Fabiula Nascimento interpreta Nana em Bom Sucesso (Foto: Isabella Pinheiro/Gshow)

Mariana Prado Monteiro, ou simplesmente Nana, é uma das personagens de Bom Sucesso, próxima novela das sete da Globo que estreia dia 29 de julho. Vivida por Fabiula Nascimento, a moça é a perfeccionista executiva da editora Prado Monteiro, criada pelo Alberto (Antonio Fagundes).

Ciente da crise que a empresa enfrenta, Nana tenta repaginar a editora dando espaço para obras de escritores atuais. No entanto, enfrenta a arrogância e negativa do patriarca que está à beira da morte. Em entrevista ao Observatório da Televisão, Fabiula descreveu a personalidade de sua personagem.

A atriz também comentou sobre a traição que Nana irá sofrer do próprio marido: Diogo (Armando Babaioff). O ambicioso advogado terá um caso com Gisele (Sheron Menezzes), assistente pessoal da esposa.

Ao longo da conversa, Fabiula também falou sobre a carreira e sua relação com a morte e leitura – temas centrais da trama escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm.

A personagem

Quem é a Mariana Prado Monteiro?

A Mariana é uma mulher workaholic extremamente profissional. Ela toma conta de uma família inteira, leva todo mundo nas costas. É filha do Alberto Prado Monteiro, dona da editora onde ela é a executiva, o cérebro daquele lugar. O pai está passando por essa dificuldade toda e ela vem, desde a morte da mãe, assumindo esse lugar de empresária, dona de casa, mãe e filha desse pai, nessa tentativa louca de dar tudo certo. O irmão é um irresponsável, um bon vivant, larga tudo e vai embora, porque é muito parecido com o pai. Eles não têm um diálogo direito, não concordam um com o outro, mas são muito parecidos. Então sobra tudo para ela. Ela é perfeccionista, apaixonada pela editoria e faz direito para salva-la, pagar as contas para que dê tudo certo. Tenta ampliar o editorial para trazer uns livros mais comerciais porque vivemos uma crise editorial. Um livro comercial para uma editora tão antiga e com tantos clássicos poderia, inclusive, salva-la. Sabemos que hoje em dia a internet vende muito, os youtubers fazem muito, tem livro de tudo o que é jeito. Isso seria uma boa para a editora, mas o pai é totalmente contrário.”

Como você está trabalhando para compor essa personagem?

Eu estou trabalhando muito, ela é muito diferente de mim. O registro de voz é outro, de corpo é outro. Eu estou trabalhando muito e espero entregar uma coisa bonita para vocês.”

Marcos (Romulo Estrela), Alberto (Antonio Fagundes) e Nana (Fabíula Nascimento), personagens de Bom Sucesso
Marcos (Romulo Estrela), Alberto (Antonio Fagundes) e Nana (Fabíula Nascimento), personagens de Bom Sucesso (Foto: Victor Pollak/ Globo)

A personalidade

Por ser uma pessoa exigente com o trabalho, ela chega ser arrogante?

Ela não tem esse perfil. Eu acho que a Mariana não é boa e nem má. Ela é humana, tem sombra e tem luz. Tudo o que ela faz, você consegue entender um porquê. De repente, chega uma mulher linda, que atacou ela em um momento e que ela não gosta, dentro da casa dizendo que é acompanhante do pai. Ela tem os piores pensamentos. Mas qualquer pessoa nesse lugar ficaria assustada. Depois vai mudando porque ela vai virando meio que uma filha, e é uma coisa que ela não tem: cumplicidade e amizade com o pai. Ela é incapaz de fazer uma maldade.”

A Nana é apaixonada pelo marido, o advogado Diogo (Armando Babaioff)?

Ela não é apaixonada. Ela vive com esse homem, se casou com ele. Ela não tem tempo para ficar com ciúmes, não existe. Ela está com ele porque, além de ser um cara que a acolheu quando a mãe morreu, é um cara que a acolhe sempre, coisa que o pai e o irmão não fazem. É um registro de que está tudo bem, de que ela está casada com um homem que acolhe e está no lado quando precisa. Mas não passa pela cabeça dela de que ele é o grande vilão.”

Nana (Fabiula Nascimento) e Diogo (Armando Babaioff), personagens de Bom Sucesso
Nana (Fabiula Nascimento) e Diogo (Armando Babaioff), personagens de Bom Sucesso (Foto: Globo/João Cotta)

A traição

A assistente pessoal da Nana, a Gisele (Sheron Menezzes), vai ser amante do Diogo. Como a personagem vai descobrir essa traição?

Parece que é embaixo do nariz dela…”

A Nana é uma mulher que prefere fingir não enxergar essa situação?

Ela não enxerga. Para ela está tudo bem, não tem um monstro ao seu lado, tem um parceiro. Ele é tão psicopata que ele é um parceiro dela. A Gisele, que é a personagem da Sheron, trabalha para ela, é competentíssima. E outra, quando você não tem a coisa do ciúme e insegura, quando a pessoa não te causa isso, você não investiga.”

Você a pesquisar esse assunto da psicopatia para entender as atitudes do Diogo?

Nem fui para esse lugar, para mim vai ser uma surpresa que ele seja um demônio louco. Eu estou em outro caminho. Ela é muito autocentrada, isso facilita também. Mas ela tem milhões de relações: com a filha, marido, irmão, funcionários, editores, pai. Eu nunca tive em uma novela, é a primeira vez que eu tenho uma família, que não seja só irmão ou irmã, filhos ou sobrinhos. É uma relação paterna, então abre outros caminhos de comunicação e sentimento, é muito diferente.”

