlio]. Na verdade só a vi por fora, ainda não vi por dentro.

Éramos Seis é uma novela que está há muito tempo dentro do coração do brasileiro. Como você lida com a responsabilidade de recontar essa história tão icônica?

Me fizeram uma pergunta parecida nos últimos dias… E eu confesso que só depois dessa pergunta é que comecei a sentir [tal responsabilidade]! [risos] Confesso que antes não pensava tanto nisso. Eu acho que sempre é uma responsabilidade, porque você está dando vida a algo que alguém escreveu, idealizou. Tem uma responsabilidade muito grande por isso. Acho que a responsabilidade não muda tanto assim pra mim. Eu coloco o mesmo peso. Mas, realmente, parando pra pensar… [risos] Tem uma ‘passagem de bola’, né? Essa personagem já foi de alguém. Então sim, existe essa coisa de querer honrar esse personagem, até em respeito aos atores que já o fizeram antes.

Você chegou a assistir a algo das outras versões?

Eu cheguei a ver algo, mas não vi muita coisa não. Achei importante, até para ter uma noção da imagem que o público tem dessa novela – embora estejamos fazendo uma coisa nova. Cada vez que essa novela voltar a ser feita, será uma coisa nova. Porque são novas pessoas, uma nova época, um novo todo!

Você comentou que chegou a conversar com atores das versões anteriores. Como foi essa troca de figurinhas?

Eu estava em O Sétimo Guardião com o [Marcos] Caruso, que fez um dos personagens da última Éramos Seis [em 1994]. Ele falou da novela com um carinho tão grande da novela… No meu último dia de gravação [da trama de Aguinaldo Silva], rolou quase uma passagem de bastão. Inclusive, na minha última cena na novela, ele me deu um beijinho e falou: ‘esse beijinho aqui é lá pro Éramos Seis. Pra você ir com muita sorte e que dê tudo certo!’ Rolaram também workshops do elenco com o Othon Bastos, Osmar Prado e Nicette Bruno.

Sua personagem é descrita como vaidosa, despachada… Ela terá um viés cômico?

Então, eu não sei se, no nosso núcleo, vai rolar muito essa coisa cômica. Não senti isso e o pessoal também não está indo muito por esse caminho. Por outro lado, essa personagem está sendo uma novidade pra mim, porque realmente ela é muito vaidosa, tem forte dentro de si isso de ser ‘a figura feminina’ da casa.

Isabel é uma mulher à frente de seu tempo?

Sim, ela é. A nossa fase da novela fala muito sobre o que os jovens daquele período querem para o futuro. A Isabel tem muito isso: ela está plantando um futuro diferente para as mulheres ao seu redor. Ela busca uma coisa nova.

Você acredita que o mundo mudou muito da época da Isabel para a atual?

Mesmo com essa diferença cronológica tão grande, você vê que muitas coisas ainda são parecidas. Muita coisa que a Isabel vai viver tem a ver com o que a gente ainda está vivendo. Infelizmente.

Apesar de todo o machismo que imperava nessa época, dos anos 1940, também existiram historicamente muitas figuras femininas arrojadas, como Pagu, Tarsila do Amaral. Você se inspirou em alguma delas para compor sua personagem?

Na verdade, o que tem me movido mais na Isabel é essa relação dela com o seu entorno. Porque é uma história muito familiar. Então esse lado é o que tem me norteado. Entender como essa figura feminina se desenvolve dentro desse ambiente.

Você buscou alguma referência na sua própria família para construir a Isabel?

Sim, pra caramba! Quando a gente está fazendo um personagem, rola muito isso de analisar em que aspecto ela é parecida comigo, em que aspecto não, o que tenho a ver com ela e o que não tenho… Rolou uma comparação também entre a minha configuração familiar e a dela. Eu cresci rodeada de mulheres, ela de homens. Essa história é muito gostosa por se tratar de uma família. Creio que todos vão se identificar em algum aspecto daquele dia a dia.

Como é contracenar com a Glória Pires, que faz sua mãe na novela?

Trabalhar com a Glória está sendo uma escola pra mim. Porque ela é uma pessoa exemplar, tanto profissionalmente quanto na vida pessoal. O pouco que eu tenho visto dela nesse campo já mostra que ela é uma pessoa encantadora. E poder fazer a filha dela está sendo um prazer enorme. Estou realmente muito feliz.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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