Bruno Cabrerizo
Bruno Cabrerizo, protagonista de Tempo de Amar (Divulgação/ TV Globo)

Mais novo galã da Globo, Bruno Cabrerizo chegou à emissora carioca – apontada como uma das maiores produtoras de novelas do mundo – logo com um papel de protagonista. O ator tem toda uma vida organizada na Europa, com trabalhos na Itália e na televisão portuguesa, porém, aceitou deixar o Velho Continente para viver o Inácio, de Tempo de Amar. A aposta, aparentemente, deu certo. Apesar de ter sido ofuscado por outro galã, Bruno Ferrari, que faz o Vicente na novela, Cabrerizo agradou à audiência e à crítica.

Agora, com o fim da produção das seis, será que ele engata outro trabalho no Brasil? Em entrevista exclusiva ao Observatório da Televisão, ele afirma que vai conversar com a Globo sobre seu futuro e o objetivo maior é estar perto de seus filhos que vivem no País da Bota. Além disso, ele revela como foi contracenar com grandes nomes da dramaturgia e se esquiva quando perguntado sobre o final de seu personagem, Maria Vitória (Vitória Strada) e Vicente. Confira:

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Você é um ator que já tem uma história lá em Portugal, e agora está aqui no Brasil fazendo Tempo de Amar. Como está sendo para você essa experiência?

“Na verdade, eu comecei a minha formação na Itália, depois eu fui para Portugal. Trabalhei bastante no início da carreira da Itália e depois em Portugal que me deu visibilidade para chegar até aqui, onde o Jayme Monjardim me descobriu. Para mim está sendo muito bom, foi um grande desafio, está sendo porque ainda faltam algumas semanas para terminar as gravações. Foi uma aposta de todos, primeiro do Jayme que brigou para ter, não só a mim como a Vitória Strada (Maria Vitória) também, dois estreantes em novelas aqui no Brasil. A casa (Globo) comprou a ideia e, na minha humilde opinião, foi uma aposta ganha para todos. A novela funcionou desde o início, começamos com o pé direito, estamos muito bem com o ibope e as audiências, está premiando o nosso trabalho. Eu agradeço até ao Tony Ramos, que é um querido, falar bem de mim, mas eu não posso ter de elogiá-lo também. Por quê? Porque o Tony é um querido, uma pessoa realmente incrível. É um dos atores top de linha da Globo. Com a história que ele tem ele é a televisão brasileira, praticamente, assim como a Regina Duarte, a Nívea Maria, tantos outros atores do nosso elenco. No nosso elenco, os mais velhos receberam os mais novos muito bem, e eu acredito que o sucesso da nossa novela tem a ver com isso, com essa sinergia entre os mais velhos e os novos. Além do fato de termos uma produção incrível porque, realmente, nós temos um ambiente maravilhoso entre nós. Fora os diretores também. Não tem gritaria, não tem xingamento. Tem um lado humano muito presente.”

O seu personagem Inácio está disputando o amor da Maria Vitória com o Vicente, interpretado pelo Bruno Ferrari. Para quem vai a sua torcida? Você recebe mensagens nas redes sociais?

“O Bruno Cabrerizo não julga, o Bruno Cabrerizo executa. E por aqui eu paro. O Inácio? Claro que o Inácio quer ficar com a Maria Vitória. Isso é óbvio, seria loucura dizer o contrário. Vamos ver o que vai acontecer, estamos na reta final. Ele continua lutando pelo o amor da Maria Vitória, que é o grande amor da vida dele.”

E esses dois homens fazem o perfil de mocinhos, né? O Bruno Ferrari afirmou que o personagem dele também vai lutar até o último momento por esse amor…

“Normal. São dois personagens apaixonados pela mesma pessoa. Claro que histórias aconteceram, coisas mudaram durante o percurso de ambas as vidas e isso causa certas consequências. Agora, vou repetir: eu espero que o Inácio fique com a Maria Vitória. Mas também, o que importa nisso tudo é uma boa relação entre os dois porque existe um elo eterno que é a filha Mariana. E o que mais me dá prazer hoje, nessa reta final, é conseguir fazer as cenas com o bebê. Como eu sou pai de dois filhos separados, eu e a minha mulher temos uma boa relação, eu acho que nada melhor do que eu conseguir fazer isso de uma maneira digna e que independentemente de eles ficaram juntos ou não, que mantem sempre uma boa relação.”

E como está sendo o assédio nas ruas? Você consegue passear no shopping tranquilamente?

“Eu passeio pouco, na verdade, porque eu estou sem tempo. Quando eu tenho tempo livre, eu fico em casa. O máximo que eu vou é à praia que é perto e depois eu volto para casa para estudar. Não tenho tido muito tempo para curtir. Mas tem o assédio, é normal. A novela está bombando, as pessoas gostam, as senhoras principalmente que assistem, falam bem do Inácio e, obviamente, esperam que ele fique com a Maria Vitória. Antes a pergunta que me faziam era: ‘quando ele vai reencontrar a Maria Vitória?’. Agora ele já encontrou e agora é aquela esperança, é aquela coisa de torcer. Eu converso numa boa, o assédio é aceitável, é o feedback do nosso trabalho.”

Após a novela você pretende continuar trabalhando no Brasil ou segue para a Europa?

“Tinham feito essa pergunta no início da novela e eu respondi: ‘a gente conversa daqui a oito meses’. Eu vou te responder a mesma coisa, só que eu só vou mudar a data: ‘a gente conversa daqui a três semanas’. Porque é o seguinte, a gente trabalha no dia a dia e é obvio que chegam propostas. Eu tenho coisas sim, algumas eu até neguei por enquanto. Eu ainda tenho que conversar com a Globo para entender qual é o projeto deles de carreira mim. Enquanto isso, eu tenho coisas em Portugal me aguardando. Uma coisa depende da outra. Se uma não engatilhar, engatilha outra. Então eu não sei te responder isso agora. Claro que eu vou ficar aonde eu tiver trabalho.”

Você veio para o Brasil por conta desse trabalho em Tempo de Amar?

“Eu vim para o Brasil por conta desse trabalho, sim. Eu não vim para o Brasil, porque simplesmente queria voltar para o meu país de origem. Eu vim porque era uma excelente oportunidade trabalhar como protagonista numa primeira novela minha dentro da Globo. O trem passa só uma vez na vida, às vezes, então eu tinha que subir. Mesmo estando longe dos meus filhos, que são as duas coisas importantes na minha vida, eu decidi vir para cá por eles. Pode parecer estranho, mas é verdade, porque é o futuro deles. Eu comecei na Itália, trabalhei em Portugal e agora estou aqui, quanto mais mercado eu tiver mais possibilidades de dar um futuro melhor para os meus filhos eu vou ter.”

Quantos anos os seus filhos têm?

“A minha filha tem sete e o meu filho tem quatro.”

Você imaginou que fosse se tornar um galã aqui no Brasil?

“Galã é subjetivo. Eu brinco sempre: ‘vocês já viram o tamanho do meu nariz?’. Com esse narigão galã? Tudo bem! Está valendo. Eu aceito. Brincadeiras à parte, eu nunca me imaginei, sendo bem sincero. Na verdade, eu nunca me imaginei voltando para o Brasil para trabalhar na Globo porque sempre vivi o presente. Eu era jogador de futebol até os 23-24 anos,  e um dos motivos de eu ter parado de jogar, de ter largado o esporte, foi a minha ansiedade de ficar pensando no futuro. Isso gera ansiedade. Quanto mais você pensa no futuro, você esquece de pensar no presente, e você só chega no futuro se fizer bem o presente. Quando eu entrei para o mundo artístico, eu trouxe todo o meu aprendizado, minha vivência, aonde eu cresci e me formei como homem, inclusive, do mundo do esporte para o mundo artístico. Então eu percebi que não vale a pena ficar pensando no que irei fazer daqui a um mês, uma semana ou três. Eu vivo o presente, trabalho e depois as coisas vão acontecendo. Então eu nunca imaginei que iria estar aqui hoje, é verdade. Não é hipocrisia, eu juro. Depois que meus filhos nasceram minha vida ficou muito voltada para a Europa. Na verdade, a minha vida ainda é voltada para a Europa. Tudo o que faço é em função dos meus filhos. Acabando aqui a primeira coisa que vou fazer é voltar para os meus filhos nas férias.”

