Nanda Costa
Nanda Costa (Divulgação/ TV Globo)

Nanda Costa terminou em janeiro as gravações da novela Pega Pega, em que interpretava a personagem Sandra Helena, e pouco tempo depois já estava se preparando para dar vida a Maura, sua nova personagem na novela Segundo Sol, escrita por João Emanuel Carneiro, com direção de Dennis Carvalho, que estreia no dia 14 de maio às 21h.

Durante a coletiva de lançamento do folhetim nos Estúdios Globo, a atriz conversou com nossa reportagem e falou sobre a responsabilidade de interpretar uma policial, assim como seu preparo físico para vivê-la. Nanda, que está com os cabelos curtíssimos, afirmou ainda que sua vaidade é sempre coerente com as personagens que interpreta, e não teria medo de raspar todo o cabelo se fosse necessário. Confira o bate papo completo:

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E a Maura, é muito diferente de todos os personagens que você já fez?

“A Maura é. E o que é muito legal nas novelas do João é porque é um elenco que é pequeno, isso torna a trama interessante, porque ajuda você conhecer melhor os personagens e são tão humanos, tão cheios de nuances, não é só o que está sendo dito, não é só o que está ali, tem tanta coisa por trás, é tão rico. E é uma novela de atores e personagens, é muito interessante. Eu comecei a gravar ontem, eu tinha gravado uma cena antes, mas ontem foi o meu primeiro dia de estúdio na delegacia e hoje o núcleo familiar. Isso foi muito interessante, porque a família é muito diferente um do outro e você vê isso nitidamente, é muito bem escrita e desenhada, dá muito prazer de fazer.”

E fazer uma policial, você se sente mais poderosa quando coloca a roupa?

“Ela é muito focada, ela é muito determinada, ela quer muito aquilo e estudou muito para aquilo, então, não é nem o que eu sinto, é como eu imagino que ela está se sentindo, de uma certa forma. Porque imagina você estudar muito, querer muito uma coisa e aí você consegue, coloca essa roupa de seja lá que profissão você tem.”

É tipo você fazendo uma novela, né?

“Tipo, eu vou lá na coletiva, que legal, queria estar nessa novela. Então tem essa felicidade, esse orgulho de estar num lugar em que ela estudou tanto para estar e que o pai cobra, porque o pai pagou o estudo para uma filha e para a outra não.”

E ela se sente mal com isso da irmã também, né?

“É, ela fica um pouco nessa cobrança, nessa responsabilidade de ter que ajudar e dar orgulho, de fazer o que ela se propôs. Ela tem uma carga ali, mas ela é muito f…”

É legal mostrar que não existe isso de profissão de homem e de mulher, né?

“E cada vez menos, eu acho que ela é uma pessoa que vai se dar bem ali, sabe? Ela é integra, ela é uma excelente profissional. Ela fala que não tem muita experiência por estar começando, mas que tem certeza que com disposição e boa vontade vai aprender rapidinho.”

Você falou em treino, você tem algum cuidado especifico com alimentação para aguentar o tranco?

“Total! Tem que ter, porque se não, não dá conta, é uma maratona gravar e acordar cedo. Às vezes eu acordo cedinho e vou correr na areia na praia, depois vou para o treino e aí venho gravar, gravo até a noite e aí volto.”

O que você faz de ‘sustância’ para aguentar esse tranco?

“Eu não como carne vermelha, há quase três anos. Às vezes eu como, eu falo que a pessoa jurídica come, então se tem uma cena que a Maura está comendo carne, eu vou comer. Mas eu tenho um nutrólogo, de vez em quando, eu como fritura, ninguém é de ferro, né? Eu evito, mas gosto, quem não gosta?”

E você toma algum fortificante tipo vitamina?

“Não, não tomo nada. Vitamina C às vezes, chá verde, água de coco, suco verde, essas coisas e bastante proteína, batata doce… Cuido da minha alimentação para eu conseguir cumprir o meu dever.”

E a preparação para dar vida a uma policial, como que foi, como está sendo?

“Olha, eu passei um mês na Bahia, foi igual eu falei, eu saí de ‘Pega Pega’ na sexta, no sábado, eu cortei o cabelo, na segunda que era o último capítulo, eu já estava na preparação, então, eu assisti o último capítulo já caracterizada de Maura. Foi bem rápido e foi maravilhoso, porque com pouco tempo para entrar na personagem, ela tinha que ser muito diferente, eu iria ter que me reinventar para fazer uma coisa que fosse parecida, mas não fosse tanto. Eu me joguei de cabeça, eu gosto de mudar, gosto de me preparar, entendi que ela era policial, então, eu já fui buscar um outro corpo, para o reflexo, para a defesa pessoal, que é o treino de Muay Thai com o Daniel Ortéga, acho que está me preparando, que traz uma postura diferente para a cena. Passei um mês na Bahia, porque enquanto estavam gravando a primeira fase, eu tive aí um mês e pouquinho, então, eu fui para a Bahia, fiquei lá um mês, o elenco nem estava lá ainda, estavam gravando aqui e eu fiquei lá correndo atrás para pegar sotaque, para conhecer e aí também consegui dar uma passadinha em Portugal, que eu nunca tinha ido, estava passando ‘Pega Pega’ lá e foi muito legal, porque a Sandra Helena estava sendo presa.”

Mas você se surpreendeu com alguma coisa dessa preparação na polícia?

“Olha, eu conheci alguns policiais lá e uma policial também em Salvador e me surpreendi porque a gente tem uma visão de que polícia é assim, mas não, tem de todos os tipos.”

Queria saber do visual também, porque você cortou o cabelo bastante. Como é que foi para você?

“Não, a minha vaidade está sempre em ser coerente com os meus personagens, sabe? Então, ‘vai ter que raspar’, vamos embora! Acho que isso inclusive ajuda a reinventar, eu estou amando, demorava duas horas para ficar pronta em ‘Pega Pega’, porque era escova, maquiagem, isso e aquilo, roupa e aqui em cinco minutos de relógio eu estou pronta.”

Falando em ‘Pega Pega’, na época de ‘Salve Jorge’, você foi muito criticada e aí em ‘Pega Pega’, você roubou a cena, foi super elogiada. Você acha que foi tipo um ‘cala boca’ para quem falou de você?

“Eu acho que tem muitas coisas, porque não era uma crítica diretamente, sabe? Eu não fico olhando isso, porque se não a gente surta e não consegue desenvolver, eu não fico preocupada com isso, eu fico ocupada em fazer o que eu tenho, eu tenho texto para decorar, tenho que me preparar, eu acho que novela é obra aberta, como também tem outras novelas, e eu amei fazer ‘Salve Jorge’, foi a maior visibilidade, sou super grata a Glória, foi um presente que ela me deu, me confiar uma protagonista de novela das nove, e eu fui inteira o tempo inteiro e sempre busco dar o melhor que eu posso.”

Mas em ‘Pega Pega’ foi demais, você se surpreendeu com a repercussão?

“Eu acho que foi uma surpresa para mim, porque eu tinha acabado de sair do sertão, que eu tinha feito ‘Entre Irmãs’, que já era uma personagem completamente diferente e também eu fiquei muito feliz, eu tive a sorte de serem dois trabalhos tão importantes em pouco tempo, porque em janeiro estreou ‘Entre Irmãs’, que eu também compus a música de abertura que a Betânia gravou, então, foi mais um presente e aí junto com ‘Sandroca’ que estava passando e acabava em janeiro. Eu vi a música da abertura, a série que era completamente diferente, sertão, eu tinha acabado de fazer quando o Luís Henrique me ligou, me chamando para fazer e falou: ‘Ela é muito louca, ela tem uma gargalhada assim, ela é perua’. Eu falei: ‘Gente, eu saí do sertão toda’. O sertão estava tão em mim, que eu achei que não iria saber fazer isso, vim conversar com ele e falei: ‘Eu não vou saber fazer isso, eu não sei gargalhar, não sei fazer comédia’. E aí ele falou: ‘Sabe sim!’. E aí eu confiei e acho que por conta disso tudo, eu comecei a usar mais o Instagram, a tentar me aproximar mais do povo. Eu nunca tinha feito comédia, então, sempre me davam personagens mais densos ou mais sérios e aí eu não tinha me experimentado nesse lugar, então, eu comecei me aproximar, ficar fazendo graça e me soltando.”

Então, ela te ajudou a se descobrir mais?

“Acho que não é me descobrir, mas eu me divertia muito, é muito legal fazer comédia. Hoje me dia quando me chamam para alguma coisa eu falo: ‘É comédia?’. Enfim!”

Você não acha que todo artista quando recebe um papel, sempre vai ser um desafio?

“É, mas sabe que a Clarice Lispector tem uma frase que eu sempre uso: ‘Depois do medo, vem o mundo’. Então é óbvio que dá medo, é óbvio que dá frio na barriga, óbvio que dá medo de se repetir, de fazer parecido, de crítica, de tudo, mas assim, isso não ajuda a gente em nada, pelo contrário, acho que a gente tem que focar e ir atrás do que a gente acredita e está sendo maravilhoso fazer essa novela, eu nunca tinha trabalhado com o Denis, voltar a trabalhar com o João, minha primeira novela foi ele que escreveu, que foi ‘Cobras e Lagartos’, e a minha personagem tinha um destaque no final, era uma personagem que não tinha tanto destaque, ela acabou sendo a assassina, a vilã no final, e o Denis que é divertido e esse elenco..”

Você estava dizendo que vai ter essa diferença entre as irmãs.

“É, tem essa coisa que o pai prefere a Maura e ele paga o estudo para ela e para a irmã não, então fica uma cobrança, ele tem um certo orgulho que a filha vai entrar para a polícia e ela estuda muito, então, vai ter muito conflito. O prédio está rachado e correndo o risco de desabar, moram num conjunto habitacional, então pode ser que a família tenha que se virar. A Maura tem uma dívida com a faculdade dela que ela tem que pagar, o pai paga, ajuda, mas ela ainda não tem salário, então, isso é um conflito e aí na delegacia também vai ter bastante coisa.”

Você tem algum limite de não se expor, de não exagerar nas redes sociais?

“Eu realmente faço o meu Instagram porque eu me divirto, eu me sinto à vontade para fazer, eu não fico pensando: ‘vão gostar, vai ter curtida, não vai ter’. Quanto mais à vontade eu fico, quanto menos eu penso em fazer uma coisa pousada, maquiada e não sei o que, mais é gostoso de fazer e mais eu tenho retorno. Eu escuto coisas incríveis, eu adoro ir no inbox e ver o que as pessoas estão falando ou comentar e responder. De ver em quando eu posto, não é aquela coisa de: ‘Estou aqui fazendo uma boa ação’. Tem coisas que eu acho que é importante, tem coisas que eu faço só porque eu acho engraçado e me divirto, ou às vezes vem um amigo e fala que adora as minhas loucuras.”

Sua personagem vai ser uma policial, como que as pessoas vão se ver nela? Porque ela é uma policial mulher e tem essa coisa do conflito da família com dificuldade, é uma profissão discriminada.

“É que ela é uma policial civil, né? Trabalha mais com investigação, e eu realmente não imagino como as pessoas vão vê-la, eu prefiro não criar expectativas até para não me decepcionar ou nada do tipo, eu confio de olhos fechados no trabalho do João e do Denis, então, eu vou na deles, eu estudo, me preparo e vou, eu não sei como vai ser o retorno para mim.”

Emendar um trabalho no outro para você é tranquilo?

“Não. A Maria que é a nossa diretora geral que me ligou e eu estava no meio de ‘Pega Pega’ ainda, faltava uns dois, três meses para acabar, gravando para caramba e ela me ligou e falou: ‘Nanda, a gente quer você na nossa novela, eu, o João e o Denis e tem uma coisa, você não vai ter férias’, eu falei: ‘Como não?’, E aí ela falou que eu iria emendar, começar a preparar e que eu não estava na primeira fase e só entrava no capítulo 10 e a maior parte do elenco também, aí falou que eu iria passar um mês na Bahia e eu falei: ‘Maravilhoso, tô dentro’. Já topei de cara, só que eu acabei não gravando na Bahia, mas foi maravilhoso, porque aí também tive um mês de férias.”

Não estou falando profissionalmente, mas você tem outro sonho, pensa em ter filhos?

“Um filho de cada vez, né? Um filho agora sem condição.”

Mas no seu projeto de vida, o que você queria? Você consegue focar só no presente?

“Eu juro que eu parei com isso, uma coisa de cada vez, agora não dá para pensar nisso. Eu não fico me preocupando com o futuro, eu fico me ocupando com o que eu tenho. Agora eu tenho que pensar nisso, eu tenho outros projetos e acho que é uma coisa de cada vez.”

E você fora da escala da novela, o que você gosta de fazer?

“Está tudo nos meus stories (risos). Eu gosto de treinar, eu gosto de correr na praia, eu gosto de nadar, mergulhar, ouvir música, tocar um pouco de violão, gosto de viver um pouco mais leve. Gosto da natureza, sempre que eu posso ir para Paraty, viajar, cachoeira, mar, rio, trilha, eu adoro.”

E dá tempo de ir para lá (Paraty) e curtir a família?

“Dá sim. Vou, vou sim. Tenho conseguido ir cada vez menos, mas sempre faço um esforço porque é um perto longe, né? Às vezes é mais rápido ir para a Bahia do que ir para Paraty, porque você pega um voo e em duas horas você está lá, Paraty está cada vez mais longo e tem muito sinalização, 40km por hora o tempo inteiro, então demora.”

Qual o nome do treinador que você falou que está te preparando?

“O Jun é um preparador e o Daniel Ortégas que é um lutador bicampeão mundial de Jiu-Jitsu.”

Você interage bastante nas redes sociais? Em ‘Pega Pega’ você respondia todo mundo no twitter, né? Você acha que com a carga de novela das nove, você vai conseguir interagir mais com a galera ou vai ser um pouco mais difícil?

“Eu acho que na verdade não tem a ver com isso de ser novela das nove ou das sete, porque eu gravava muito também em ‘Pega Pega’, eu gravava muito e acho que isso não faz muita diferença. Não dá para responder todo mundo, mas sempre que eu achava relevante, engraçado ou pertinente, eu interagia. Eu sempre gosto de responder, gosto de interagir, saber o que as pessoas estão falando ou pensando, mesmo quando é legal ou quando não é. Eu gosto de fazer as pessoas pensarem um pouco também sobre o que está acontecendo, gosto de colocar meu lado também.”

Em ‘Cobras e Lagartos’, o João te deu a Madá, que foi uma surpresa no final, porque era uma vilã. É o seu reencontro com o João Emanuel depois dessa novela? Qualquer coisa que ele te chamar você faz, é isso?

“Isso, é. Faço (risos). Sou super grata a ele, minha primeira novela eu tinha uma personagem que de repente virou um destaque, sabe? Foi uma novela deliciosa de fazer, foi a primeira novela do Lázaro também, a gente sempre fala com o maior orgulho: ‘Primeira novela minha e do Lázaro’. Enfim.”

Além da novela, quais são os seus novos projetos?

“Eu tenho um filme que vai lançar, se chama ‘Partiu, Paraguai’, talvez mude o nome, que é com o Johnny Massaro e com a Bruna Linzmeyer, lança possivelmente esse ano, tem peça também, tem um projeto meu. Eu não sei como vou administrar tudo.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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