Pally Siqueira
Pally Siqueira (Divulgação/ TV Globo)

Pally Siqueira tornou-se conhecida do grande público pelo namoro com o ator Fábio Assunção, mas a atriz de 25 anos que estará na próxima temporada de Malhação, sub-intitulada Vidas Brasileiras, tem em seu currículo um longa em que atua, e um documentário produzido por ela. Pernambucana, na trama adolescente ela será Amanda,  uma jovem apaixonada por biologia, que verá sua vida mudar ao ingressar numa escola particular através de uma bolsa concedida pela ONG Percurso. Nossa reportagem bateu um papo com a atriz que contou detalhes sobre a personagem, e sua trajetória.

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O release de apresentação de Malhação – Vidas Brasileiras explica que os atores estão emprestando qualidades pessoais para os personagens, e você é pintora. Essa é a característica que você está compartilhando com a Amanda?


Eu toco handpan, um instrumento de origem caribenha, parece um disco voador, maravilhoso, tem um som meio que do universo. Eu toco esse instrumento e a Amanda tem essa característica também. A Amanda não tem a característica da pintura. Infelizmente por um lado, mas também felizmente por outro, que me dá essa ligação de que eu estou atuando, de que não é a Pally ali.

O sotaque pernambucano vai continuar presente na personagem?

Vou manter. A Amanda também é do interior de Pernambuco, também vem do sertão como eu. Eu estou muito feliz por isso.

Como você conseguiu integrar o elenco dessa nova temporada de Malhação?

Foi uma bateria de testes em que mais de 600 jovens foram entrevistados. A gente teve as entrevistas, depois foram selecionados alguns para fazerem oficinas. Nessas oficinas as etapas foram sendo evoluídas, algumas pessoas avançando e outras ficando no caminho. Foi um processo incrível porque não foi aquele tipo de teste de você pegar um texto, decorar na hora e fazer. Eles foram percebendo o potencial de cada um, até onde cada um pode ir e dar. Foi tudo maravilhoso.

Quem é a Amanda?

A Amanda é uma menina muito doce, forte também. Ela vem do sertão de Pernambuco, assim como eu. E a gente sabe que para chegar até aqui tem que ralar três vezes mais do que quem é daqui, e a Amanda é bem por esse caminho. Ela é bolsista. Entra no colégio Sapiência através da ONG do Rafael (Carmo Dalla Vecchia). Ama Biologia, o sonho dela é ser médica. Super estudiosa, super dedicada e uma amigona. Estamos nos apaixonando, nos conhecendo aos poucos. E é isso que eu posso adiantar para vocês. Ela também é uma artista que toca e compõe.

Você falou que, assim como Amanda, ralou para conquistar seus objetivos. Quais perrengues você já enfrentou para viver esse seu sonho de atuar?

Ficar longe da família eu acho que é o principal.

Você está morando sozinha?

Sim, vim sozinha em 2015. Desde 2015 eu estou sem mamãe (risos).

E como você está passando por essa experiência?

A minha mãe me criou para o mundo. Desde criança eu sempre ouvi muito ela dizendo: “você vai para o mundo, garota. Você é para o mundo”. Então eu acho que sempre tive essa consciência de que não ficaria por muito tempo debaixo da asa dela. Ela sempre me ensinou a ser muito independente em todas as questões possíveis e imagináveis. De furar a parede com uma furadeira, trocar o chuveiro, trocar a lâmpada, fazer tudo. Tudo, tudo! Trocar o pneu do carro. Eu faço tudo.

Quantos anos você tem?

Eu estou com 25 anos.

Esse foi o seu primeiro teste para Malhação?

Esse foi o segundo. O primeiro eu fiz assim que vim para o Rio de Janeiro, em 2015. Eu fiz o teste, passei, mas fui chamada para Totalmente Demais, uma novela das sete que eu fiz uma participação.

Você já se adaptou a morar no Rio de Janeiro? Há uma semelhança com o local que você morava em Pernambuco?

Eu acho o Rio muito parecido com Recife. Antes de vir para o Rio, eu morei cinco anos em Recife porque eu fiz faculdade lá de Design de Moda e depois Psicologia. Então eu já estava adaptada a esse meio da capital, muito urbano, com trânsito e violência. Já Arcoverde é uma cidade de 72 mil habitantes. É uma cidade que você conhece os vizinhos, conhece tudo. Aqui no Rio, o meu refúgio está sendo na Ilha das Jiboias, lá eu encontrei um cantinho em que eu conheço todos os meus vizinhos. Eu posso pedir uma xícara de açúcar a qualquer hora, posso pedir um help a qualquer hora que está todo mundo ali solícito, disposto a ajudar. Isso tem sido um respiro no meio desse caos todo que o Brasil está, não só o Rio

Você ganhou um destaque na mídia por conta do namoro com o ator Fábio Assunção. Vocês ainda estão juntos?

Tem um poema que eu gosto muito de falar que é de uma poetisa chamada Matilde Campilho. Tem um trecho dele que fala assim: “o amor é um animal mutável”. E ele se divide em tantas formas, e as pessoas ficam querendo rotular algo que muitas vezes não tem rótulo. Para mim o amor é isso. O amor é muito maior do que um status social que as pessoas tentam determinar e enquadrar.

Vocês dois são pessoas públicas e um namoro acaba atraindo olhares. Como você administrou o assédio por parte da imprensa e do público?

