Romulo Estrela
Romulo Estrela (Divulgação/ TV Globo)

O ator Romulo Estrela está em contagem regressiva para retornar ao vídeo. Em Bom Sucesso, próxima das 19 horas, ele viverá Marcos, um jovem independente, arrojado e bon vivant. Trama escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm com assinatura de Luiz Henrique Rios na direção artística, Bom Sucesso está agendada para estrear na segunda-feira (29). Na história, Marcos é filho de Alberto (Antonio Fagundes) e irmão de Nana (Fabiula Nascimento).

Ele tem a mesma paixão pelos livros que o pai, mas se chocou com a intransigência dele na administração da editora Prado Monteiro, onde se passa a trama. Mais do personagem e da história, o novo mocinho das sete conta em entrevista ao Observatório da Televisão, que aconteceu durante a coletiva de imprensa promovida pela Globo na última segunda-feira (15). Confira:

Em Bom Sucesso, pai e filho (Marcos e Alberto) têm características bem distintas e ele vai em busca da liberdade. Como você vê esse espirito livre do seu personagem?

Por serem tão parecidos, eles entendem que o convívio acaba ficando difícil. Então ele [Marcos] vai para Búzios, abre um bar e vai viver a vida que ele acredita ser a vida ideal e perfeita para ele com ótimos livros, relações incríveis e no meio da natureza. Enquanto isso, o pai fica trabalhando e lidando com os problemas da editora que está à beira da falência.

Marcos (Romulo Estrela) em Bom Sucesso
Marcos (Romulo Estrela) em Bom Sucesso (Divulgação/ TV Globo)

Mas ele não foge do compromisso que ele tem com a irmã e com o pai. Quando o pai tem uma piora na saúde, ele volta para o Rio pra tocar a empresa. Mas o Marcos é um cara que, sem duvida, vive da natureza, ele é um cara solar, fiel ao que acredita, fiel às relações e à forma com que as coisas chegam até ele. Por isso ele tem um tratamento pela Paloma (Grazi Massafera), que ele entende que ali tem uma coisa diferente, ele sente uma coisa diferente por ela e por isso começa a ir atrás dela.

Quando ele a encontra no Rio de Janeiro, é uma surpresa, e a partir daí começa a saga dele para dar espaço ao pai, que está encantado por ela e ela cuidando dele e também abre espaço para esse marido (Ramon – David Junior) que ele não sabia que existia. Ele não quer desistir desse sentimento que ele tem pela Paloma.

Vai existir um embate entre Marcos e Ramon? Como você avalia a relação deles?

É óbvio que, a partir do momento que o Ramon percebe que tem um cara ali com quem a Paloma tem uma relação, ele vai querer saber quem é esse cara. Isso é muito natural. O Marcos ainda não a conheceu como pessoa. Por isso digo que ele não é um cara mau caráter. Ele é um cara que só vive o que ele sente, que é uma admiração, uma atração pela Paloma, e vai atrás disso, vai entender sem passar por cima de ninguém, sem meter os pés pelas mãos.

Ramon (David Junior) e Marcos (Romulo Estrela) em Bom Sucesso
Ramon (David Junior) e Marcos (Romulo Estrela) em Bom Sucesso (Divulgação/ TV Globo)

E o embate com o Ramon se dá de maneira natural: ‘Existe um cara, tudo bem. Vamos entender até onde vai esse relacionamento, se ele termina, se abre ele abre espaço para que eu exista na vida da Paloma’. Isso se dá naturalmente, como eu acho que tem que ser. Marcos tem uma admiração pela Paloma, mas ele sabe até onde ir, ele não é inconsequente. Ele é um cara que realmente costuma fazer as coisas acontecerem sempre, não é à toa que ele largou tudo e foi morar em Búzios. Correr atrás das coisas que ele acredita é o que ele faz.

A novela passa uma mensagem reflexiva sobre a morte. Qual é a sua relação com esse tema?

Na verdade eu já venho trabalhando isso há alguns anos, o entendimento de que algumas coisas tem um fim. Isso se deu muito pelas relações que eu tive com meus pais. Eu moro há mais de 15 anos fora de São Luís, e eu vejo meus pais sempre no final do ano. A gente sabe: quem ainda tem pai vivo sabe, que bom seria se a gente aproveitasse ao máximo – independente de conflitos, das questões – o tempo perto dessas pessoas.

Romulo Estrela, Grazi Massafera e Antonio Fagundes, astros de Bom Sucesso
Romulo Estrela, Grazi Massafera e Antonio Fagundes, astros de Bom Sucesso (Reprodução/TV Globo)

Eu tive meus pais sempre presentes e eu sinto falta dessa aproximação, desse café da manhã que a gente pode tomar junto, da conversa antes de deitar. Eu, na minha vida já vinha pensando nisso, e Bom Sucesso veio para amadurecer ainda mais. Sabemos que vamos morrer, é a unica certeza que a gente tem, independente de estar doente ou não. Mas, o que a gente faz com esse tempo que a gente tem? Como a gente gasta esse tempo?

