Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia) em Órfãos da Terra
Jamil (Renato Góes) e Laila (Julia Dalavia) em Órfãos da Terra (Divulgação/ TV Globo)

Julia Dalavia está interpretando Laila em Órfãos da Terra, atual novela das seis da Globo. A protagonista é uma jovem síria que veio reconstruir a vida no Brasil, após sofrer as consequências da guerra no seu país de origem.

Apaixonada por Jamil (Renato Góes), a moça enfrentou obstáculos para viver esse amor. O principal deles foi o sheik Aziz Abdallah (Herson Capri), que nutria uma obsessão por ela. No momento, Laila está vendo o seu casamento ser abalado por causa dos planos da ardilosa e vingativa Dalila/ Basma (Alice Wegmann), filha do sheik e fascinada por Jamil.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Julia Dalavia analisou a repercussão positiva que a Órfãos da Terra está tendo entre o público. A atriz também comentou a sintonia em cena com o Renato.

Para ela, o sucesso do casal é devido ao enredo criado pelas autoras Duca Rachid e Thelma Guedes, além da amizade que eles construíram. Ao longo da conversa, a artista ainda falou sobre maternidade, carreira e muito mais.

A novela

 Como está sendo trabalhar em Órfãos da Terra?

Estamos muito felizes com a novela e com a resposta do público. Eu estou feliz que essa novela está conseguindo penetrar nos sentimentos das pessoas.”

Como você se preparou para interpretar a Laila?

Começamos uma preparação dois meses antes de começar a gravar. Com aulas de árabe para a gente construir a prosódia, que é essa música árabe que temos na fala, quase um sotaque. Tivemos aulas de dança síria, aulas de culinária, aulas sobre a cultura árabe. Ficamos dois meses nessa imersão todos os dias, de segunda a sexta, o dia inteiro. Então quando a gravar isso já está muito intrínseco, já estávamos vivendo aquilo um tempo. Mas foi impactante ainda, assim, chegar nas locações. No início tivemos grandes locações fazendo a Síria no Brasil, aquela travessia.”

Quem você acha que matou o sheik Aziz Abdallah?

Eu acho que foi a Rania (Eliane Giardini). Tudo indica. Eu não sei se foi a Rania, também não sei quem matou.”

O casal protagonista

A química do Jamil e Laila está enlouquecendo os telespectadores. Como está sendo dividir cena com o Renato Góes?

Estamos muito felizes porque o casal está sendo muito querido pelo público. O Renato é um ótimo ator, adoro o trabalho dele.

Jamil (Renato Góes), Laila (Julia Dalavia) e Dalila/Basma (Alice Wegman), de Órfãos da Terra
Jamil (Renato Góes), Laila (Julia Dalavia) e Dalila/Basma (Alice Wegman), de Órfãos da Terra (Reprodução)

Por que você acha que a história de amor do Jamil e Laila conquistou o público?

Eu acho que a história do Jamil e da Laila é muito bem construída. Todo esse universo árabe junto com o tom documental da novela, que não é um tom tão fantasioso, tem um charme a mais, ajuda a contar a história dos dois. E o Renato é muito meu amigo. Fizemos um trabalho muito legal em Velho Chico (2016). Legal de viver para nós, como atores, viver o processo da preparação. Em Velho Chico, viajamos, ficamos um mês o sertão gravando. Então somos amigos há muito tempo, temos uma relação muito bacana em cena.”

A maternidade na vida de Laila

Como foi a gravação da cena em que Laila dá à luz o filho Raduan?

Acho que foi muito instintivo. Quando chegamos no set tinha a doula, que é uma parteira, ela acompanha muitos partos humanizados. Ela conversou com a gente como seria o parto com o apoio do marido, um parto normal e natural. Foi muito bom e intenso para mim. Não tinha muito ideia do que ia acontecer, e foi muito bonito.”

Esse momento despertou em você o desejo da maternidade na vida real?

Não [risos]. Eu tenho 21 anos, ainda não penso nisso. Não sei o que vai acontecer na minha vida, não sei se algum dia. Por enquanto só na novela mesmo.”

Laila (Julia Dalavia) , Raduan (Breno Dellatorre) e Jamil (Renato Goes) em Órfãos da Terra
Laila (Julia Dalavia) , Raduan (Breno Dellatorre) e Jamil (Renato Goes) em gravação de Órfãos da Terra

Em quem você se inspirou para compor esse lado materno da sua personagem?

Me inspirei na minha mãe (Márcia Dalavia). A Laila também tem uma criança muito nova. Ela tem 19 anos na primeira fase e ela vira mãe. Então eu imagino que seria a mesma coisa eu lidando com aquela criança. Em cena a coisa desenrola, acontece. Como eu falei: temos um instinto. Eu posso não ser mãe, mas tenho um instinto feminino. Não estou dizendo que todas as mulheres tem, porque não. Mas eu sinto isso em mim, eu gosto de criança, gosto de brincar com criança e sei cuidar de criança.”

Relação de Julia com a mãe Márcia

Sua mãe faz o “estilo corujona”? Ela está acompanhando o seu trabalho em Órfãos da Terra?

Ela costuma acompanhar. Não sei se ela está assistindo a novela inteira todos os dias, mas ela me dá muito apoio. Ela acompanha tudo o que eu faço.”

Como é a relação com a sua mãe? Existe a mesma cumplicidade que vemos entre a Laila e Missade?

A minha mãe é a minha melhor amiga. Acho que eu sou mais amiga da minha mãe do que a Laila é com a mãe dela.”

Missade (Ana Cecília Costa) e Laila (Julia Dalavia) em Órfãos da Terra
Missade (Ana Cecília Costa) e Laila (Julia Dalavia) em Órfãos da Terra (Divulgação/ TV Globo)

O universo de Laila

Como é se desconectar da realidade para começar a viver o universo da sua personagem?

É muito difícil de falar porque vivemos isso aqui todos os dias. Agora, eu estou vivendo mais a vida da Laila do que a minha própria. Estamos aqui [na Globo] todos os dias, quase 11 horas por dia gravando. Então isso fica muito orgânico. A gente lê o testando já imaginando [as cenas], tem cenário montado, figurino incrível da Mari Suede. Está muito fácil a gente esquecer da vida e acreditar que estamos vivendo aquilo mesmo. Temos atores brilhantes, o Herson (Capri), Marco (Ricca), Ana (Cecília Costa), Renato (Góes). Não estou dizendo que é um trabalho fácil, é um trabalho difícil de entender e se colocar nessas situações. Mas temos muitos prós, texto bom também.”

Você está mostrando uma evolução muito grande como atriz ao interpretar a Laila. Já caiu a ficha desse novo patamar em que você está se colocando?

Não caiu a ficha. É difícil falar disso, não sei se tem alguma ficha para cair. É um trabalho que eu venho fazendo há muito tempo, estudando. Eu comecei muito nova no teatro. Acho que é uma evolução natural que eu fui aprendendo, tendo a oportunidade de trabalhar com atores brilhantes durante esse tempo e com diretores incríveis também. Sempre prestei muita atenção de ter certeza que ouvia quem estava no meu lado. Absorver do outro ator, absorver experiências. Acho que isso foi me construindo junto com a vida que eu tive, minhas experiências me trouxeram até aqui. Não tem uma fórmula.

Pé no chão

Você é uma atriz que não demonstra deslumbre com a fama. O teatro de te ajudou a ter esse amadurecimento como profissional?

No teatro, você faz a sua própria maquiagem, você tem a sua própria roupa. Tem uma pessoa para auxiliar, mas cada um é responsável por o que é seu, do que é do seu personagem. Está todo mundo auxiliando na função de todos, todo mundo se ajuda. Eu também sou muito tímida para essas coisas [glamourização]. Não é que eu não goste por tal motivo, é que eu não consigo.”

Você gosta de ver as cenas que grava?

Eu aprendi a gostar. Agora estou conseguindo ver sem aquele arrepio, calafrio. Eu estou gostando do trabalhando que estamos fazendo aqui, gosto da direção. Gosto da edição da novela também, que é muito dinâmica e ajuda a contar a história. Estou gostando muito da novela e de me assistir também.”

Mulheres na teledramaturgia

A teledramaturgia da Globo está com grandes mulheres em cena: a Laila, Janaína (Dira Paes – Verão 90) e Maria da Paz (Juliana Paes – A Dona do Pedaço). Como é para você acompanhar esse destaque feminino?

É muito gratificante ver isso acontecer na minha geração. Essa abertura de espaço para a voz da mulher, para contar histórias sobre mulheres e a força feminina. Acho que estávamos precisando há muito tempo, e dar bons papeis às mulheres, ocupar esse espaço que é imprescindível.”

Órfãos da Terra formou um elenco com jovens atores muito talentosos. Como é trocar experiência com a nova geração da teledramaturgia?

Eu vejo muita verdade nos olhos dos meus colegas, como se uma coisa envolvesse. Acho que também tem muita vontade de fazer, aprender, de acertar, mesmo errando às vezes. Não temos medo de errar, isso é muito importante também. Todo mundo muito disponível e com muita garra e vontade. Eu vejo isso na minha geração, vontade de fazer mesmo.

Cibele (Guilhermina Libânio) e Benjamin (Felipe Bragança), de Órfãos da Terra
Cibele (Guilhermina Libânio) e Benjamin (Felipe Bragança), de Órfãos da Terra (Reprodução)

Lidando com a internet

Como você lida com as redes sociais?

Depende da visão que você está querendo abordar. Eu lido muito mal com rede social, quase não uso direito. Eu uso para ver coisas dos meus amigos ou notícias do que está acontecendo. Não sei fazer do jeito que fazem [publicações] e não tenho nada contra de fazer dinheiro com uma propaganda. Acho que é necessário inclusive, todo mundo tem que ganhar dinheiro mesmo. Faço e faria também. Não me despertou uma vontade ainda, mas talvez um dia eu aprenda a gostar [das redes sociais]. Eu vejo todo dia o meu Instagram, mas é mais para ver o que está acontecendo, coisas dos meus amigos que sigo, coisas que posto para eles também.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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