Rosinete (Debora Bloch) em Onde Nascem os Fortes
Rosinete (Debora Bloch) em Onde Nascem os Fortes (Divulgação/ TV Globo)

No ar em Onde Nascem os Fortes, supersérie da Globo, Debora Bloch, interpreta a personagem Rosinete, mãe de dois filhos, católica fervorosa e casada com Pedro Gouveia (Alexandre Nero). Entrevistada pelo Observatório da Televisão durante um evento que aconteceu nos Estúdios Globo no Rio de Janeiro, Debora contou que mudanças interessantes devem acontecer com Rosinete nos próximos capítulos e que está muito feliz com os resultados e a repercussão da produção dirigida por José Luiz Villamarin. Confira o bate-papo completo:

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Como é para você a repercussão da supersérie?

“Eu acho que a série está muito bonita e bem dirigida. A direção do José Luiz Villamarin é muito interessante e diferente do que estamos acostumados a ver a na tevê, estou gostando e fico feliz que as pessoas também estejam gostando.”

Costumam te parar na rua para perguntar algo sobre a série?

“Sim, muito. As pessoas falam bastante sobre a série e é engraçado que elas sempre comentam sobre a poeira, porque a poeira está muito em cena e é uma coisa presente lá, além disso na hora que a gente ia gravar, tinha um contrarregra que ficava jogando mais poeira na frente da lente, para a poeira realmente aparecer porque é um elemento bem presente no sertão.”

Agora falando sobre a Rosinete, porque é legal ela estar correndo atrás do prejuízo dela do casamento.

“Exatamente, vai ter muita surpresa sobre Rosinete ainda, porque ela está querendo sair desse lugar, de mulher conformada com aquele casamento já meio falido, e com aquele lugar de esposa traída, que aceita essa condição de uma relação bem machista. Acho que vão aparecer umas surpresas muito interessantes, uma virada legal para Rosinete.”

A gente viu que ela teve um envolvimento com o Ramiro no passado…

“Sim, eles são primos e namoraram quando garotos, então eles têm uma relação meio Rodriguiana. Os personagens do Nelson Rodrigues, como primos que namoram, tem uma intimidade que a Rosinete tem como Ramiro.”

O envolvimento dela com o Ramiro foi só uma vingança?

“Ela acha que foi uma vingança dela contra o Pedro. E aí vamos ver se terão mais.”

A Rosinete se define como católica, e chega a ser fervorosa. Como fica a questão da religião que não vê a infidelidade com bons olhos?

“Não, ela continua crente, com fé e religiosa, mas uma coisa eu acho interessante na personagem é que a liberdade que ela busca, e a realização dela como mulher não é algo conflitante com a religião. O mais legal da religião é a fé, não os dogmas ou o pecado e a culpa. A personagem é paradoxal, tem uma coisa conservadora, tradicional mas ao mesmo tempo é uma mulher contemporânea, querendo se realizar, ter outras experiências e recuperar o prazer com o marido.”

Muita gente no Twitter acredita que sua personagem é a grande vilã que armou o assassinato do Nonato para culpar o marido. Na sua opinião, ela poderia ser a assassina?

“Existem várias teorias conspiratórias. Eu acho que pode ser todo mundo ali, vários personagens são suspeitos”

Teve uma cena em que a Rosinete acabou transando com o Pedro sem vontade. E pela sua interpretação percebemos que ela não queria, mas aceitou. Como você enxerga a questão da mulher que mesmo sendo independente, ainda se rende a isso?

“Eu não dou força a isso não. Acho que você tem que seguir o seu desejo, a sua vontade. Não acho interessante a condição de fazer para agradar o outro. Sexo é com os dois, não vejo muito sentido em você transar sem vontade.”

E a transa da Rosinete com o Ramiro, o que isso vai mudar nela? Vai fazer ela se sentir mais forte, mais mulher? O que isso vai mudar dentro dela?

“É, eu acho que a mudança já é ela sair desse lugar de mulher que fica em casa sofrendo porque o marido não aparece, ir atrás também do desejo dela, de viver a vida dela. Eu acho que a mudança é na verdade, o primeiro passo.”

Como você se identifica com essa mulher tão maternal? Porque a gente vê que você é uma leoa com seus filhos e tudo mais…

“Essa é a parte mais fácil da personagem para mim, esse lado da mãe que ama e que cuida incondicionalmente dos filhos. Acho que toda mãe entende bem esse sentimento e a Rosinete fica tentando salvar não só o casamento, mas também a família. Dentro dessa cabeça conservadora de que ela vai sempre se sacrificar pela família, uma hora ela vai descobrir que ela pode ter tudo: a família, os filhos e viver a vida dela, ser feliz e não ficar ali em nome de um casamento que não existe mais.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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