Alinne Prado
Alinne Prado (Divulgação)

A apresentadora e ex-repórter do Vídeo Show, Alinne Prado, desligou-se da Rede Globo no último ano e desde então dedica-se a projetos pessoais e paralelos à televisão. Atualmente ela está editando um livro e ministra palestras de auto aceitação da raça.

Alguns veículos de comunicação publicaram que Alinne estaria no elenco da próxima temporada do Power Couple Brasil ao lado do marido, Bruno Nalbone. Em entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, ela desmente rumores, relembra sua demissão da emissora carioca e fala sobre o aborto sofrido recentemente. Confira:

Como tem sido sua vida profissional após o seu desligamento da TV Globo?

Comecei canal do youtube chamado Na Cacholla. Dei consultoria sobre inclusão racial em empresas, palestras, aulas de jornalismo e apresentação para vídeos. Além de ser embaixadora da Embelleze e apresentadora do Sesc Senac. 

O ano de 2019 lhe trouxe a tristeza de não poder dar à luz a uma filha, certo? O quanto esse acontecimento lhe transformou?

Sim, engravidei da Niara. Fiquei muito feliz em ter uma cacheadinha na minha vida. Já tenho um moleque maneiro lindo de quase cinco anos. E formariam um lindo casalzinho de irmãos.  Mas a gente não questiona as vontades de Deus.  Só aceita, aprende e agradece. Toda perda nos deixa grandes lições.

O seu relato sobre a demissão da Rede Globo atingiu muitos e muitas que se identificaram com o ocorrido. O racismo é uma triste verdade no nosso país. Você acredita ser uma inspiração para negros e negras no Brasil?  

Mais do que apenas um país colonizado, nós tivemos um imaginário colonizado. Precisamos tirar a venda de nossos olhos para enxergar e combater essa triste verdade. E a luta do racismo não pode estar só nas vinhetas institucionais. Tem que ser uma missão, de fato.

Luta negra

Em sua opinião, a luta contra o racismo é uma luta de todos nós ou o protagonismo deve ser negro?

Combater o racismo não é só função de quem é negro, mas de quem tem caráter. Quando compreendermos isso, nosso país terá upgrade social, humano e cultural.  O combate começa quando analisamos atitudes simples no dia a dia. Como tratamos nossas empregadas domésticas – num sistema análogo a neoescravidão? Quando cruzamos com uma criança pedinte loira queremos levar para casa e a criança pedinte negra é um ser invisível? Quando nos deparamos com elencos majoritariamente brancos nas novelas temos estranhamento, ou achamos normal apesar de não sermos uma Europa com maioria branca?

Começa com empatia, gerando reflexão e culminando na ação. Chega de negação do racismo! Não é mimimi. E a gente convive com isso rotineiramente sem perceber e tentando banalizar. Antigamente o negro tinha pouco acesso à informação e achava comum ser tratado como um sub-humano. Agora a negritude chega na faculdade, acessa internet… Ninguém aceitará voltar para senzala.

Recentemente um site publicou que você estará na próxima temporada do Power Couple Brasil? Isso procede?

Na época de A Fazenda também teve essa especulação. Gostaria de saber de onde a imprensa tira essas notícias, dando-as como certas ainda. Onde apuram esses dados? Seria um apelo popular? (risos).

Você aceitaria um convite para participar de um programa de confinamento?

Sou um ser que ama a liberdade. Mas toparia me expor se fosse por um bem social. Para que as pessoas conhecessem melhor a mim e aos meus ideais. Alinne Prado pessoa física, sem representar nenhuma instituição.

Características fortes

Quais características de sua personalidade você acredita que poderia agradar e ou desagradar, dentro de um reality show?

Sou extremamente empática. Sempre tento calçar o sapato alheio para entender onde dói, inclusive o sapato do opressor. Acho que isso seria evidente e poderia agradar. Porém, sou moldada na mais pura verdade. Não compactuo com mentiras, mau-caratismo e ações levianas. Prefiro perder um jogo e sair íntegra do que articular maldades e virar medíocre.

Quais são os seus projetos profissionais para este ano?

Amadureci tanto com os desafios impostos pela vida, e daí nasceu uma escritora! Estou escrevendo a história do Quilombo Cafundá Astrogilda. Conheci essa comunidade que fica em Vargem Grande, região agrícola no Rio de Janeiro, composta por pessoas humildes, mas ricas no trato humano.

Começo o livro falando da liderança comunitária quilombola Dona Maria Lucia, a mulher que nunca pisou numa sala de aula e fundou uma escola para que as crianças da comunidade possam ter um futuro melhor do que o dela. Quando falo em empatia, Dona Maria Lucia é a personificação deste sentimento.

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