Adriano Melo, diretor de Malhação: Toda Forma de Amar
Adriano Melo, diretor de Malhação: Toda Forma de Amar (Divulgação/ TV Globo)

Adriano Melo é o diretor artístico da nova temporada de Malhação. Sua paixão pela TV começou ainda na infância, e sua relação com o programa é especial. Quando criança e adolescente, fez figuração em diversas novelas, o que despertou seu interesse pelo universo audiovisual. Trabalhou como figurante e fiscal de figurante até 1996.

A partir de 1997, participou como ator em Malhação, Hilda Furacão, Caça Talentos, Zorra, entre outras produções. Foi assistente de direção do Linha Direta, Malhação, e nas novelas América e Páginas da Vida.

Como diretor, integrou a equipe de TV Xuxa, Casos e Acasos, A Vida da Gente, Salve Jorge, Malhação (2010). Além de  Saramandaia, Sete Vidas e Malhação – Seu lugar no Mundo. Como diretor-geral, também fez Malhação: Pro Dia Nascer Feliz, Tempo de Amar, O Tempo Não Para. Malhação: Toda Forma de Amar é a primeira obra que assina como diretor artístico. Confira o bate papo com o diretor:

Malhação

Você já dirigiu algumas temporadas de Malhação. O que te move e desafia mais nesse trabalho?

Falar de amor é o meu grande combustível nesse trabalho. Minha direção é toda pensada no que o amor representa. A intenção é muito mais trazer esse sentimento em pequenas coisas do que investir na carga dramática das cenas. Mostrar uma mãe alimentando uma criança é uma forma de amar, encontrar um amigo, o prazer de pisar pela primeira vez numa praia, o amor dos pais pelos seus filhos, o amor ao próximo, o amor que cada um tem pelo seu espaço, pelo seu ambiente. Para imprimir esse conceito, estamos buscando uma sutileza nas interpretações e escalamos um elenco que se mostrou preparado para viver esse amor. A verdade precisa estar nos olhos e nas palavras dos personagens muito mais do que qualquer outra coisa. O objetivo é que a nossa história toque as pessoas e faça com que elas proponham dentro de casa uma discussão saudável sobre o que é e o que vive o jovem hoje. Queremos chegar dentro do que cada um pensa e sente no coração.

Locações

Conte um pouco sobre os ambientes e locações dessa temporada.

Estamos trazendo o universo Rio de Janeiro pela ótica de Ipanema, bairro nobre da zona sul da cidade, e de Duque de Caxias, o município mais populoso da Baixada Fluminense. Vamos imprimir nas cenas as realidades que existem em cada lugar e as peculiaridades de cada cidadão que vive ali. Caxias é um lugar muito bacana, com muita gente interessante. Tem uma confusão organizada, é um ambiente vivo, pulsante, bem brasileiro. Para mostrar as características desses dois lugares tão diferentes temos a maior cidade cenográfica já construída para Malhação, com mais de 8 mil metros quadrados. Nessa temporada, retratamos o universo da escola, mas também o de jovens que já estão na faculdade, e sua relação com a família e com as comunidades em que vivem. Mas é importante ressaltar que muito mais do que os lugares, é uma temporada que vai falar de pessoas. Buscamos que as histórias pertençam a cada personagem, independentemente de onde ele esteja.

Evolução da novela

Depois de tanto tempo trabalhando em Malhação, como vê a evolução da franquia, que ano que vem completa 25 anos? E qual foi a maior lição que tirou até agora?

Acho que temos uma Malhação mais madura, do ponto de vista dos temas que as tramas abordam, sem deixar de ser alegre. É como se a juventude tivesse amadurecido junto ao longo desses anos todos. Nessa temporada, decidimos contar a história mais fora da escola. Além de tratar dos romances e das relações entre os jovens, os mostramos inseridos nas comunidades em que vivem. A maior lição sem dúvida foi aprender a ouvir e tentar entender o que está acontecendo na atualidade, na cabeça dos jovens. O compromisso de escutar esses jovens, para um diretor, é muito gratificante, e, nesta temporada, tenho contado com o imenso apoio do nosso diretor artístico Carlos Araujo, que é um grande mestre. Fazer Malhação traz uma energia que nos alegra no dia a dia de trabalho e ajuda a tomar as decisões da forma mais coerente.

Você e o Emanuel Jacobina já trabalharam bastante juntos. Como é essa relação?

O Jacobina é um grande parceiro de trabalho. Discutimos não apenas o que estamos pensando para conduzir a história como também questões de produção. A gente se entende muito bem, e os pensamentos coincidem. Às vezes, muito mais do que a cena que está escrita, entendemos como vamos fazer, ele sabe como eu costumo levar as situações para o set. É muito prazeroso trabalhar com ele.

Elenco

A busca pelo elenco dessa temporada foi mais ampla, não se restringiu às escolas de teatro e envolveu cerca de 500 jovens. Como foi esse processo?

Buscamos mostrar nessa temporada um retrato muito real do jovem na sociedade. Com esse objetivo em mente, procuramos talentos em lugares fora das escolas de teatro. Num teste profissional, a pessoa recebe o texto, decora as falas e faz a cena para você. Mas a gente não queria perder talentos porque é a primeira vez deles, e o nervosismo é maior e pode comprometer a performance. Buscamos jovens em grupos de teatro, mas também em locais da periferia, fora do estado. Fizemos um teste de improviso de três minutos com mais de 500 candidatos.

Depois dessa primeira etapa, propusemos oficinas. Trouxemos a Cristina Moura, excelente preparadora de elenco, separamos um grupo de cerca de 120 pessoas e fizemos oficinas de uma semana para cada grupo de 20, 25 pessoas. Preparamos essas pessoas para o teste final. Nessa preparação, teve aula de corpo, de voz, de interpretação. Adequamos quem tinha a energia de cada personagem para que pudéssemos entender como é a alma dessa pessoa.

Ao final dessas oficinas selecionamos um grupo de 36, e aí sim fizemos teste de texto para selecionar os 19 jovens da temporada. Quem dera eu tivesse mais personagens, porque apareceu muita gente bacana e vários já estão sendo aproveitados em outros projetos. Alguns estão selecionados para participações que vão suprir todas as necessidades ao longo da temporada. O grande barato de toda essa preparação é que eles formaram uma trupe, uma companhia, então se entendem, se olham. Foi um processo muito rico que pretendo replicar em novas produções.

Geração

O que você vê de diferente nessa geração?

Quando comecei a fazer Malhação em 2005, acho que o sonho de cada jovem era ter seu carro com 18 anos, conquistar um emprego e sair de casa. Hoje em dia, percebo que esse conceito esticou. Ser jovem hoje é poder vivenciar plenamente as experiências sem carregar o peso de todas as decisões, com o apoio de alguém que olha para você, pode ser o pai, a mãe, outro parente ou um amigo. Você pode errar, acertar, sem tantas cobranças. Muito mais do que conquistas sociais e materiais, o jovem quer viver.

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