Carol Castro mal se despediu de sua personagem em O Tempo Não Para, e foi imediatamente escalada para Órfãos da Terra, atual trama das 18 horas da Globo, que chega a seu final em menos de um mês. Ela encara o desafio um tanto espinhoso de dar vida à Helena, uma psicóloga que se apaixona por um refugiado casado, levando sem intenção, o sofrimento à família do homem.

Durante um evento ocorrido nos Estúdios Globo no Rio de Janeiro, a atriz conversou com a reportagem do Observatório da Televisão e falou sobre a recepção do público, assim como a redenção da personagem perante a família de Elias (Marco Ricca), homem com quem ela tentou um relacionamento.

A atriz falou ainda sobre a emoção de receber um prêmio no Festival de Gramado como melhor atriz coadjuvante pelo filme Veneza, de Miguel Falabella, primeiro trabalho de Carol após dar à Luz Nina, sua única filha, atualmente com dois anos de idade. Confira o bate papo completo.  

Você aprendeu muito com esta novela?

Com certeza! Foi um dos papéis mais desafiadores da minha vida. A Helena é muito controversa, mas ao mesmo tempo sempre foi do bem, apesar de muitos pensarem ao contrário. Ela sempre foi altruísta, queria ajudar ao próximo e estava em um momento sensível e carente depois da morte do marido e transferiu para o Elias, alguém que a tratou bem. Agora ela passa por uma reviravolta, vai passar por uma redenção, principalmente com relação à família do Elias. Foi uma surpresa para mim. Eu não esperava o que aconteceria com ela. Tenho certeza que ela também ficará feliz.

Recepção do público de Órfãos da Terra

O que você ouvia do público enquanto ela estava com o Elias?

De tudo um pouco: as pessoas tinham ranço, outros entendiam o lado dela e ficava bem dividido. Sempre quis fazê-la com muita verdade, nunca concordou em ser a outra, sempre ficava no pé do Elias para tomar uma atitude. Ela não queria um homem pela metade, merecia ser completa, não precisava aquela relação. Tenho muito carinho por esta personagem que me ensinou muito. É um papel muito desafiador.

Tinha ideia desta reviravolta da Helena?

Não tinha ideia… mesmo! Quando ela perdeu o filho, se despediu do Elias e pediu perdão para a Missade, achei que a personagem ia embora para morar com o irmão na Alemanha. Me avisaram que vinha surpresa por aí, li os capítulos e entendi que finalmente ela encontraria um grande amor. Encontrou um cara que realmente gosta dela, a trata de uma maneira que nunca foi tratada na vida e acho um merecimento dela. Sempre foi uma boa pessoa que se confundiu.

Agora a torcida virou a favor dela, né?

Acho que vai mudar mais ainda, mas não posso contar (risos).

Como está sua filha, Nina?

Ela é o sol da minha vida, razão do meu viver. Ela está maravilhosa, acabou de fazer dois anos, passou muito rápido e tanta coisa acontece em pouco tempo. Eu sou muito realizada. Ela é minha vida!

Prêmio

Conte como foi a emoção de ganhar um Kikito como melhor atriz coadjuvante?

Comecei a fazer teatro aos 9 anos de idade, cinema aos 16 anos e televisão com 19, então este é o primeiro momento que estou recebendo um reconhecimento por tantos anos de carreira. Este filme foi muito importante para mim porque foi meu primeiro trabalho depois de me tornar mãe, um desafio, o elenco inteiro já estava fechado, substituí outra personagem. O Miguel [Falabella] me ligou em fevereiro, disse que a personagem era incrível, teremos a Carmen Maura e já fiquei muito curiosa e interessada. Depois que li o roteiro, fiquei apaixonada e me avisaram que eu estaria no elenco do bordel. Disseram que tinham cenas em que aparecem o corpo. Eu disse que não tinha frescura nenhuma, mas avisei que tinha dado à luz há três meses. Tive um mês para me preparar psicologicamente e fisicamente, sem poder fazer dietas absurdas porque estava amamentando naquele momento e isso sempre foi primordial para mim. Fazia exercícios em casa para recuperar. A personagem Madalena me ajudou a me encontrar com o feminino novamente. Quando você se torna mãe, se deixa um pouco de lado, foca na criança e, neste ciclo, a personagem me ajudou a encontrar um furacão que eu nunca soube que tinha dentro de mim. Foi muito importante! Eu não esperava que fosse indicado nem que fosse ganhar.

Rótulos

O começo da sua carreira foi difícil por ser uma ex-modelo? Passou pelos rótulos da ‘gostosona’?

Existiu uma fase de rótulos, sim. Nunca fui modelo de fato, me tornei depois atriz de publicidade. Sou filha de ator, cheguei na televisão sem entender direito sobre posicionamento de câmera porque tinha experiência do teatro, mas eu senti isso sim. Às vezes, ser considerada bonita te limita. Eu queria fazer uma manca, caolha, com cicatrizes no rosto. Queria ter este tipo de desafio, mas senti que Velho Chico foi o divisor de águas da minha vida, a personagem tinha uma força que eu nem imaginava que teria. Até hoje eu escuto as pessoas comentarem e sinto que agora, com este prêmio, é um segundo divisor de águas.

