Camila Rodrigues durante o lançamento da novela Topíssima
Camila Rodrigues durante o lançamento da novela Topíssima (AGNews)

Camila Rodrigues é protagonista de Topíssima, nova novela da Record TV que estreia na próxima terça-feira (21). Na trama com autoria de Cristianne Fridman, ela será Sophia, uma temida empresária que não deixará se levar pelas opiniões alheias, não aceita levar desaforo para casa, sobretudo de homens.

Durante a coletiva da trama que aconteceu no Rio de Janeiro, a atriz falou a personagem, e como é importante para uma trama nos tempos atuais ser focada no feminismo. Ela ainda falou sobre a ligação entre os personagens que fazem parte de classes sociais distintas. Confira:

Topíssima traz  um quê feminista. Você acredita que essa mensagem precisa ser passada para as pessoas, feministas ou não?

O feminismo da trama é o [reflexo] da liberdade. Não é o que você precisa fazer, é o que você quer fazer. E Sophia está aí para isso. Quando somos aquilo, é uma coisa que a gente não pensa, a gente faz. O feminismo virou uma conversa um pouco chata, é muito importante, mas começou a desandar. Acho que essa novela vem para clarear as coisas, porque a questão é muito mais simples que a gente imagina. A gente precisa lutar, nos colocar, nos impor porque sabemos como é o mundo, e a personagem vai quebrar essa barreira.

Essa será a primeira novela contemporânea da Record TV após uma safra de novelas bíblicas…

Era importante vir uma novela atual na Record falando sobre todos os sistemas que precisamos falar, não só do feminismo, mas drogas, desigualdade social, tráfico, mortes, aborto, mas de maneira leve e divertida, porque isso estava faltando. É um respiro para a Record fazer uma novela atual. É uma novela pop, solar, e acredito que todos os atores estão felizes por fazerem parte dela.

Comicidade da personagem

A novela vai ter um tom de humor, você já tinha feito algo nessa pegada?

Em televisão muito pouco, no teatro tinha feito mais, e é uma coisa que eu gosto e as pessoas não sabem que faço. Eu não sou comediante, mas gosto de fazer comédia. A Sophia me dá todas as possibilidades do mundo. Às vezes, eu Camila, tenho quebras, reações diferentes, e posso colocar na personagem.

Na última vez que conversamos você disse que estava lendo a personagem e era a mais parecida com você em toda a sua carreia. Isso se mantém?

Ela é livre, fala o que quer. Não tem muito filtro e às vezes chega até a ser um pouco grosseira, e isso acontece comigo também. Às vezes falo alguma coisa e depois penso: ‘ih, acho que fui direta demais’. A Sophia é diretona, mas não é por maldade, é porque não tem tempo a perder. Ela é mimada, ao mesmo tempo é uma mulher incrível, ao mesmo tempo é uma criança e um mulherão extremamente responsável, que trabalha muito. Todas as possibilidades estão nessa mulher e o que mais me encanta é isso. Não sou tudo isso ao mesmo tempo, mas sou bem parecida.

Mudança

Pelo que lemos, a personagem vai passar por um choque de realidade, vai mudar completamente de vida. Como você se preparou para isso?

O capítulo 100 chegou para a gente semana passada, mas ainda estou gravando o capítulo 30, e com isso a gente acaba descobrindo as coisas aos poucos. Como tenho 25 cenas por dia, preciso parar e ler, e tem muita coisa lá para frente que não sei ainda. O Foguinho (diretor Rudi Lagemann) não fala tudo para a gente, então esse choque de realidade tenho certeza que vou sentir como personagem, e como Camila. Os cenários mudam, os figurinos mudam e isso é muito bom e acho importantíssimo.

Essa relação dos dois protagonistas é muito interessante porque dinheiro para ela é importante por N coisas, e quando ela conhece o Antonio (Felipe Cunha), ela começa a entender a realidade do mundo porque até então ela vive numa redoma. Ela dorme numa suíte riquíssima, o problema sou eu voltar para a minha realidade depois de gravar (risos). Quando chego na minha casa não tenho motorista, não tenho pessoas para trabalhar para mim…

Você se inspirou em alguém?

A gente viu muitos filmes, mas todos de comédia, como os da Sandra Bullock, e acho que é muito esse lugar. A gente pode até exagerar um pouco, mas essa novela fala sobre a realidade. É uma novela que a gente pode brincar e eu sou muito moleca.

Dramaturgia dominada por mulheres

A partir do dia 21 teremos grandes mulheres na teledramaturgia. A Laila da novela das 18, Janaína das 19h, Maria da Paz às 21h, e agora a sua Sophia em Topíssima na Record TV. Como é para você ver essas mulheres na dramaturgia?

Acho maravilhoso. Estamos vivendo esse momento, por isso achei muito legal a Record vir com esse tema, vir com mulheres como a Jezabel. É importantíssimo, não ficar apenas falando nas redes sociais, mas no trabalho. A gente pede tanto e que bom que as pessoas estão abrindo espaço para as mulheres cada vez mais e não só como protagonistas, mas contar as histórias dessas mulheres. E Topíssima ainda é escrita por uma mulher, só faltava ser dirigida por uma mulher.

Como foi a mudança de cabelo? Já se acostumou?

Não tenho problema nenhum com mudança. Já raspei a cabeça em Os Dez Mandamentos, e eu particularmente amo cabelo curto, acho que fica bem mais sensual. Eu gosto dessa coisa um pouco masculina para feminina.

Sophia e Antonio

Como vai ser essa coisa do romance entre Sophia e Antonio?  O que você acha que dá a química entre os dois?

Acho que começa pela personalidade dos atores. Eu tenho uma personalidade explosiva, sou elétrica. O Felipe é mais tranquilo, outro ritmo. Acho interessante essa junção de energia. A questão social é muito importante para os personagens, e principalmente a parte sexual também. Sophia é o homem da relação, ela fala mesmo, o papo dela é direto. Antonio é mais conservador. Ela sempre se envolveu com homens que estavam interessados no status dela, no poder, na posição, e ela conhece um cara que não está nem aí para isso. ‘Como assim? Se todos os outros eu consegui, como com ele não?’ Acho que essa pulga atrás da orelha, esse mistério que ele causa nela é o que faz ela querer mais.

Você teria uma postura como a dela?

Eu já tomei bastante iniciativa, não tenho o menor problema em relação a isso. Eu sou bem direta mesmo, e já recebi ‘não’. A pessoa tem o direito de não querer. Não me senti nenhum pouco rejeitada.

Tem muita gente que fala que isso é da época, mas minha avó tem 75 anos e fala que já transou no primeiro encontro…

Adoro (risos). Maravilhosa, e graças a Deus agora a gente está podendo falar. Isso é que acho legal, mas tenho certeza que ela só contou isso agora. Eu mesma com essa personalidade que falo tudo, tiveram momentos em que eu não pude ser ou falar o que eu queria porque as pessoas falavam ‘ah Camila’. As pessoas julgam sim.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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