No começo foi bem assustador. Tive a minha privacidade revirada e invadida de uma forma muito brusca, muito assustadora mesmo. Mas depois a gente começa a aprender a lidar com todo mundo, com as pessoas, com isso tudo que é o ônus da profissão, mas que também é o bônus. E é a maneira que eu tenho de falar com o público. Eu gosto disso de manter uma relação saudável e de amizade com todos os jornalistas. Eu não me fecho para ninguém, eu só não gosto que invadam (a intimidade).

Mas você entende essa curiosidade?

Super entendo essa curiosidade das pessoas. Mas assim, respeitando o meu campo privado porque eu sou tão de boa, sou tão tranquila na vida, tão discreta. E é isso que eu quero levar para sempre na minha caminhada toda aqui

Você e o Fábio gravaram um documentário, né? Conta como foi esse projeto.

Ele chama Eu Sonho Para Você Ver. É um documentário sobre o samba de coco de Arcoverde. A gente fez o primeiro corte, na verdade, que estreou lá no São João. Mas a gente está fazendo um corte maior porque queremos fazer um longa com esse material. Tem muito material bom. Nossa meta é essa, é fazer esse longa.

Esse projeto já tem previsão de data para lançamento?

Não, sem previsão. Eu estou muito focada aqui nesse trabalho (Malhação). A gente está tentando brechinhas de se encontrar para fazer a seleção desse material.

As pessoas ficam surpresas quando você diz que tem 25 anos? Você aparenta ser bem mais nova.

Sempre me dão entre 17 e 18 anos, eu sempre fico nessa faixa etária. Eu acho maravilhoso. Mamãe me deu uma genética maravilhosa, abençoada (risos). Ela também é assim. Ela tem 50 anos, mas com carinha de 35. É uma menina.

Você agora está com o cabelo cheio de dreads. Como está sendo a adaptação desse novo visual?

Eu sempre quis colocar dreads. Na minha adolescência toda eu sempre quis isso, só que ficava receosa em ter que raspar a cabeça depois que quisesse tirar, ou de não me adaptar direito. Mas esse método que o dreadmaker Henrique colocou em mim, protege o meu cabelo trançando em cima de um aplique sintético. Fica fixo na minha cabeça, mas não danifica o meu cabelo. Eu faço manutenção uma vez por mês, tiro todas as tranças, lavo, faço uma hidratação, seco e depois faço as tranças de novo.

Quanto tempo levou para ficar pronto? Precisou descolorir o cabelo para dar esse resultado mais claro nas pontas?

90 minutos. Eu fiquei chocada! Não. O dreadmaker já fez nesse formato porque o meu cabelo já é meio queimado nas pontas. Então ele fez para parecer que é meu mesmo.

Dói esse processo da aplicação dos dreads?

Não dói nada. É super rápido, super prático. É uma solução incrível.

Batizada como Paloma, você decidiu ser reconhecida publicamente pelo nome de Pally. Como foi a escolha desse seu nome artístico?

Eu fiz um filme chamado Big Jato, onde eu estudava psicologia e queria ser neurocientista. Minha meta era essa. Eu dava aula de genética, fisiologia e neurofisiologia na faculdade, e nessas aulas eu recebi uma ligação de uma amiga perguntando se eu conhecia um diretor que se chama Claudio Assis. Eu falei: “lógico! Claudão, conheço sim. Adoro ele, sou fã”. Então ela continuou: “ele está aqui no meu lado perguntando se você topa fazer um teste para um filme dele”. Eu respondi: “como assim? Eu não sou atriz, eu não faço isso. O meu negócio é estudar”. E ela continuou: “mas ele gostou do seu perfil. Ele viu você e está perguntando se você quer fazer um teste para o filme”. Daí topei e não falei para minha mãe, para ninguém. Eu fiz o teste na sexta-feira como quem não quer nada, e na segunda-feira recebi o telefonema dizendo que eu tinha sido aprovada. E aí, o Claudão ouviu que os meus pais me chamavam de Pally e na hora que foi colocar os créditos no filme, ele falou: “vai ser Pally, né?”. Eu respondi: “Pally não, Claudio. Vai ser Paloma, o meu nome”. E ele rebateu: “Que Paloma o quê? Paloma tem um monte por aí. Se falar Pally só vão associar a você, vão direto em você. É um nome curto, sonoro e que pega”. Então eu aceitei.

Quantos anos você tinha na época desse filme?

Eu tinha 22 anos.

Como você cuida do corpo? Tem uma atenção especial com a alimentação?

Com a alimentação eu sou bem regrada. Não tomo refrigerantes, nunca gostei desde criança. Também não gosto muito de carne. Fiquei um bom tempo vegetariana, mas agora voltei a comer peixe e, às vezes, frango. No mais, eu prático ioga e meditação.

Você é uma pessoa bem calma, tranquila. O que te tira do sério?

Eu acredito que seja o antiprofissionalismo. Isso é algo que me deixa muito irritada, seja em que âmbito for.

A faculdade de Psicologia está trancada? Você pretende retornar no futuro?

Pretendo. O mosquitinho me picou e eu estou nessa febre louca que não passa (riso). Estou amando, curtindo muito. De verdade, é isso que eu quero mesmo (atuar). A Psicologia eu só quero concluir, porque eu acredito que soma muito ao trabalho de atriz. É um campo muito abrangente que eu amo estudar. Eu estudava por prazer. Passava finais de semana em casa com livros de genética, anatomia.

Como já falamos, além de atriz você também é pintora. Você tem telas finalizadas? Pensa em montar uma exposição?

Tenho. Eu penso bastante, inclusive eu estou tentando parceira com algumas galerias para ver se essa exposição acontece esse ano.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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