Galdino (Gabriel Godoy) de Verão 90
Galdino (Gabriel Godoy) de Verão 90 (Divulgação/TV Globo)

Gabriel Godoy, que está fazendo um grande sucesso como Galdino em Verão 90, conversou com o Observatório da Televisão e contou um pouco de sua carreira. Ele falou também sobre o futuro desse malandro, que já conquistou o coração do telespectador da trama das sete, da TV Globo.  A seguir, confira a entrevista:

Como está sendo interpretar o Galdino? 

Penso que criar uma personagem é uma parceria entre autores, direção, o ator e os colegas com quem você vai contracenar e em Verão 90 tudo se encaixou. Isso é muito especial. Por isso está sendo um tesão fazer o Galdino. Eu costumo sofrer muito no início do meu processo de criação e já passei por projetos onde o sofrimento não passou. Geralmente isso acontece quando não tem química ou trabalho coletivo.

Vale ressaltar, que o personagem é cheio de possibilidades. E, que no início, poderia descambar para o caricato. Mas não descambou. Vou teve um cuidado em relação a isso?

Todos os personagens que faço crio de dentro pra fora e tomo muito cuidado para não construir de fora para dentro. Pois aí o risco de ficar na forma, ou caricato ou a imitação de algo é muito grande. Eu quero dizer que penso na essência dessa personagem e vou aos poucos descobrindo as características íntimas dela. E as descobertas são diárias, ainda estou descobrindo. Eu acredito que meus colegas de cena me mostram muito quem é o Galdino quando estamos em ação. Uma personagem sempre vai ser um mundo de possibilidades e nunca uma coisa só. Mesmo sendo um papel cômico numa novela cômica sempre penso na humanidade. Ninguém é engraçado 24 horas por dia.

Todo mundo fala da química entre você e a Camila Queiroz. Como está sendo essa troca, já que o Galdino não consegue ficar longe de sua ‘gatosa’?

Usarei um termo clichê para responder essa pergunta. A Camila foi um ‘presente’ (risos). Sim, foi de verdade pois conseguimos uma conexão de trabalho muito linda. Antes de começar o trabalho gosto de me identificar com a ‘pessoa física’ do meu colega. Se isso acontece, certeza que a ‘pessoa jurídica’ vai fluir. Camila gosta de atuar, de criar e eu também. Por isso que deu e está dando certo. Assim como está sendo com Jesuíta Barbosa que eu sou fã de carterinha. Um dos motivos de eu ter ficado com muita vontade de fazer essa novela quando me convidaram, foi porque o Galdino seria o parceiro do Jerônimo. Sempre quis trabalhar com o Jesuíta. Resumindo: estou muito bem de parceiros e feliz.

Você é um ator de uma entrega sem igual. Você esperava que o Galdino fosse fazer todo esse sucesso?

Primeiro, obrigado. A palavra sucesso não é uma que costumo usar. Eu sempre entro nos trabalhos com muita garra e positividade para que antes de qualquer coisa dê certo. Que eu sinta prazer em fazer. Que o ambiente de trabalho seja leve, calmo ( isso é muito importante para nós atores). Que o jogo cênico do meu núcleo aconteça. Talvez a junção de tudo isso faça com que o trabalho aconteça e seja um sucesso. Mas aí eu te pergunto: ‘Hoje em dia o que é o sucesso?’ (risos).

O Galdino deixará o Jerônimo na ‘miséria’. Será que baterá um certo remorso no Galdino, já que ele se diz amigo do pilantra, ou ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão?

Galdino é um malandro romântico e realmente ele gosta da companhia do Jerônimo e da Vanessa. Sente falta, saudade. Acho que ele não vai conseguir ficar longe do trio.

Nos próximos capítulos de Verão 90, Galdino retornará a trama, vestido de mulher. Já que ele perdeu tudo o que roubou de Jerônimo… Como foi a caracterização?  Foi a primeira vez que você se vestiu de mulher?

Foi a primeira vez e foi sensacional. A maquiagem da Carol Alves foi essencial para entender essa personagem. Quem assina o visagismo da nossa novela é a Lu Moraes. Realmente fiquei chocado com a transformação.

Qual foi a maior dificuldade?

Antes de gravar as primeiras cenas da ‘Adelaide’ parecia que novela tinha começado de novo. Foi tudo muito rápido. Uma adrenalina tremenda. Pensar que o Dustin Hoffman para fazer ‘Tootsie’ demorou anos… Vida de novela (risos). Essa velocidade de novela me assusta e por isso tenho que estar muito concentrado pois é a nossa cara que vai para o ar. No caso da Adelaide mais uma vez estou muito bem acompanhado de parceiros. Marcos Veras, Fabiana Karla e Alexandre Davi, está sendo incrível.

Você já tem uma carreira consolidada. O que o faz permanecer sempre humilde…

Acho que estar conectado comigo mesmo. Ter consciência de espaço e escuta. Respeitar e tentar sempre entender as pessoas, por mas difícil que seja. Escutar o mundo em que vivemos.  Faço terapia e isso também me ajuda muito. E principalmente nunca acreditar na fama e no sucesso. Eu sou um apaixonado pelo ofício de atuar e não pelo glamour da profissão. Quero estar atuando seja na tv, séries, cinema ou teatro.

Qual foi a lição mais valiosa que você aprendeu em sua carreira?

Escutar o diretor, os colegas, as pessoas ao meu redor, o mundo em que vivemos. Escutar.

Gabriel, as pessoas associam a sua imagem ao humor. Você tem vontade de fazer um drama na TV? Já que você é um ator completo …

Com certeza, tenho muita vontade e vou fazer ainda muitos personagens dramáticos. A TV aberta as vezes rotula muito, mas faz parte. Vai do ator também buscar novos desafios.

O que tira você do sério?

A incapacidade das pessoas de se ouvirem, de se respeitarem, de se aceitarem independente das suas crenças  religiosas, políticas ou por simplesmente serem diferentes. E claro, minha rinite. (brincadeira com um tom de verdade).

Qual o balanço que você faz de sua carreira até aqui. Já que eu (repórter) percebo que você continua com o mesmo olhar do seu início de carreira …

Muito feliz que você me entrevistou no Festival do Rio de 2011. Que legal e obrigado pelas palavras.  ‘Os 3’ foi o meu primeiro trabalho no cinema. Sou muito grato por tudo que aconteceu e tem acontecido da minha vida. Parece que o tempo é um grande parceiro meu. Pois tudo está acontecendo na hora certa. Entrei na TV aberta com 30 anos depois de ter me formado, passado pela Oficina de Atores Nilton Travesso e a Escola de Arte Dramática da USP. Iniciei minha carreira no teatro, depois muita publicidade, cinema e series em canais fechados. Acho que a bagagem, as experiências, as ferramentas que vamos carregando e ganhando são fundamentais para um artista. Eu estou sempre em movimento. Sou inquieto e por isso corro atrás. Parado nunca.

O que podemos esperar das novas aventuras de Galdino?

Acho que nem eu sei o que esperar do Galdino. As autoras  (Paula Izabel de Oliveira e Paula Amaral) estão me surpreendendo muito e eu estou adorando os desafios. Sei que vem mais por ai.

Qual é o seu maior sonho?

Que eu consiga sobreviver sempre da minha profissão. Que todos os artistas no Brasil consigam sobreviver dignamente da nossa profissão.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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