Boris Casoy, jornalista e âncora do RedeTV News (Reprodução: RedeTV)
Boris Casoy, jornalista e âncora do RedeTV News (Reprodução: RedeTV)

Completando quase um ano e meio na bancada do RedeTV News, o jornalista Boris Casoy comemora a ótima fase do jornal apresentado ao lado de Amanda Klein e fala sobre os 30 anos do maior bordão da história do jornalismo televisivo. Em conversa com a reportagem do Observatório da Televisão, o jornalista que tem sessenta anos de jornalismo, sendo trinta deles na frente das câmeras da televisão brasileira, fala sobre sua trajetória na televisão, “Fui contratado pelo SBT apenas para apresentar o jornal, sem outras pretensões, a direção queria repetir o que acontecia na televisão americana, onde o âncora é o editor chefe e apresentador do jornal. Não era no estilo O Globo –que mudou- eles queriam alguém que não tivesse formação jornalística e que apenas lessem textos. Então o jornal se tornou um sucesso instantâneo. Os comentários nasceram sem querer, eu não esperava”, explica. Boris foi o primeiro âncora a emitir opiniões. Ele conta que sempre teve a liberdade para isso, mas que tudo aconteceu de acordo com as necessidades, “Eu tinha a liberdade de escolha, mas os comentários foram surgindo devagar, de acordo com as necessidades, às vezes era uma explicação, mas tudo e coincidiu com o fim do regime militar, já não tinha a censura. As opiniões bagunçaram o coreto do jornalismo na televisão. Deu uma mexida, foi um terremoto. As outras emissoras estavam presas aos seus esquemas antigos e estavam sem comentaristas ou apresentadores que comentassem algo”, explicou o jornalista.

Veja também: RedeTV! quer contratar jornalista venezuelano para entender melhor realidade do País

Hoje o formato do jornalismo no SBT se padronizou as vontades do próprio dono, Silvio Santos, que vira e mexe acrescenta ou elimina algo. Este fato acabou virando assunto na mídia, após Léo Dias, o conhecido jornalista de celebridades e apresentador do Fofocalizando comentar no Troféu Imprensa 2018, diretamente para Silvio Santos, a situação atual do jornalismo de sua emissora. Sobre as interferências do homem do baú, em sua época de SBT, Boris esclarece, “Silvio não interferia, na época ele nem aparecia na redação, no início o auditório do SBT era nos estúdios da Vila Guilherme, o Luciano Callegari era quem dirigia a parte artística  e a parte administrativa era por parte do sobrinho do Silvio, Guilherme Stoliar”.


O bordão mais famosos do jornalismo brasileiro completou 30 anos de existência, Boris contou como nasceu o famoso ‘Isto é uma vergonha’, “Nasceu rápido e sem querer, eu estava assistindo uma notícia sobre a morte do John F. Kennedy, e esta coisa da morte dele ficou na minha cabeça e aflorou quando eu vi uma reportagem nossa, que eu não tinha visto antes, de um pronto socorro em Pernambuco, onde pessoas estavam jogadas no chão, a falta de remédios, tudo ali era um cenário, que, pouco ou durante o regime não aparecia, e naquele dia apareceu com muita intensidade, e então eu lembrei desta história da morte do Kennedy, que deixou de ser transmitida numa pequena televisão do noroeste americano e, no lugar eles coloram a palavra ‘shame’, ao vivo,  e ficou só com isso na tela, então eu falei: ‘Isto é uma vergonha’. Após isso, alguém da direção veio falar que eu não podia fazer aquilo, e que eu agredi o telespectador. Mas quando eu cheguei na redação os telefones não paravam, as pessoas diziam que eu tinha dado voz a elas, que eu disse aquilo que elas queriam falar. Hoje eu sou cobrado quando eu não falo “Isso é uma vergonha’, é um bordão que tem 30 anos”, comemora.

Veja a entrevista na integra: