Deborah Secco
Deborah Secco (Divulgação/ TV Globo)

Quem estava com saudade de ver Deborah Secco nas telinhas já pode comemorar. É que a atriz está no elenco de Segundo Sol, nova novela das 21h da Globo, que estreia no dia 14 de maio. No folhetim, a mãe da pequena Maria Flor será Karola, uma típica vilã que promete bagunçar a vida de Luzia (Giovanna Antonelli) e de Beto Falcão (Emilio Dantas), por quem nutre um amor quase que doentio.

Durante uma conversa com o Observatório da Televisão, Deborah disse que a personagem é indecifrável e que nenhum dos seus erros poderão ser justificados. Vibrando a entrada do marido, Hugo Moura, na obra de João Emanuel Carneiro, a atriz destacou: “É um cara que tem uma consciência artística enorme”.

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Deborah também foi muito intensa ao falar do seu carinho pela atriz Adriana Esteves, sua parceira de vilanias na trama ambientada na Bahia, entre a belíssima cidade de Salvador e a fictícia Boiporã. Confira:

Como é retornar para uma novela das 21h?

Eu estou com uma ansiedade louca, eu nem sei o que falar. A gente tem trabalhado arduamente nesses últimos dois meses, eu acho que não durmo mais. Decoro, gravo, decoro, gravo. Mas, está sendo um prazer, a personagem é uma delícia, é uma maluca, então a gente se diverte muito fazendo. Com a Adriana eu me divirto horrores, com a Giovanna, a gente acabou criando um elo, uma amizade muito grande. A gente, além de trabalhar, brinca, se diverte, conversa. Está sendo uma delícia, mas eu estou muito ansiosa, muito nervosa.

Você já interpretou diversos personagens de sucesso em novelas das 21h. Como é, depois de tanto tempo, sentir esse nervosismo?

Sempre é assim. Outro dia eu lembrei que terminei o ‘Bruna Surfistinha’ falando: ‘gente, isso vai ser um fracasso. Vão descobrir que eu sou uma farsa’. Acho que isso é uma coisa de eu ser muito caxias, estudar muito e de querer fazer tudo exatamente do jeito que a gente se propõe a fazer, o que queremos fazer, e nem sempre, com essa falta de tempo da televisão, conseguimos. Então, a gente vai ficando muito ansiosa, mas eu acho que é normal, também já a aprendi a conviver com isso. Nunca foi diferente, acho que nunca vai ser, 30 anos depois é que não vou melhorar.

Por quanto tempo você ficou afastada de uma novela das 21h?

Acho que desde ‘Insensato Coração’ (2011). Eu fiquei três anos fazendo ‘Louco por Elas’, daí voltei para fazer das seis, que foi ‘Boogie Oogie’ (2014), quando ia fazer a das 23h engravidei, voltei para ‘Malhação’ (2016) naquela tranquilidade para conseguir cuidar da Maria. Agora é tiro, porrada e bomba (risos).

Como é deixar a Maria Flor em casa e sair para gravar?

É muito difícil, mas agora, graças a Deus, a Globo foi uma mãe e me deu os dois anos que eu pedi. Agora ela fica na escolinha, então ela não fica em casa, tem dias que chega meio dia, tem dias que tem natação e chega 15h. Então, a gente sai menos preocupada. Ela chega em casa, dorme uma horinha e meia ou duas. Eu estou sempre tentando chegar em casa cedo, quando eu não consigo o Hugo está, quando não está nenhum dos dois, a minha mãe está, mas é um punk. Eu não posso ficar falando muito disso porque todas as mães do Brasil fazem isso, não é nenhum privilégio meu. Mas é muito difícil ser mãe e trabalhar, muito difícil.

Quando você decidiu voltar a trabalhar?

Eu já tinha me planejado esse tempo mesmo. Eu acho que dois anos é um tempo excelente, é a hora de você começar a desfazer mesmo o cordão, é a hora que ela já entende, que você consegue conversar. Eu acho que é mais difícil para mim do que para ela. Então, já era meio que o meu planejamento, daí surgiu esse presente do João Emanuel, com o Dennis, com um personagem desse, não tinha nem o que pensar, eu tenho só que agradecer. É um privilégio ser escalada para esse papel, realmente é um presentaço. Eu falo que eu tive muita sorte na minha carreira, e essa é mais uma personagem que é muita sorte ter caído na minha mão.

Como está sendo a parceria com a Adriana Esteves, que interpreta a Laureta? Vocês duas vão aprontar muito ao longo da trama.

A Adriana é uma das atrizes que eu mais admiro na minha vida. Eu sempre falo que Adriana, Renata Sorrah, Cássia Kiss, são as mulheres que eu quero ser igual. Fiz muitas novelas me baseando nela. Eu falo que a Sandrinha de ‘Torre de Babel’ foi o início para a Darlene (de Celebridade), eu sempre dava uma copiadinha, e isso eu uso na minha vida real até hoje. Quando eu soube que ia trabalhar com ela me deu um pouco de alegria e tristeza porque a tensão é maior ainda, eu não posso decepcionar meu ídolo. Ela muito melhor pessoa do que atriz, como se fosse possível isso, mas é. Está sendo uma parceria deliciosa, eu tenho aprendido muito com ela, ela é muito parceira, me ajuda, me dá dicas, diz o que está bom, o que tem que melhorar. Eu acho que a gente está construindo uma história junto que vai ser eterna, vai ultrapassar essa novela, como algumas amizades que eu fiz durante a minha carreira.

A Karola é a personagem mais malvada que você fez até o momento?

Sem dúvidas! Eu acho que a Íris (Laços de Família) era uma menina má, mas malvada eu acho que Karola vai ficando. Eu acho que no início a Laureta é muito mais malvada do que ela.

Então a Karola é uma personagem que vai construindo o caráter ao longo da trama?

Ela é má, de fato. Bem mais má que a Íris, mas ela vai ficando mais má ainda. Não sei onde isso vai parar (risos).

É possível defender a Karola de alguma forma?

Não, de jeito nenhum. O que eu me preocupo muito é de fazer o que o João me pediu, de fazer essa mulher amar o Beto (Emílio Dantas) e amar o filho. Então, se tem alguma defesa é ela amar esses dois loucamente, mas eu acho que justifica.

Mas ela vai amar dessa forma torta?

Existem amores tortos. No caso dela ter como amante o irmão dele, eu acho que ele (Beto) não ama ela, é muito nítido isso. Ela tem uma carência daquele amor quase que desesperadora, e ela vai ali para o irmão numa tentativa de ter alguém que a admire, que a queira, numa tentativa também de saber sobre o Beto e como ela pode fazer para conquistá-lo mais. Eu acho que é uma junção de fatores, que não é a falta de amor pelo Beto.

A ganância pelo dinheiro é presente também na Karola?

Ela quer ser rica, isso é fato. Não trabalhamos com pobreza (risos).

Entre tantos temas, a novela vai abordar sobre o resgate dos laços familiares. Isso é importância na sua vida? Você gosta de ter a família perto?

Não só na minha, eu acho que é o tema mais importante na vida de todas as pessoas. Amor, família, elos, é o que a gente leva de tudo isso aqui. Nossos melhores momentos são com as pessoas que a gente ama, seja família de sangue, seja família construída. Eu sou muito família, nunca escondi que o meu maior sonho era construir a minha família. Todo mundo me acompanhou no perrengue de chegar lá e, finalmente, eu consegui (risos).

Falando em família, como é gravar com o marido, Hugo Moura, que interpretará um garoto de programa?

A gente ainda não gravou junto, nunca viemos juntos. Muito pelo contrário, está uma loucura porque quando eu estou, ele não está, e quando ele está, eu não estou. Mas é uma delícia também, eu fiquei muito feliz, ele fez um teste muito bom, todo mundo adorou, foi uma surpresa para a gente. Ele merece muito, ele vem estudando muito, se dedicando muito. É um cara que tem uma consciência artística enorme e, realmente, merece estar aonde está, e ele batalha muito para estar aonde está. Acho que a coisa de ser meu marido acaba que ajuda num lado, mas atrapalha muito no outro. Ele é um cara que enfrenta esse preconceito das pessoas com a cabeça erguida e fala: ‘vou continuar tentando sim, porque ninguém vai fazer com que eu desista do meu sonho’.

Você falou que tem a Cássia, Adriana e a Renata como referência. Não deve ser diferente do Hugo com relação a você, né?

Ah, eu acredito que sim, embora eu mostre para ele todos os meus defeitos. Como atriz eu falo que poderia ter feito melhor ali, aqui. Eu vou mostrando tudo.

Ele busca seus conselhos como profissional?

Muito, muito! E mais do que isso, ele me escuta muito em como fazer para crescer. Todos os cursos que eu indiquei, os profissionais que eu falo que vão mudar a vida dele e que mudaram a minha, ele vai atrás de todos eles e com muita disposição, e conquista essas pessoas muito mais do que eu até. Todos os mestres dele são apaixonados por ele. Eu sou muito orgulhosa porque é um cara que não se esconde, que não se amedronta, ele pega o problema, bate no peito e leva para frente. Ele fala: ‘nada na vida vai me fazer desistir do que vai me fazer feliz. Para mim não importa aonde eu vou atuar, atuar é o que eu quero fazer. Então, seja na rua, na TV Globo, aonde for, vai ser o que eu vou estar fazendo da minha vida’.

E qual conselho você pode dar para ele em relação à fama?

Ah, eu acho que já entendeu muito quando ele começou a se relacionar comigo, já são três anos e meio. Acho que ele já entendeu bastante o que é de mentira, o que é de verdade. Diferente de mim, ele é um cara muito ingênuo, muito coração puro. Talvez ele se caleja um pouquinho com os anos, mas também não adianta eu falar, isso não se ensina, isso se vive.

E como é o cuidado do casal com relação a Maria Flor?

A gente tem um conflito muito grande. Expor ou não expor? Mostrar, não mostrar? Mas esconder uma criança é um trabalho muito árduo porque você tem que tirar ela de todos os lugares hoje. Hoje, o celular, a foto, é uma coisa muito presente. No aniversário você tem que esconder ela, na sala de aula você tem que tirar ela na hora da foto, na hora do bolo você tem que proibir todas as pessoas da festa de fotografar. É fazer dela um ser muito diferente e ela ainda não entende o porquê. Então, a gente acha que os dois vão pesar contra, expor ou não expor, porque você vai fazer um caos na vida da criança. Mas a gente acha que esse caos de fazer ela se sentir diferente, talvez, seja mais prejudicial.

Você falou que o Hugo precisa ser mais calejado no quesito exposição, fama. Você já está, digamos, imune a essa situação? Você é sempre muito transparente.

Está nada! Talvez esse seja o meu calo, eu também não quero passar uma pessoa que eu não sou. Já tentei muito fazer esses personagens de cool, sou incrível, não sou! Hoje é mais fácil para mim entender que não vou agradar todo mundo, que Graças a Deus eu agrado as pessoas que me cercam, as pessoas que eu amo e as pessoas que, realmente, me importam. E tomara que as minhas verdadeiras sirvam para uma pessoa ter uma vida melhor, isso já me aliviaria muito. É o meu jeito, não sei ser diferente.

O que você vê quando a Darlene aparece nas tardes da Globo, na reprise de ‘Celebridade’?

Eu conversei com a Juliana (Paes) essa semana, a gente sofria tanto com esse negócio da angústia, a gente se sentia tão péssima, a gente se criticava tanto. Hoje, eu me acho gênia! Eu era muito talentosa, eu era muito boa. Acho que na época, com essa necessidade artística que a gente tem de ser melhor, não enxergamos o que fazemos. Hoje, com esse distanciamento, é sensacional assistir. Eu falei que só vou assistir minha novela 20 anos depois (risos).

E você é uma noveleira de plantão?

Eu assisto tudo, não só as minhas. Sou noveleira a vida inteira, acho que é por isso que o meu maior sonho na vida era fazer novela. Também não escondi de ninguém que queria ser a Tieta, se tiver um remake de Tieta estou ainda brigando pelo papel. Amo novela, cresci vendo novela e continuo vendo novela. As das 18h e das 19h com criança agora está difícil, mas as das 21h? A ‘Força do Querer’ eu quase me matava todos os dias, o ‘Outro Lado do Paraíso’ eu estou sofrendo porque vai acabar.

Você se tornou a mãe que gostaria de ser?

Frustação é o meu nome. Eu queria ser muito melhor, mas eu juro que estou me esforçando. Sou o melhor que eu posso, todos os dias eu me falo isso antes de dormir. A gente acha muito que podia ser melhor, que tem que ser melhor, que tudo que acontece de errado a culpa é nossa, mas eu sou o melhor que eu posso, isso eu tenho certeza. Eu me esforço tanto.

A novela vai falar muito sobre recomeços. Você teve algum momento que possa ser considerado como uma segunda chance?

Se eu tive uma segunda chance, talvez, eu tenha tido uma milésima chance que foi quando o Hugo apareceu (risos), com toda sinceridade. De resto, a minha vida sempre foi muito equilibrada, eu tive uma carreira, graças a Deus, bem-sucedida, todos os personagens vieram acompanhados de bons personagens, quando eu decidi enveredar para o cinema fui bem-sucedida. Sempre tive nas outras áreas muita tranquilidade. Já na área pessoal, eu bati a cabeça muitas vezes, mas Deus me deu todas as chances que eu precisei e no final deu tudo certo, e foi a pessoa certa.

O que o Hugo te apresentou de diferente dos seus antigos relacionamentos?

Acho que a vontade de viver uma vida de família, uma vida a dois, e vontade de se dedicar para isso. E essa é uma escolha diária, ele escolhe isso diariamente. Eu acho que essa é a grande diferença. Tem a questão de eu estar na hora certa também. Eu acredito muito na tampa e na panela, com certeza a gente ia se esbarrar em algum momento porque era com ele, tinha que ser com ele.

Parece que no final da primeira fase a Karola vai pegar o filho da Luzia (Giovanna Antonelli) e criar como se fosse dela, e que depois de um tempo tudo vai ser descoberto. É isso mesmo que vai acontecer?

Então, eu não sei se posso revelar… O Dennis falou ali de o filho não ser dela. Eu fui tão ‘brifada’ para não falar. O mundo da Karola vai desmoronar, se ela (Luzia) vier roubar o Beto e o Filho acabou. Ela (Karola) é louca por esse filho e por esse homem, a família que ela construiu é tudo que ela tem. Ela, realmente, acaba virando uma mulher de família, ela vive por esses dois.

Você torcia para fazer uma personagem inteiramente vilã?

Eu nunca penso no que eu quero porque a minha vida é tão abençoada. Quando eu sonhava em ser atriz, sei lá, trinta e tantos anos atrás, eu já ganhei dos meus sonhos. Eu sonhava em fazer uma novela incrível, já fiz. Sonhava em fazer um filme que todas as faixas etárias me conhecessem, já fiz. Eu fui muito além de todos os meus sonhos, então eu só agradeço e não peço nada. Mas, quando veio eu fiquei muito lisonjeada e agradeço diariamente por esse personagem ter caído de presente para mim.

Como você define a Karola?

Então, eu não defino. Ela é uma pessoa indecifrável. Ela tem muitas camadas, então você não entende direito se ela está triste porque ele morre (Beto) ou se ela fica feliz porque vai ficar rica. Ela tem muitos conflitos internos, mas acredito que ela vai ser uma personagem que lá na segunda fase mostra o amor por esse homem e por esse filho, e a vontade de mantê-los muito bem de vida, porque ela não faz só por ela, ela faz por eles também essa loucura toda. Nesse início ela é muito dúbia, e depois também quando Luzia voltar e ela começar a perder tudo. Nunca se sabe exatamente pelo o que ela está brigando e lutando.

Como será a sua relação com a personagem da Adriana Esteves?

A gente vai se revelar ali no final. Acho que o João ainda não sabe, nós também não sabemos se é mãe e filha. Eu não sei, eu não sei, porque do João a gente pode esperar tudo.

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano