Marjorie Estiano no lançamento da terceira temporada de Sob Pressão
Marjorie Estiano no lançamento da terceira temporada de Sob Pressão (Divulgação).

A terceira e última temporada de Sob Pressão, um dos seriados de maior sucesso da TV Globo, estreia no próximo dia 2 de maio na emissora. A princípio, a nova temporada de Sob Pressão mostrará Carolina (Marjorie Estiano) e Evandro (Júlio Machado), dividindo um trabalho temporário no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o Samu.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Marjorie falou sobre a nova temporada e ainda comentou sobre o fim da série. Confira:

Nos conte um pouco sobre a terceira temporada? O que tem de novidade?

“É a mesma coisa que tem de novidade no sistema público, são os mesmos problemas, só que abordados de outras formas. Mas ainda continuamos com a falta de equipe, falta remuneração, falta de instrumento. E também de participação do Estado em um serviço público.”

Você acha que Sob Pressão está ajudando o pessoal a pensar um pouco na saúde?

“Sem dúvidas. É um projeto que reúne de forma muito feliz o entretenimento e a informação. Às vezes é informativo em casa uma cena didática, às vezes é só entretenimento e não consegue se aprofundar muito. O Sob Pressão une esses dois conteúdos de uma forma muito suave, muito palatável. Eu acho que essa terceira temporada vai ser como foi a primeira e a segunda. Com muita identificação, o que eu mais ouço nas ruas são depoimentos de pessoas que viveram alguma coisa parecida ou que se identificam com aquilo, que vem e a partir dessa distancia refletem sobre a própria realidade.”

Público

O público vê vocês como porta-voz, eles dão sugestões também?

“Eles agora veem o lado dos médicos, que normalmente também podem ser muito vilanizados pela falta. Os médicos estão ali desesperados como na série, eles passam a ver que os médicos estão do mesmo lado deles, nesse sentido da falta de respaldo.”

Os jornalistas receberam o livro Sob Pressão, do que se trata?

“É o livro do Márcio Maranhão, é interessantíssimo e conta a história dele no sistema público de saúde. Mas ao mesmo tempo que ele te insere no sistema público de saúde através desse viés dele, pessoal e de alguém que quer transformar, ele descreve para a gente a experiência e a vivencia dele com isso tudo, com a vontade de mudar e seguir mudando. E a dificuldade em um sistema que está abandonado por completo. Em suma, é um livro que você lê e não acaba bem não (risos).”

Cancelamento

Essa realmente é a terceira e última temporada de Sob Pressão?

“Olha, a gente está a disposição para todas as outras. Essa é uma decisão da emissora.”

O amor do Evandro e da Carolina está fortalecido cada vez mais?

“Eles se amam e isso eu não tenho a menor dúvida. A relação é um organismo vivo, que existem altos e baixos, encontros e desencontros como todo mundo. Mas eu acho que eles se complementam e se ajudam. E enquanto eles se fortalecerem, acho que devem continuar juntos, no contrário, que encontrem um outro formato para se fazer bem.”

O público que começou com você em Malhação te viu crescer. Como é nas ruas o carinho das pessoas com você?

“Eu fico muito feliz, muito satisfeita. O retorno que eu tenho não poderia ser mais carinhoso, mais respeitoso sempre. Tanto do que já foi feito, quanto do que a gente vem fazendo. Tem um grupo forte que gravou a Malhação, eu fiz parte de uma fase deles, uma fase da vida e isso trás muitas lembranças positivas. É uma coisa que não tem palavras, é sensorial mesmo, é nesse campo da emoção, da sensação. Eu adoro ter esse retorno, me interessa muito saber a opinião deles, é uma interação muito construtiva.”

Recepção

As pessoas te elogiam e dizem que você é uma das melhores atrizes da sua geração. Mas você nunca deixou ninguém te colocar em um pedestal, não é?

“É porque eu estudo, então eu tenho noção do quanto a gente não sabe nada. Isso dá uma centrada, coloca bastante o pé da gente no chão. Quando você vai percebendo o quanto esse material é de uma construção subjetiva, qualquer um provem desse mesmo material. Na minha profissão eu tenho a construção e eu me dedico, eu estudo, gosto e adoro estudar a minha profissão. Isso tem me oferecido cada vez mais prazer com ela, me desvencilhar de algumas amarras, de alguns apegos e angustias que não tinham razão de ser.

Eu acho que o estudo veio me amparando nesse sentido de usufruir disso e cada vez mais compartilhar. Mas o que trás essa coisa de não subir em um pedestal é que a gente está compartilhando, está todo mundo aqui dentro no mesmo lugar, tentando realizar seus desejos, conquistar e comunicar com o outro. O objetivo da minha profissão é uma construção no espectador, então não tem o porque eu me distanciar dele.”

Evolução

A Carolina já teve vários dramas. Para você qual a diferença dela lá no começo, para essa de agora?

“Eu acho que é a experiência, um amadurecimento dilatado ao longo do tempo com as experiências. O dia a dia deles é esse, é muito violento, muito agudo e cada caso é um caso, para eles especialmente que são médicos e se envolvem com o paciente, levam o trabalho para casa e ficam o tempo inteiro com isso. A Carolina vem amadurecendo desde a primeira temporada, com as questões dela com o relacionamento, com os conflitos dela dentro da profissão. Ela é gente como a gente. Ela é uma pessoa que se investiga e percebe muito tanto ela, quanto o ambiente.”

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