Você perdoaria uma traição?

Super perdoaria. Tudo na base da conversa, as relações são muito maiores do que isso. E acho que cada um tem seu contrato na vida. Acho que é muito raso você falar ‘você perdoaria?’, você não sabe o que está acontecendo. Só as pessoas que estão dentro da relação que sabem. Então dependendo de tudo e da conversa, é óbvio que sim.”

Mulher forte

A Nana vai se transformar, crescer dentro da novela?

Espero que sim. Ficar inércia, parada no mesmo lugar não dá. Não quero! Eu estou bem feliz, é um novo trajeto, caminho e lugar também.”

Apesar das histórias serem diferentes, a Nana tem um lado forte igual ao da Cacau, sua personagem de Segundo Sol, né?

Eu sou uma mulher forte, ninguém vai me chamar para fazer uma fraca.”

Nana (Fabiula Nascimento) em Bom Sucesso
Nana (Fabiula Nascimento) em Bom Sucesso (Divulgação/ TV Globo)

O elenco

Como está sendo a parceria em cena com a Grazi Massafera, que interpreta a Paloma?

Temos pouquinho material juntas, e ainda estamos numa distância [na trama]. Mas a gente sempre contra coisas legais, a Grazi é uma parceira. É uma menina super esforçada, que vem junto, troca ideal. Para mim, as coisas mais importantes que tem no ator é generosidade e jogo, e ela tem.”

E como está sendo a experiência de contracenar com Antonio Fagundes?

É legal! É como se eu estivesse visto o meu pai envelhecer, né? Porque, na verdade, desde ‘Vale Tudo’ que acompanho o trabalho do Fagundes. Hoje eu estou trocando [experiência] com ele. É sensacional!”

Núcleo da editora Prado Monteiro em Bom Sucesso
Núcleo da editora Prado Monteiro em Bom Sucesso (Foto: Paulo Belote/Globo)

Principais temas da novela

Bom Sucesso traz uma relação muito forte com a literatura. Inclusive, a biblioteca da trama é real. Como é mergulhar nesse universo? Você está lendo algum livro no momento?

A gente pegar um [livro], lê e depois devolve. Essa vai ser a brincadeira. Eu agora estou lendo Sapiens [Uma Breve História da Humanidade, de Yuval Harari], que demorei para ler.”

Você acredita que a novela vai reforçar a importância da leitura nos telespectadores?

Temos uma força e desejo muito grande de um país mais culto, com educação. Todo lugar em que eu ando, eu sempre tenho um livro. Já distribuir, deixo no metrô e nos lugares. Na Globo mesmo, temos vários lugares onde deixamos o livro e pegamos outro. Eu não fui uma criança incentiva a ler. Eu fui aprender a ler quando comecei a fazer teatro. O que eu quero dizer com aprender a ler é tomar gosto pela leitura, lá pelos 17, 18 anos. Comecei a ler tarde, não venho de uma família que tem costume de leitura. Eu acho muito importante introduzir [o hábito da leitura]. O presente dos filhos pequenos de todos os meus amigos é livro. No final do ano trocamos livros, também para não ter um consumo desenfreado de coisas e embalagens. Uma coisa que temos que tomar consciência cada dia mais, porque senão em 30 anos acabou tudo, não tem mais ninguém. Eu espero que as pessoas apreciem e tenham vontade de ler, nem que sejam os clássicos.”

Além da leitura, a novela também faz uma reflexão de como lidar com a morte. Você já parou para pensar nesse assunto?

Não, jamais! Para quê? Ela vai chegar para mim, para você, para todo mundo. Só espero que eu consiga realizar um monte de coisa legal para ir em paz.”

Vida pessoal

Como você está conciliando as gravações com sua vida pessoal? O que você mais gosta de fazer quando não está trabalhando?

Temos que dar um jeito. Tem uma questão de preferência e a damos para aquilo que amamos. Eu adoro estar na minha casa curtindo a minha família e os amigos. Eu sempre faço um compromisso que dê para ligar tudo, ou na minha casa ou na casa dos amigos, um cinema… Agora nesse processo, eu não estou conseguindo sair de casa. É um volume de trabalho bem grande e eu acho que, pela primeira vez, é uma personagem com bastante volume de trabalho e trama.”

Você já tem projetos definidos paralelos a Bom Sucesso?

Eu tenho dois filmes para lançar. Inclusive, um deles é ‘Pluft’, que é a Rosane Svartman que vai dirigir.”

Carreira

Qual o maior ensinamento que você teve ao longo da carreira?

São 23 anos [de carreira]. Eu aprendo todos os dias da minha vida. Cada personagem me ensina uma coisa. Cada personagem me transporta para um novo universo, me abre e aguça uma curiosidade. Acho que é por isso que não paro de trabalhar, porque o meu trabalho é realmente a minha vida. Eu faria outra coisa porque ficar desempregada jamais. Eu limpo casa que é uma beleza, faço comida muito bem, não tenho medo disso. Mas, assim, é um prazer ser uma profissional da arte, do teatro, da fala e comunicação.”

A Eulália de Velho Chico (2016) é uma das personagens mais emblemáticas da sua carreira. Como foi participar dessa trama?

Foi muito transformador esse trabalho. Foi muito especial esse momento.”

Fabiula Nascimento em Velho Chico
Fabiula Nascimento em Velho Chico (Foto: Divulgação/ Globo)

O Emílio Dantas está acompanhando a construção desse seu novo trabalho? Vocês trocam dicas juntos?

Sempre juntos. Pode ser um roteiro de 10 páginas como pode ser uma novela de 200 capítulos, sempre juntos.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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