E como você administra essa ansiedade hoje? A maturidade ajuda?

“Eu ainda tenho as minhas crises de ansiedade, de futuro. Vem, depois eu penso no que já vivi e passa, volta tudo ao normal. Eu mantenho essa minha linha. Eu já falei em outras entrevistas que o bom de chegar na Globo com 38 anos e alguns fios brancos é que eu não tenho mais a cabeça de quando eu tinha 18-20 anos, ou quando eu saí do Brasil com 23-24 anos, que é completamente inconsciente. Eu saí assim meio que fugido. Então eu tenho maturidade e certa experiência para lidar com certas coisas, inclusive a possível falta de trabalho ou a fama, o assédio. Tudo o que vem ao redor do nosso trabalho.”

Não foi o esporte que te levou para a Europa?

“Não foi o esporte. Na verdade, eu estava parando de jogar aqui e como eu tenho passaporte italiano, eu fui para lá. Fui tentar as últimas cartadas, mas com o passar de dois anos eu desisti de vez.”

Como a arte entrou na sua vida?

“Na verdade, eu sempre gostei. Eu sempre meio que vivi isso. Já namorei atrizes, então eu sempre estava meio que envolvido. A minha avó era uma atriz circense e eu frequentava esse ambiente do circo, via aquela coisa dos artistas e tal. Eu sempre gostei, mas como eu enveredei primeiro para o lado esportivo, que eu gosto até hoje, eu fui indo. Me tornei um profissional, realizei um sonho, mas depois que vi que não dava mais, com certeza pela minha ansiedade, eu decidi parar. Mas foi a melhor coisa que eu fiz.”

Você é bastante paquerado pela mulherada? Como você lida com isso?

“Pessoalmente não tem muito isso. Elas pedem fotos e tal, mas não são muito ousadas. Mas na internet é um pouco mais, as pessoas também se protegem pelo fato de ter só um teclado na frente. Aí chegam… Enfim.”

Você já recebeu nudes?

“Eu não disse nudes (risos). Aí você está deduzindo. Eu não falei nada disso.”

Mas o assédio na internet é mais intenso?

“Tem assédio. O assédio pela internet é um pouco mais picante. No dia a dia é o normal, mais sensato.”

E o que você faz para se proteger dessas investidas mais ousadas?

“Na vida real não são tão ousadas, então é tranquilo. A não ser quando querem foto e, por exemplo: ‘me dá um beijo na bochecha que eu vou pedir para tirarem uma foto’. Daí eu falo: ‘não, vamos tirar uma foto só abraçados. Já está bom’. Às vezes as pessoas perdem um pouco a noção e tem que falar com jeitinho, porque, senão, ficam até chateadas.”

Na Europa você participou do Dança dos Famosos e, inclusive, foi apresentador de um programa na TV. Você toparia fazer o mesmo trabalho aqui no Brasil, caso um convite seja feito?

“Eu fiz a Dança das Estrelas, no caso, lá na Itália. Depois fiz em Portugal. Se vier um pedido, um chamado para fazer aqui, a gente vai conversar e vamos ver o que é melhor para todos. É um programa que eu gosto muito, apesar de não saber dançar, me divirto muito. Eu gosto da competição, aquela coisa do desportista, e do desafio, principalmente. E com relação à condução televisiva, eu gosto de tudo que tem a ver com comunicar porque, na minha opinião, o ator tem que ser completo. E condução televisiva é um meio de comunicar completamente diferente do que eu faço, mas completa o que eu faço e vice-versa. Quando eu estou lá, muitas coisas eu trago do mundo da atuação. É difícil conduzir, apresentar programas, já apresentei programas ao vivo, inclusive, em Portugal. Eu bato palmas para os grandes apresentadores porque realmente é um trabalho muito difícil, tem que ter muita concentração, muito jogo de cintura. Eu gosto, apesar de ainda estar engatinhando nessa parte de apresentador. Por exemplo, o Vídeo Show é um programa que eu gosto muito, já fiz algumas coisas para lá como Repórter Por Um Dia. Enfim, se chegarem propostas eu vou avaliar. Tudo depende do que eu vou ter no momento.”

Em qual posição você terminou o Dança das Estrelas?

“Na Itália, eu fiquei em terceiro. Já em Portugal eu fiquei em segundo.”

Estabilizando a sua carreira aqui no Brasil, existe a possibilidade da sua família, dos seus filhos mudaram para cá também?

“Boa pergunta. Eu não sei. Se acontecer de eu me estabilizar aqui, aí irei pensar nisso lá na frente. Agora eu não sei dizer por que tem muitos ‘se’ no meio. Os meus filhos nasceram na Itália. Querendo ou não o nosso país está passando por um grave momento de segurança. É muito complicado. Confesso que cinco anos atrás quando eu vim de férias com eles, eu pensava em trazê-los, mas quando cheguei aqui mudei de ideia. E agora que voltei a viver aqui, eu não sei dizer. Talvez, seria mais por egoísmo meu em trazê-los. Mas aí tem que ver também com a mãe, nós somos separados. Não são somente os meus filhos, tem uma logística complicada.”

Você machucou a perna durante a gravação de uma cena de cavalgada. Como você lida com esses momentos?

“Eu levo numa boa. Eu tenho uma memória muscular para qualquer tipo de esforço que exija algo além do que um ator está acostumado a fazer. Por exemplo, apesar de eu não fazer esportes por agora constantemente porque eu não tenho tempo, eu não gosto de usar dublê. Nunca gostei.”

Você se arrepende de ter dispensado o dublê na gravação dessa cena?

“Não me arrependi não. Você vai ver a cena no ar, e depois você me diz se não valeu a pena. Tudo pela arte. Mas, claro, que tem coisas que eu não posso arriscar e nem eles me deixam. Eu me jogo, gosto de fazer cenas de briga, fiz todas as cenas de cavalgadas até agora. Acontece, às vezes, pequenos acidentes, nada grave. Pior seria se eu tive caído do cavalo, e não aconteceu. Então está bom, está no lucro. Nessa novela também aconteceu em cenas de brigas de a mão entrar demais e, de repente, tomar um soquinho na cabeça. Isso é normal. Eu não esquento não, dentro do limite de segurança, claro.”

No início da novela existiram diversas críticas em relação a sua atuação. Entretanto, nessa reta final você recebeu muitos elogios. Como você administra essas avaliações negativas e positivas?

“Eu acho que muitas críticas existem para ajudar, outras são gratuitas. As que vêm para ajudar servem para crescer, mas não muda a minha maneira de ser e a minha maneira de pensar sobre o trabalho. Ou seja, eu não me abato se é uma crítica negativa e se for uma positiva eu não mudo a minha maneira de ser, achando que ganhei um 10. Não, é tudo igual. Porque depende do momento, depende de muitas variantes para depois quem faz a crítica, obviamente, dizer aquilo. Eu levo numa boa, aceito as críticas quando são construtivas, metabolizo e tento melhorar.”

Você está sendo apontado como galã. Diz para a gente do que você mais gosta no seu corpo?

“Os olhos.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.