Giovanna Lancellotti
Giovanna Lancellotti (Divulgação/ TV Globo)

Giovanna Lancellotti é Rochelle em Segundo Sol. A atriz que está sendo amada e odiada na mesma medida nas redes sociais devido à personagem, conversou com o Observatório da Televisão durante um evento realizado nos Estúdios Globo e falou sobre o caráter de sua vilã do horário nobre.

Segundo ela, a trama de João Emanuel Carneiro é a novela com o cronograma de gravações mais organizado que já atuou, com uma grande frente de capítulos. Giovanna acredita que Rochelle, é má como uma defesa para que seus defeitos não sejam apontados. Ela ainda falou sobre o sotaque da personagem, algo diferente de sua realidade. Confira o bate-papo completo:

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Repercussão da personagem

Como está sendo a repercussão da Rochelle?

“Estou muito feliz com a Rochelle. A repercussão tem sido muito positiva. Positiva na medida do possível (risos). É uma repercussão negativa que no fundo é positiva. É uma personagem muito rica, cheia de conflitos internos. Eu acho que a gente ainda vai entender os motivos dela, que até agora ainda não ficaram muito aparentes. Não sabemos o motivo dessa maldade dela. Acho que a gente ainda vai se aprofundar nessa humanidade da Rochelle. Mas creio que ela não vai parar de aprontar tão cedo.”

E para você como atriz, como está sendo interpretar a Rochelle?

“Está sendo uma delícia! Estou amando, apaixonada pela Rochelle. Me divirto muito com ela. É uma personagem que você pode se libertar e falar os maiores absurdos como se fosse uma coisa muito tranquila. A Rochelle não tem sensibilidade nenhuma, nem papas na língua, não tem filtro, e com isso a gente se diverte. Não só eu, mas os colegas de núcleo também. É uma personagem muito diferente de tudo que eu já fiz. No início fiquei meio assustada, mas depois da estreia acho que a gente vai se soltando mais e vemos que as pessoas estão gostando.”

E as pessoas vêm falar contigo sobre ela?

“No Twitter todos os dias as pessoas falam comigo. Costumo assistir à novela, acompanhando por lá, então fico vendo os comentários a respeito da personagem. A Rochelle é recorde de memes e eu amo. A minha sorte é que eu já tinha feito personagens boazinhas antes, então as pessoas conseguem diferenciar e saber que é só uma personagem.”

Cenas quentes

E quanto à relação dela com o Narciso? Não é que ela aceitou mesmo esse cara mesmo ele sendo pobre?

“Ninguém esperava aquela reação dela, nem eu. Fui lendo a cena, e no final achei que ela ficaria brava por ele ser pobre, que daria um esporro nele, porque afinal, ela é toda ligada a dinheiro, e ela não fez nada. No fundo, acredito que a Rochelle tem uma relação muito forte com o sexo, e não faz a maldade só por grana. Como o Narciso conseguiu enganá-la por um tempo, ela enxerga ele como um parceiro em potencial. Não para ser um grande amor, mas um grande parceiro mesmo.”

Suas cenas estão muito bonitas visualmente. Como você está se cuidando?

“Malhando, e fechando a boca. Quando a gente faz novela, a gente acaba emagrecendo mesmo, devido ao ritmo de gravações ser muito intenso.”

Quando você assiste às suas cenas quentes, o que você pensa?

“Nesta novela está tudo tão bonito. As mulheres não estão seminuas, estão sempre bonitas, com lingerie. E as cenas são todas em detalhes, com mãos nas costas, cenas mais fechadas, e não uma coisa mega explícita. Por mais que tenha bastante cenas de sexo, acho importante desmistificar o sexo, que ali não é só carnal. Teve uma cena linda da primeira noite de amor entre o Valentim (Danilo Mesquita) e a Rosa (Letícia Colin), que foi completamente diferente de tudo.”

Giovanna Lancellotti elege cenas marcantes de Rochelle

A internet se tornou terra de ninguém. Você já sofreu com haters?

“Vez ou outra a gente recebe um comentário escroto de gente nada a ver. Mas recebo também tantos comentários positivos que tenho duas opções. Gastar minha energia vendo os legais e ficando feliz, ou ver os ruins e ficar encucada. Então eu prefiro focar nos bons. Se for uma ofensa muito gritante, eu bloqueio a pessoa e pronto.”

Escolheria uma cena até agora dentre as que você já fez?

“Várias. Estamos com uma frente de capítulos bem grande. Gravamos coisas há um mês que ainda não foram ao ar. É a primeira vez que me acontece isso. Nunca tinha gravado uma novela com tanta organização. Das cenas que foram ao ar, gosto muito da cena do tapa na cara do Caco (Ciocler), o primeiro embate com o Severo (Odilon Wagner). A Rochelle nunca passa em branco nas cenas, sempre faz um comentário ácido que seja.”

Tem quem admire a Rochelle?

“Claro. Eu recebo muitos comentários perguntando ‘É pecado eu amar a Rochelle’? Direto recebo e penso, que bom.”

Falta de afeto da personagem

Você acha que ela passa uma ideia de menos hipocrisia por falar tudo o que pensa?

“Sim, mas não que eu achei isso certo. A acho muito verdadeira e autêntica. Um ponto positivo da Rochelle é que ela é muito determinada, focada naquela coisa do blog dela, e tem uma auto-estima lá em cima. Ela se acha linda, poderosa, melhor pessoa do mundo.”

Não falta um pouco de afeto para ela?

“Isso ainda é complicado para mim. Temos aí grandes vilões até mesmo na novela, mas todos têm um lado de amor. A Laureta (Adriana Esteves) gosta do Ícaro (Chay Suede), a Karola (Deborah Secco) gosta do Valentim, e também gosta do Beto (Emilio Dantas), mas a Rochelle até agora não parece gostar de ninguém. No fundo acho que ela gosta de todos, até da Manuela (Luisa Arraes), e que age dessa forma como uma defesa. Prefere apontar o defeito do outro, antes de ser apontada, assim ela tira a atenção de cima dela. Acredito que tem gente que nasce com o caráter duvidoso, mas não acho que seja irreversível . É importante os pais ficarem atentos a pequenos indícios, como por exemplo na escola, se pega alguma coisa do amiguinho, para já ir corrigindo.

No caso da Rochelle, acho que ela não teve essa atenção. Por mais que os pais a apoiassem financeiramente, não houve afeto. E como a Manuela era adotada, e teve a questão da mãe que foi presa, separada do irmão, tornando-a uma menina mais frágil, a atenção acabou indo mais para ela, buscando motivos, imagino isso. Creio que daí surge um ciúme por achar que a família gosta mais da Manuela, quando na verdade todos estavam tentando tapar um buraco naquela menina que chegou numa família que não era a dela.”

Sotaque baiano

Então você atribui esse caráter dela à má criação?

“Eu não acho que seja má criação, mas uma educação liberal demais, onde ela não soube dar valor às coisas materiais. Provavelmente a Rochelle sempre teve o dinheiro dela na conta e nunca precisou correr atrás de nada.”

E o sotaque?

“O sotaque é uma luta diária. A Rochelle como é bem patricinha, não tem tanto sotaque, mas estou pegando a musicalidade das falas, sem muitas gírias. Coloco uma ou outra. Temos várias pessoas da Bahia na equipe que estão nos dando suporte. Eu fiz Gabriela, que era da Bahia e tinha na cabeça um mínimo registro de como era o sotaque. Escutar os outros atores falando também me ajuda muito.”

A Rochelle vai acabar se relacionando com o Acácio. Como se dá isso? É uma troca de casais?

“A Manu tem uma coisa da dependência com o Narciso, porque é ele quem oferece a droga para ela. Já a Rochelle sempre quis dar em cima do Acácio só para provocar a Manu. Quando a Manuela dá essa brecha de beijar o Narciso, ela vê a oportunidade. Mas essa troca não vai durar muito tempo. Eu adoraria porque o Acácio desperta algo diferente nela, uma curiosidade. Ela é preconceituosa, racista e ele a quebra nisso e se vê perdida nos próprios conceitos. Ele pode trazer mais humanidade para ela.”

Cenas futuras

Você falou sobre preconceito. Lá pelo capítulo 100, a Rochelle vai ficar sabendo que a avó dela é uma negra. Você está preparada para essas cenas?

“Não. Nem penso nessas cenas. A gente recebe os capítulos toda semana, então não adianta eu ficar pensando lá na frente. É como uma vida normal, a Rochelle não sabe o que vai acontecer na vida dela lá na frente.”

Você acha que isso pode colocá-la no eixo?

“Eu acho que isso pode ser um tapa bem dado na cara dela. Por todos os princípios dela, tudo o que ela falou, tudo o que ela achava, de ser tudo uma mentira, e ela reformular tudo o que pensa. Ressignificar tudo o que acreditava, sobretudo em relação à Zefa (Claudia Di Moura), personagem que ela humilha e implica, e pode ser uma grande virada.”

É pesado para você voltar para casa depois de gravar as cenas da personagem?

“Não. A gente se diverte muito em cena. Estou num núcleo maravilhoso, e qualquer ‘corta’ que tem, eu já saio da personagem. Inclusive, o sotaque é algo que me ajuda muito para não sair. Parece que eu já entro num outro universo. Cortou, acabou. Já aconteceu, não nessa novela de eu ter uma cena de violência muito forte e chegar em casa com dor nas costas e tensa.”

Próximos capítulos

Na hora de estudar, você já estuda com sotaque?

“Sim, já leio com sotaque. Sou uma atriz muito reativa, e acabo reagindo durante a cena, porque tem a emoção que o ator me traz na hora.”

Sobre a chantagem dela com o Severo, você acha que ela pode roubar a família daqui um tempo?

“Rochelle se acha muito esperta, mas não é. Ela é nova, está no início da fase adulta, mas o Severo é muito mais esperto que ela. Ela puxou bem o lado do avô, mas ele tem 70 anos e ela 20. Ela acha que está no poder, mas não está.”

Como fica sua família vendo essa personagem?

“Eles amam! Dão risada e me mandam mensagem. Eu tenho um grupo de whatsapp com minha família, então quando a novela está no ar eles vão comentando, e amam.”

Ninguém torce por um castigo nela?

“Eles amam, e querem que ela se dê bem no final.”

Na sua playlist tem Axé Pelô?

“Tem (risos). A gente sempre coloca nas festinhas da novela. Não é uma coisa que eu fico ouvindo no carro, mas eu ouço.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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