E é louco falarmos disso. É real, a gente não pode negligenciar, não podemos deixar algumas arestas por podar, questões para resolver e às vezes são coisas que levamos para a vida inteira. Eu, hoje, procuro dar um atenção redobrada para isso aqui. Quando eu chego em casa a minha dedicação inteira é para minha casa, para meu filho, para minha esposa. E quando estou no meu trabalho, idem.

Eu procuro otimizar meu tempo dessa forma, fora isso procuro fazer boas escolhas para não perder tempo, me arrepender e falar: ‘Eu poderia estar fazendo tal coisa’. A gente aprende com tudo, mas é muito importante quando a gente aprende que o tempo tem um valor e a gente passa a não gastá-lo de qualquer jeito.

Ramon (David Junior), Paloma (Grazi Massafera) Marcos (Romulo Estrela) em Bom Sucesso
Ramon (David Junior), Paloma (Grazi Massafera) Marcos (Romulo Estrela) em Bom Sucesso (Divulgação/ TV Globo)

Hoje eu lido de uma maneira mais tranquila com a morte. Eu não tenho medo, até penso nisso, mas não é uma coisa que fica me rodando. Eu entendo que é uma coisa que existe, mas enquanto ela não chega faço as coisas que eu tenho que fazer.

Nas chamadas você aparece em várias cenas com pouca roupa. As pessoas têm repercutido muito. Como é para você lidar com os comentários em relação à isso?

Na verdade eu fiquei um pouco surpreso. Eu fiz uma cena em que a toalha cai e isso chamou a atenção. Eu acho que ele [Marcos] é um cara cheio de liberdade. Se ele está com a camisa aberta ou fechada, não é uma preocupação para ele. Ele é muito bem resolvido com essas questões, até mesmo por ele estar nesse cenário de mar, areia e sol, ele é um cara livre, se ele está vestido ou de sunga, para ele é igual.

Você se assustou com a repercussão?

Eu vi que comentaram muito, talvez pelo fato de eu sempre fazer trabalhos em que estou muito vestido e a galera nunca viu o Romulo contemporâneo (risos). Mas essa é a ferramenta do meu trabalho, eu fiz Entre Irmãs, que é um filme belíssimo, que tem uma cena de nudez. Meu corpo é uma extensão do meu ofício, é uma ferramenta de trabalho e isso pra mim é uma coisa muito natural. Foi só uma cena que vai se repetir. Eu estou feliz e estou lidando bem com isso e tomara que o publico também lide (risos).

Romulo Estrela mostra bumbum em chamada de Bom Sucesso
Romulo Estrela mostra bumbum em chamada de Bom Sucesso (Reprodução: Globo)

Como vai ser esse triângulo amoroso entre Paloma, Ramon e Marcos?

Não aposto minhas fichas aí [no triângulo amoroso], mas cada um vai ter o seu momento. Para falar melhor, eu adoro essa personagem [Paloma]. Ela representa muito a mulher de hoje: tem jornada tripla, não abaixa a cabeça, vai para a luta sozinha, e tudo bem estar sozinha. Mas ela não deixa de cobrar o que ela acha que é direito dela cobrar. Ela entende que vai morrer e fala: ‘Pera aí, tem um monte de coisa que eu não fiz ainda. Me deixa fazer’. A Grazi está fazendo lindamente essa personagem. As mulheres vão gostar de ver essa mulher e eu fico feliz de participar disso. Sem duvida a Paloma vai entender no momento certo da trama, o que é importante pra ela e o que ela quer. O que eu posso dizer é que o Marcos quer isso, ele respeita o amor, o pai, mas ele vai lutar por isso e pelo que faz bem para ele.

A novela fala sobre ‘Se colocar no lugar do outro’. O que você faria se descobrisse que tem seis meses de vida?

Acho que empatia é fundamental e acho que é uma das coisas que falta para a gente. Acho que na correria do dia a dia, a gente tem deixado de olhar pra o outro e às vezes se reconhecer no outro. Eu aproveitaria bem o meu tempo com as pessoas que me cercam e que são alicerce para mim: meu filho, minha esposa, meus pais. São coisas pequenas que por muitas vezes a gente deixa de conversar ou de falar.

Marcos (Romulo Estrela), Alberto (Antonio Fagundes) e Nana (Fabíula Nascimento), personagens de Bom Sucesso
Marcos (Romulo Estrela), Alberto (Antonio Fagundes) e Nana (Fabíula Nascimento), personagens de Bom Sucesso (Foto: Victor Pollak/ Globo)

A gente sente falta dos pais, eu sinto em algum lugar falta de acordar e tomar um café da manhã, coisa que eu fazia quando eu morava na casa dos meus pais. É óbvio, hoje é uma outra vida, hoje sou eu que tenho meu filho sentado tomando café comigo. Mas é bom também ser filho, não perder isso. É que não se pode ter tudo!

Qual é a sua relação com os livros?

Eu acho que a nossa sociedade é bem carente em relação à literatura. Temos muitos livros, tem livro para todo mundo, a demanda existe, mas o modo em que o livro chega para a gente na infância, é muito torta. Meu filho de três anos, quando eu pego para ler uma historia para ele, a historia às vezes está só resumida e resumir uma história é difícil pois o contexto da historia pode ter sido alterada.

Acho que a literatura está nesse lugar, na infância. É ali que você cria bons leitores. Hoje a gente tem uma série de dispositivos diferentes e isso é ótimo. Como isso vai impactar a gente daqui há 20 anos, a gente ainda não sabe, mas até lá, se tem o livro para ler, acesso a literatura e isso forma caráter, forma nossa cultura. Eu li muito pouco na minha infância e na minha juventude.

Comecei a ler porque achei que isso era necessário para minha profissão

Normalmente eu leio livros mais técnicos ou de entretenimento. Para mim é muito fácil me relacionar com a leitura, uma vez que estou fazendo uma novela e eu tenho 35/40 páginas para ler. Mas é uma leitura diferente, necessária. Nós temos que nos preocupar um pouco mais em incentivar a leitura e lembrar que existe um prazer em ler. Claro, às vezes esse prazer não acontece de primeira, mas se se você torna a leitura um hábito. É uma delicia você sentar e gastar duas, três horas com um livro.

Sobre esse assédio do público, como a sua mulher lida com essas situações? Ela tem ciúme?

Minha mulher é uma grande companheira de vida e uma grande admiradora do meu trabalho. A gente exercita muito isso em casa. A gente trabalha junto! Ela trabalha com branding, formação de marcas, criação de marketing pessoais. Ela lida de maneira muto tranquila com isso. Inclusive me ajuda nos momentos de criação dos personagens. Às vezes eu tiro dúvida, ela é bem participativa com o meu trabalho e muito tranquila como companheira também.

Ciúme a gente tem porque ciúme faz parte da relação, para nutrir uma relação saudável. Eu acho que nunca estive em uma relação doentia. Essa questão é muito clara dentro de casa, a gente tem isso muito definido. Eu tenho uma companheira de trabalho e cada um tem a sua vida e a gente está ali de uma maneira muito profissional. E também eu tenho um casamento que tem mais de 10 anos.

Romulo Estrela
Romulo Estrela (Divulgação/TV Globo)

Quais são as características do Marcos?

Marcos é um cara que vive a vida de uma maneira muito intensa, ele vive o aqui e agora. A preocupação dele é viver o agora, ele não faz planos para o futuro. Ele é muito parecido com o pai, apaixonado pela literatura e ele trabalhou durante um tempo na editora do pai, mas por ele ser muito parecido com o pai ele acaba abandonando tudo e vai morar em Búzios.

Ele abre o próprio bar, vive a própria vida. O bar dele se chama Peter Pan, que é um clássico que acompanha ele, inclusive é uma coisa que em algum momento ele precisa se desfazer disso, mas é lá que ele encontra a Paloma, que muda a vida dele. É uma chave que vira e que faz ele enxergar a vida de homem e mulher de uma maneira diferente, sobretudo a relação. O pai fica muito doente, é o que faz ele voltar para o Rio de Janeiro e reencontrar a Paloma.

O encontro em Búzios foi muito rápido e ali se estabelece uma conquista, é um trabalho de conquista. Tem uma relação paralela também que eu acho lindíssima, que é a relação do Alberto com o Marcos, porque ele sabe que esse pai vai morrer e ele precisa resolver essa questão que ele tem. Isso vai abrir para o publico uma janela para a gente pensar sobre como a gente gasta o tempo das pessoas que rodeiam a gente e que faz parte da nossa vida.

“Nada foi fácil”, afirma o ator sobre trajetória até a chegada em Bom Sucesso

Este é seu segundo protagonista em uma novela das sete. Como você está vendo isso tudo?

Nada foi fácil! É consequência de trabalho, de fazer um trabalho bem feito. Eu me dedico muito e procuro fazer da melhor maneira possível. A gente está falando de uma obra aberta, que existe uma atenção da gente, um cuidado, uma vigília até a hora que acaba, até a hora que você fez a ultima cena.

Você tem muitas semelhanças com o Antônio Fagundes. Como tem sido essa troca com ele?

Eu estou amando ele! A gente troca pouco porque quando ele está lá ele grava muito ou está lendo, e isso é bom porque ele passa isso para a gente. Mas a gente já trocou em vários lugares. É sempre bom admirar e ver ele trabalhar. É um ator que eu respeito e tenho muita admiração e estou nutrindo carinho muito grande porque a gente se conheceu. Espero estar aprendendo até o fim desse trabalho.

E como é atuar junto com a Grazi Massafera?

É uma grande companheira de trabalho. Tive o maior prazer em conhecer. Determinada, dedicada, a gente está muito empenhado em mostrar uma história linda para o público.

Você já conheceu o Bonsucesso da vida real?

Eu sou total povão. Eu não gosto nem de dar um nome para isso. Eu venho de uma cidade pequena, sou nordestino, e eu gosto das relações das pessoas, seja na Zona Sul ou na baixada. O legal de Bonsucesso é que é um bairro de relações próximas e é um pano de fundo bonito para a nossa história.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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