Yara Charry como Jade em Malhação
Yara Charry como Jade em Malhação - Vidas Brasileiras (Divulgação/TV Globo).

Em seu segundo trabalho na TV, a atriz e modelo Yara Charry que é francesa, natural de Paris, iniciou sua carreira na TV Globo, dando vida a Sophie em Velho Chico, agora vive a personagem Jade em Malhação – Vidas Brasileiras, uma garota má, mas que é considerada um dos maiores e mais importantes papéis da trama. Em entrevista, Yara comentou sobre sua carreira e se pretende voltar para a França. Confira:

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Como é a Jade para você?

A Jade para mim é nojentinha mesmo, ela é muito crua como pessoa, ela não tem filtro, então se ela quer falar alguma coisa, ela vai falar, goste a pessoa ou não, para mim ela é isso.

Você tem alguma coisa a ver com a Jade?

Olha, eu odeio mentir e se a pessoa me perguntar alguma coisa eu vou falar a verdade, mas eu vou saber falar de um jeito para que a pessoa não fique chateada ou para que ela entenda o que eu quero falar, a diferença é essa.

A Jade ela é direta e quer o Tito, não é?

Sim, ela quer o Tito. Ela quer ele, ele é tudo e o foco dela é o Tito e agora descobriu que o Erico está tramando, tudo mais e agora ela está com esses dois focos.

O Tito está meio dividido, porque ele gosta de outra menina também. Você acha que isso vai dar certo?

Isso realmente vai ser uma surpresa, tanto para o público, quanto para mim. Até então, a Jade quer o Tito de todas as formas possíveis e o que vai vir mais para frente, vocês vão ver.

Essa coisa da música é bem forte nessa temporada de Malhação, não é?

Sim! Eu fiquei muito feliz quando eu soube que a Jade iria cantar, porque eu Yara sou apaixonada por música, sempre cantei, eu gosto muito, acho lindo, enfim… Quando eu soube que eu iria cantar e atuar, juntou as duas coisas que eu mais gosto de fazer no mundo. Ela gosta muito de cantar, o foco dela é cantar, ela quer ser uma grande cantora, então esse negócio da banda, ela sempre quer e ela canta com o Tito, que é uma coisa que também aproxima eles dois.

A gente percebeu em toda a trajetória da Jade, que o único ponto fraco dela era o Tito, mas agora ela vai perceber que fez muito mal para o Érico, né? Você acha que a partir daí ela vai se arrepender de tudo o que fez?

Eu acho que assim, a Jade é humana, mesmo ela tendo isso de falar as coisas crua, de não ter filtro, ela é uma pessoa, todo mundo é sensível de qualquer jeito e mesmo a pessoa que faz maldades para os outros, tem um lado sensível. Eu acho que quando ela percebeu tudo o que ela fez e que o Michael brigando com ela, ela estará perdendo o único amigo que ela tem, acho que isso é uma surpresa para ela e talvez nunca tenha chegado na cabeça dela que um dia ela poderia perder ele, aí quando acontece é uma coisa que dá um impacto nela.

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A gente vê que a Jade comete bullying com Deus e o mundo na escola. Na sua época de escola, você sofreu com isso ou fez algo do tipo?

Não, eu não fiz bullying com ninguém graças a Deus. Eu tinha uma amiga que sofreu muito bullying e eu defendi muito ela de todas as maneiras. Essa palavra bullying é muito forte, eu morava na França e onde eu estudava não tinha muitas morenas, mas não era tipo um bullying, era tipo: “Pô, você é diferente da gente e tal, que legal”, não era um bullying pesado como a Jade faz.

E como está para a sua família vendo você agora como uma das protagonistas de malhação, eles estão lá ainda ou moram aqui?

Não, minha família sempre morou lá, nunca vieram para cá, mesmo depois de Velho Chico. Eu fui para lá várias vezes para visitas aos meus amigos e à minha família, de férias e também eles vieram no natal e carnaval, minha mãe chegou há alguns dias, mas daqui uma semana vai embora. Mas eles estão assistindo, minha mãe ama Malhação, isso é muito legal porque eu nunca pensei que ela iria gostar, ainda mais porque ela sempre gostou só de série, aquelas coisas dramáticas, meu pai também está assistindo e gostando, por incrível que pareça, porque ele não conhecia novela, ele é Francês e eu antes de morar aqui também não conhecia.

Você não pensa mais em voltar, vai ficar por aqui mesmo?

Pelo trabalho, tudo que eu faço aqui, eu não penso em voltar. Minha profissão agora é aqui, eu sempre gosto de ir a passeio. Eu nasci lá e estou há dois anos morando aqui, nunca tinha morado no Brasil e tudo mais. Até então voltar para lá para morar, se tiver alguma coisa de trabalho, é óbvio que eu volto, porque eu amo Paris, eu amo viver lá, eu amo minha cidade natal.

Aquele sotaque de Velho Chico, era um pouco seu mesmo? Porque agora você está sem sotaque.

Era meu mesmo, porque quando eu cheguei foi muito de repente, então não teve tempo de criar um sotaque ou tirar o meu, mas também a personagem era francesa, então tudo bem, era isso. Quando acabou Velho Chico e eu decidi me mudar para cá, eu fiz muita fono, umas cinco vezes por semana e ainda hoje eu tenho algumas dificuldades, faço aulas de português e tudo mais e continuo estudando.

Na profissão de atriz foi o Brasil que te abriu as portas, lá você trabalhava como modelo?

Não, eu trabalhava no marketing da moda, na verdade. Eu modelava só por hobbie mesmo, mas não era o foco da minha vida. O Brasil me abriu as portas para ser atriz, porque lá eu nunca pensava em ser atriz na vida.

Mas como surgiu esse intercâmbio, para você vir para cá trabalhar?

Então, me chamaram para fazer teste para Velho Chico, eles me ligaram de lá para saber se eu poderia vir e se eu poderia fazer o teste. Eu vim, fiz o teste e passei, mas eu não era atriz.

Você tinha mandado algum material? Como eles chegaram até você?

Eu era amiga, de uma amiga, da amiga da minha mãe (risos), então foi muito louco. Eles estavam procurando uma francesa, que falasse português, mas que também era de Paris, então uma amiga que eu nem conhecia na época, trabalhava aqui e soltou que conhecia uma amiga que tinha uma filha que era francesa e acabou que eu vim para cá.

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Em relação à representatividade, como você se sente pelas pessoas se verem em você?

Falando nisso, esses dias eu recebi uma mensagem de uma menina que falou que estava feliz, porque mesmo não gostando muito da Jade, ela tem um cabelo cacheado, ela não tinha problemas de se assumir e ser diferente de todo mundo e tal. Eu fico muito feliz por isso, porque eu acho que os adolescentes olham a TV, eu também olho séries e filmes e eu fico muito interessada com os atores ou com uma atriz, eu acho que os adolescentes aqui olham a Malhação e se imaginam ali também.

O que você sente falta de Paris?

Além do meu irmão, da minha mãe e do meu pai, porque eles vêm aqui, mas quando eu estou sozinha eu sinto muita falta deles, meus amigos, a minha rotina de lá. Eu saía com as minhas amigas e tomava um café, meu café preferido, meu restaurante preferido, as coisas bobas que a gente fazia de rotina.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano