Luis Lobianco
Luis Lobianco (Divulgação/ TV Globo)

Com 24 anos de carreira, Luis Lobianco atuará pela primeira vez em uma novela em 2018. Em Segundo Sol, próximo folhetim das 21h, escrito por João Emanuel Carneiro, ele será Clóvis, um dos irmãos do protagonista Beto Falcão. Durante a coletiva de lançamento da trama, que aconteceu nesta semana nos Estúdios Globo, o ator afirmou que seu personagem tem certa comicidade, mas não é propriamente cômico, e revelou que mesmo já tendo recebidos outros convites para atuar em novelas, sentiu que este era o momento. Confira a entrevista abaixo:

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Qual é a pegada do personagem? 

“Uma camada tragicômica para todos os personagens, então, quando falam: ‘O Clóvis é cômico’. Ele é também, mas o João escreve com uma humanidade que em algum momento os personagens vão se deparar com um drama, com um momento difícil, vão ter que ser frágeis ou fortes e a gente já começa a novela com a perda do irmão, um acidente terrível que a família tem que lidar. E é um irmão que o cara é apaixonado, é um irmão que ele quer ser, o cara que ele quer ser, então aquilo é muito sofrido, muito doloroso. É isso, é o cômico, o tragicômico e acho que é o que me seduz nesse trabalho.”

Tudo hoje vira polêmica em rede social, mas lá na Bahia começou um movimento falando sobre a ausência de negros na novela e também nas chamadas que tem, também a questão do sotaque. Vamos dizer que o sotaque da novela são sotaques meio uniformizados, meio nordestinos, tem essa diferença. Você acha que na ficção vale tudo, um baiano com sotaque carioca?

“Eu acho que a Bahia, tem muitas Bahias dentro. A Arlete por exemplo, que faz a nossa mãe, é pernambucana, então, naturalmente ela vai trazer um pouco do pernambucano para essa família, quem garante que essa mãe que mora na Bahia não é pernambucana? Porque o Brasil é assim, não mora só baiano na Bahia. Eu acho que o autor e a intenção da emissora, é retratar uma Bahia ou algumas Bahias, nunca todas, é muito difícil a gente contar todas as histórias e acho que tem muitos programas que já falaram de outras Bahias, como ‘Dona Flor’ por exemplo e tudo mais. Ajuda muito a pensar que essa família, é uma família que poderia estar num livro do Jorge Amado por exemplo, porque é uma família autêntica baiana. Eu tenho parentes em Aracajú, que é ali pertinho, ali do lado e eu morei lá durante um ano, com certeza eu vou trazer um pouquinho disso para o meu personagem e acho que com essa colcha de retalhos a gente vai montando os nossos personagens.”

Sotaque vocês fizeram treinamento?

“Fizemos aula com a professora Iris, assistimos muita coisa e o que a gente foi percebendo foi exatamente isso, não tem ‘um sotaque da Bahia’, tem vários sotaques da Bahia, inclusive em Salvador, cada bairro é uma coisa, e é geracional também, os mais velhos falam de um jeito, os mais novos falam de outro. Então, o que a gente aprendeu junto com a preparadora é isso, querer acha um sotaque é frustrante. Acho que cada um tem que achar a verdade do seu personagem e naturalmente cada um vai encontrar a fala do personagem.”

Quanto tempo você não fazia novela?

“Essa é a minha primeira. Nos últimos anos eu fiz muita TV, muita TV fechada, série, mas na TV aberta, horário nobre é a primeira novela.”

Como é que foi esse convite? Foi uma coisa que você queria, foi um desafio ou não? Tem atores que preferem fazer série, né? 

“Sim. Eu já estava querendo viver isso, porque eu acho que foi a única coisa que eu não fiz, principalmente nesses últimos dez anos, foi a TV aberta. Eu já havia feito internet, que foi por onde fiquei conhecido pelo grande público, teatro eu já faço a muito tempo, série, mas a novela ainda não, e eu estava só esperando um convite legal. Tiveram algumas oportunidades, mas eu estava fazendo outra coisa e esse acho que era o momento, nesse momento veio o convite especial. João Emanuel me ligou, me convidou pessoalmente, falou que pensava num personagem para mim.”

Ele tem o irmão como um grande ídolo, ele quer ser também um cantor, quer fazer sucesso?

“Ele é o filho mais novo dessa família, a família central que é a família Falcão, é um cara que ficou meio protegido dentro de casa, a mamãe paparica e trata ele como criança até hoje, uma relação muito apegada. O pai pega no pé dele e fala: ‘Esse cara tem que ir para a rua, tem que acordar, trabalhar’. E o irmão que é o ídolo do Brasil, para aquele cara ele quer ser o irmão, a princípio ele quer cantar também, ele acha que ele compõe também, que ele toca e obviamente ele não tem o talento do irmão e acho que é o que gera essa comicidade. Mas a gente começa a história com uma porrada, né? Porque o irmão todo mundo acha que está morto, então para ele, o ídolo dele, o irmão mais velho..”

Você está num núcleo superbacana, né?

“Estou. Estou muito seguro, muito bem cercado, a gente teve uma química de cara, porque para fazer uma família tão amorosa, tão brasileira, baiana, a gente precisava ter contato. Eu pensava: ‘Como é que vai ser, como é que vai ser essas pessoas?’. Eu não conhecia a maioria, conhecia o Vlad, não conhecia o Zé, nem o Emílio, e de cara deu uma liga, a gente já entrou no estúdio mandando ver e estou muito animado, a gente está cada vez mais próximos.”

E como é que foi essa gravação lá na Bahia?

“É uma delícia, se eu pudesse iria toda semana para a Bahia gravar, eu acho que é um lugar especial e acho que traz muita coisa para a história, vivenciar ali aquelas pessoas que você conhece, aquele universo, desde o aeroporto, até o hotel, até o set, as pessoas estão assistindo, a gente para e conversa e isso muda muito os personagens. Gravar viajando é muito importante para a família, né? A gente se conhece mais, então, é delicioso. Eu fui para Porto Seguro, gravei algumas cenas lá e depois em Salvador.”

São quantos anos de carreira? Você fez teatro né?

“De teatro são 24 anos.”

Você acha que tudo aconteceu como tinha que ser ou as coisas demoraram?

“Eu apareci primeiro na internet, mas antes disso, eu já tinha 18 anos de teatro e teatro é muito difícil, ainda hoje é muito difícil, naquela época era mais, quando eu não era tão conhecido era mais. Então, quando eu fiz 30 anos, eu falei: ‘caramba, precisa acontecer alguma coisa, porque eu estou trabalhando demais e o retorno financeiro, o reconhecimento não está vindo’. E foi aí que começou o porta, que era dramaturgia naquela plataforma de internet e imediatamente eu comecei a fazer cinema, comecei a fazer televisão e estou aqui agora, então, acho que as coisas acontecem do jeito que tem que ser, porque eu comecei a trabalhar já com alguma maturidade, entendimento da profissão, mas foi penoso.”

Agora teve aquela coisa do seu monólogo, as pessoas estavam se manifestando. Como é que ficou tudo isso, o que você tira de tudo isso, porque você escreveu um texto super lindo…

“A gente tem que ter muito cuidado hoje com as redes sociais, porque é uma disputa de narrativa, né? Quem faz o último textão… E tem um monte de gente ali que não tem nada na cabeça e quer ler o último textão e dar razão para aquilo. É um espetáculo muito bonito, muito respeitoso, muito aplaudido, conta uma história que ninguém conhecia no Brasil, foi em um ano, dez mil pessoas, eu fui atrás dessa pesquisa e tudo mais, com o cuidado de não fazer a personagem título que foi reivindicada, eu não faço ela, ao contrário do que é dito. Então, eu tenho muito orgulho desse trabalho e tenho muito orgulho que tenha acontecido um debate através desse trabalho. Agora violência, agressão e fake news, esse tipo de coisa eu não tolero e não tem dialogo.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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