Paloma (Grazi Massafera)
Paloma (Grazi Massafera) em Bom Sucesso (Divulgação/ TV Globo)

Grazi Massafera está vivendo um momento especial em sua vida e carreira. Ela dá vida à protagonista Paloma, em Bom Sucesso, novela das sete da Globo, que em pouco tempo de estreia já quebrava recordes de audiência. Na última terça-feira (27), a atriz bateu um papo com a reportagem do Observatório da Televisão nos Estúdios Globo no Rio de Janeiro, para falar sobre a personagem.

Segundo ela, Paloma que é costureira, foi inspirada em sua mãe, que tem a mesma profissão. Na trama, a protagonista tem paixão por literatura e fica dividida entre o amor de dois homens, Marcos (Romulo Estrela) e Ramon (David Junior), mas a intérprete garante não ter torcida para o destino da mocinha. Confira o bate papo completo:

Como é para você este momento especial em que todo mundo está admirando o seu trabalho?

Estou numa alegria que não tem tamanho. Além de ser um momento especial, é uma homenagem à minha mãe, foi por isso que aceitei [fazer]a novela. Estou vibrando na energia do merecimento.

A Paloma é costureira, você treinou com alguém para aprender a costurar?

Não. Eu escutei barulho de máquina de costura a minha infância toda, faz parte da minha memória afetiva. Eu sei mexer na máquina, vivia nos pés da minha mãe fazendo roupinhas de boneca. Ela costurando em cima e eu embaixo. Minha avó também foi costureira, então isso é de família. Eu sei fazer algumas coisas também.

História principal da trama

Tem muitos homens gostando da Paloma. Ramon, Marcos e agora o Alberto.

Eu acho que a grande história de amor da novela é de uma grande amizade, o que quebra essa coisa de romance. Para mim a trama da Paloma com o Alberto é a grande história da novela, o que é muito bacana por quebrar estereótipos. Estar do lado do Fagundes, agora falando sobre o ator, é sensacional, e fazendo uma coisa que ele está encantado, que é falar sobre livros. Para mim é uma formação que venho conquistando diariamente no meu trabalho, por estar do lado de um ícone como ele, me dá muita honra.

Mas ele vai levar isso adiante? Porque parece realmente que ele está apaixonado por ela…

Não sei. Aí é com os autores. Não dá tempo de ler tudo e decorar, então vou lendo por blocos.

O Marcos fica longe, mas está sempre querendo a Paloma, não é?

Não sei (risos). Eu juro, só leio o que estou gravando, mas tomara que sim porque essa contradição e esses conflitos são o que fazem a gente se emocionar, e o público ficar ligado. É legal esse conflito dos dois amores. Um [Marcos] é a aventura, o outro [Ramon] é pé no chão. O que acho legal é que a Paloma é muito gente como a gente, ela claro, tem os desejos dela, e tem desejo no Marcos. Por que não sentir? Ela sente mesmo, mas tem a história, o compromisso, a dignidade dela.

E você tem torcida?

Não. Sinceramente não, porque se eu ficar torcendo eu roubo no joguinho (risos).

Crianças em cena

Como é trabalhar com crianças assim em início de carreira?

Todos eles são incríveis. A Valentina parece ter 35 anos. Quando eu comecei eu não tinha essa maturidade não. Bruna Inocêncio é maravilhosa, João Bravo, Giovana, estou muito bem de filhos. É uma delícia vir gravar com eles, e a gente até consegue passar essa energia boa. Eu também tive o meu início na TV, então sei o que estar na pele deles. Tem uma responsabilidade de texto gigante, tem que dar conta e a gente pensa ‘será que fulano vai dar conta?’, e eles dão. Então estou sempre aqui para ajudar, apoiar, dar colo, receber, mas eles estão brilhando muito e estou muito feliz em estar ao lado deles.

Sofia

A Sofia, sua filha ficou com ciúme ao ver você na tela com outras crianças?

Eu achei que ela fosse ficar, mas não. Ela se apaixonou. Ela assiste à novela comigo, é o primeiro trabalho que ela vê, porque já tem uma idade melhor para assimilar as coisas. Quando acaba, ela já pergunta ansiosa: ‘mãe, amanhã tem mais?’ Ela olha para a TV vai virando a cabecinha, fica apaixonada pela descoberta do primeiro namorado da Bruna, as brincadeiras que o João faz, a Giovana ser mais molecona. Ela já pediu para vir nas gravações, e mudou até o jeitinho de ela falar comigo em casa. Ela está se alfabetizando e a personalidade dela está chegando com mais força. Sempre tive com a minha mãe essa coisa de conversar muito. Um dia meu irmão, que é o mais novo, tem 18 anos agora, perguntou ‘você já conseguiu mentir para a mãe?’, e eu falei que nunca.

Peguntei ao meu irmão mais velho e ele também nunca tinha conseguido mentir, e eu fiquei tentando entender. As minhas amigas iam para a cachoeira, mentiam que estavam na casa de outra amiga, e eu não conseguia. Eu falava a verdade, essa facilidade de dialogo foi o que minha mãe sempre proporcionou para a gente por mais que ela seja humildezinha, simples até nas palavras. E isso venho tentando copiar da minha mãe para passar para minha filha. Ela começou a ficar mais de contar as coisas mais íntimas, claro que não vou contar aqui, mas ela me pegou pelo braço, me levou para o quarto, sentou de frente para mim sem eu ter que ficar perguntando.

Nervosismo

O Fagundes te elogiou muito num programa do GNT e falou sobre a técnica dele de pegar um capítulo e decorar na hora. Bate alguma insegurança para não errar cenas com o Fagundes?

Bate, mas uma coisa que é delícia é que ele gosta de passar a cena antes, o que me dá mais segurança. É difícil, mas aconteceu já de eu ter muito mais texto que ele na mesma cena, aí nesse dia eu nem dormi. Eu tinha decorado a cena, mas não dormi. Fiquei nervosa para não engasgar porque ele é um fenômeno.

E você ficou satisfeita com o resultado depois?

Ainda não foi para o ar, então não sei o que eu fiz.

E você fala isso para ele, sobre sua admiração?

Eu falo. Esses dias eu falei isso para a Fabíola (Nascimento) porque sou fã dela. Comecei a olhar para ela e falei ‘ai meu Deus’. Tenho muita admiração pela minuciosidade com a qual ela cria cada personagem, e estando aqui dentro a gente observa mais de perto. Talvez para o público isso registra de outra forma. Fico ali olhando os detalhes que ela coloca. O Babaioff é outro, que faz diferente até no jeito de fechar a porta, de mascar o chiclete. E fico observando nos colegas esses detahes que são preciosos e não estão no texto.

Livros

Como é o seu universo literário?

Não é muito rico não, mas trabalhando com o Fagundes, ele vai indicando muita coisa. Eu emendo muito trabalho e durante o processo de novela não tenho como ler muita coisa a não ser a novela. Porque estou decorando o texto, chego em casa, e vou decorar mais texto. Acho muito legal no Fagundes, que deve ser o único da Rede Globo que decora textos na hora, então ele consegue ler outro tipo de coisa, como livros. Mas ele enriquece o repertório de todos aqui, inclusive já ganhei livros dele.

As cenas mais lúdicas que a Paloma se transforma, a Sophia tem essa percepção de que a mãe está ali como uma princesa?

A Sophia está com uma percepção gigantesca, ela assiste e fica toda orgulhosa.

Como está o feedback da sua mãe com essa homenagem? O Fagundes era um galã para ela?

Para todas nós, até para mim gente! Ele está no ar em Por Amor, e fez filhos lindos também. Minha mãe é encantada, eu até postei outro dia um áudio dela falando que tem que ‘encompridar’ a novela.

Fase da carreira

Como você está vivendo essa fase?

Eu estou vivendo muito mais Paloma do que eu mesma, porque vou para casa só para dormir. Estou vivendo um sonho. Estou vibrando na energia do merecimento pela primeira vez porque antes eu sempre me boicotava, quem não se boicota? Eu não sabia receber elogios, estou aprendendo com essa personagem e com esse momento de carreira que estou vivendo. Eu sei que a nossa vida é de muita ralação. Parece glamour, e até eu quando almejei virar atriz, pensei ‘vou viver de boa’, mas não é. Para quem realmente leva a sério, quer crescer e ter essa profissão não só para a vaidade, é uma profissão dura, mas também muito prazerosa.

Você encontrar na rua pessoas que se identificam, se emocionam, outro dia chegou para mim uma moça no aeroporto e disse que está passando pela mesma situação da Paloma, mas diferente da personagem, não saiu quebrando tudo. Eu abracei a mulher e quase comecei a chorar também. Chegar até as pessoas e resinificar momentos difíceis com uma novelinha tão leve, isso é que faz sentido para mim hoje em dia, não é mais o dinheiro. Estou bem, acho que hoje me faz sentido ajudar resinificar pequenas coisas, e um projeto como esse está ajudando tantas coisas porque além dos livros, as pessoas estão recebendo isso de outra forma.

Exercícios físicos

No Instagram, eu vi um fã seu dizendo que queria ver a cara das pessoas que um dia desacreditaram de você no início da carreira. Você olha para trás, e lembra disso ao ver essas pessoas?

Não. Isso faria mal apenas para mim. Eu uso esse tipo de situação como oportunidade de crescimento.

Às vezes perco dois quilos só te vendo malhar no Instagram. Seu corpo está bem mais musculoso…

TPM mulher, a gente vai achando foco para botar ela para fora porque com a idade vai ficando pior. Eu vou virar um demônio? Não. Aí malho, e fico ótima. A yoga me ajuda pra caramba… Eu sou uma atleta frustrada, joguei vôlei por muitos anos, eu fazia tudo o que o Sesc oferecia, como ginástica olímpica, e eu gosto mesmo. Eu gosto mesmo. Quando estou trabalhando eu diminuo o ritmo, mas para mim isso é saúde.

A Yoga ajudou de que forma?

Eu ficava muito ansiosa quando eu não estava com o texto extremamente decorado, e às vezes não é decorar, é estudar. Eu fui encontrando o jeito que funciono e provoco minhas emoções porque é uma profissão que não é sentar ali na cadeira, estudar e pronto. Tem que se descobrir, se trabalhar. Então me trabalho com análise que já faço algum tempo. Na yoga minha respiração mudou, se estou ansiosa, começo a respirar e ajuda. Me trouxe foco, concentração, diminuiu minha ansiedade, me trouxe mais concentração porque só de ficar naquela posição é um desafio. Eu adoro desafio, e aí você assimila desafio, foco, concentração, disciplina, e vem um tanto de coisa. Bem estar, meditação no final, tudo isso eu trouxe para o trabalho. Quando eu tava de férias eu fazia todo dia, agora faz 15 dias que não vou.

Arte x Vida real

A Paloma passou por uma situação que você já passou em sua vida, quando você disse em entrevista à Marie Claire em 2016 que colocaram algo na sua bolsa para te incriminarem. Como é para você reviver isso em cena?

Obrigada Senhor por não ficar lembrando e remoendo essas coisas. Eu nem lembrava mais disso, você que lembrou. Eu não revivo não, não guardo. Trabalho isso para não guardar.

Quando a Paloma está com Ramon, ele acha que ela parou no tempo. O que você espera que aconteça para que ele acorde e perceba que o tempo passou, e que ambos não são mais aqueles de 18 anos atrás?

Eles estão numa tentativa. As pessoas mudam muito, e o povo não esquece. Às vezes entro no Twitter, e as pessoas dizem ‘ele largou ela com filho no braço’ (risos). O povo fica puto, me divirto. Fiz uma conta fake no Twitter só para ficar olhando(risos).

Mas você comenta?

Claro que não, mas sou uma espiã.

Esse falecido, pai dos dois filhos mais novos da Paloma é falecido mesmo?

Não sei não hein! É muito sofrimento até janeiro. Mas se esse vier é para ferrar com ela. Eu saio de casa e digo ‘Grazi, esse sofrimento não te pertence’.

Você falou que tinha dificuldade em receber elogio, como era isso?

Eu achava que eu não merecia. Achava que era porque a pessoa gostava muito de mim ou porque queria puxar meu saco. Eu nunca achava que merecia, e existiu um trabalho interno para eu vibrar no merecimento. Porque eu achava que merecer era prepotência, ego. Mas é de outro lugar, então estou descobrindo esse outro lugar e estou colocando em prática.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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