Tenho outro filme para lançar, guardado desde 2016, desde antes de engravidar da Nina, que é O Juízo, do Andrucha Waddington, que deve ser lançado em dezembro. Foi um grande desafio para mim porque é um suspense espírita, como ele gosta de colocar. Acho que ele está adiando porque tem de ter uma data certa, não é comum. É um roteiro da Fernanda Torres, com a Fernanda Montenegro no elenco, além de Lima Duarte, Felipe Camargo e Criolo. Estou muito curiosa para ver o resultado.

Divisão de tarefas

Como é lidar com o trabalho e uma criança tão pequena em casa?

É um malabarismo diário, eterno. Vale todo esforço. Às vezes são noites pouco dormidas, deixo de fazer muitas coisas por mim para estar com a Nina, faço questão. Raramente consigo ir à academia. Quando estou de folga, se é um horário que a Nina está acordada, eu não vou à academia. Tratamentos estéticos ficaram de lado e priorizo ela. Tenho meus momentos, claro, para dar exemplo. Sempre digo a ela ‘trabalhar é bom’ para ela não ter a imagem que quando a mamãe vai embora é para trabalhar.

Quem cuida dela para você?

Minha mãe mora em Ribeirão Preto, meu pai se preocupa bastante e o próprio pai da Nina (Felipe Prazeres), que mora perto de mim e falo com ele se pode ficar com ela até eu sair do trabalho. A gente se fala todos os dias, nos esquematizando quem pode ficar com ela ou dormir, tudo numa boa. Tenho uma superbabá e uma rede de apoio.

Existem algumas mães que preferem esconder os filhos. Como você trabalha este limite?

Eu procuro o equilíbrio. Não faço um Instagram para a Nina, não julgo quem faz, mas acho que ela tem de escolher se quer ter. Mas também não escondo completamente porque tenho uma vida pública. Às vezes estou andando de bicicleta, não escolhi ser fotografada, mas acontece. Quanto mais se esconde, mais curiosidade se desperta e acho que não precisa. Não é sempre que eu posso, mas quando tenho um momento fofo, uma declaração de amor, faço até por mim mesma. Procuro não esconder nem expor demais.

Nina

Ela já entende sua profissão? Você a deixa ver novela?

Eu não a deixo ver novela porque até o os dois sei que é bom privar o contato com telas em geral, como telefone, computador, televisão, por conta da formação neurológica, mas ela já me viu no Faustão, algumas cenas esporádicas, e já me acompanhou no cinema, em alguns ensaios fotográficos. Ela fica encantada. Já me viu me maquiando e entende o que é isso. E ainda quero trazê-la para andar dentro da Globo porque eu acompanhava meu pai em set de filmagens e é bacana para entender um pouco mais. Quem sabe até gostar! (risos)

Como é sua relação com o Felipe (ex-marido)?

O Felipe e eu sempre fomos amigos antes de nos relacionarmos como homem e mulher. Tentamos até o fim para que desse certo, mas vimos que estávamos fazendo aquilo pela Nina. Nos perguntamos ‘até que ponto isso é por ela mesmo?’ Já não estávamos bem e o aviso da separação veio quando isso já estava acontecendo há muito tempo. Conversávamos sobre o assunto, combinamos de sempre manter a amizade, o diálogo, a boa comunicação para que seja o melhor possível. É para sempre esta ligação, eu admiro o trabalho dele, ele o meu, eu o prestigio e ele a mim e assim será sempre.

Você pretende apresentar um namorado para a Nina?

Eu ainda não passei por isso, muda um pouco, vou pensar muito antes de apresentar. Vou pensar se é isso mesmo…

Namoro com Bruno Cabrerizo

Agora você está com o Bruno, né?

[Muito envergonhada] Fora do trabalho, a gente está se conhecendo, sabe? Sem rótulos, deixando a vida acontecer. Dentro dos Estúdios Globo, somos grandes amigos de trabalho e o Bruno é muito profissional, centrado e sério. Não imaginávamos que nossos personagens fossem se envolver, mas aconteceu. Não tenho muito o que dizer. Estamos nos conhecendo…”

Você é do tipo de mãe que assiste Galinha Pintadinha?
Assisto de tudo: O Mundo de Bita, Galinha Pintadinha, Palavra Cantada e até Xuxa e eu canto porque foi a minha infância. Adoro! Faço sempre, brinco, me jogo.

Você diz que sua filha te dá muita força e você ganhou um prêmio que você filmou após a maternidade…

Para mim isso foi tão simbólico… Foi uma luta para me transpor. Primeiro que eu estava me reencontrando como ser humano, mulher e é um renascimento ter um filho. Principalmente quando tem um parto natural, sente todas as dores, vai pelo lado selvagem até você se reencontrar. Foi um papel tão forte, um furacão, mudei de país com uma criança de 6 meses e foi uma saga. Levei panela elétrica para o quarto, tirava muito leite, andava com isopor. Atravessei o oceano, fui para Veneza e toda a saga do filme foi muito forte para mim. Sair de Gramado com um Kikito foi o presente máximo que eu poderia ter.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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