Agatha Moreira
Agatha Moreira (Divulgação/ TV Globo)

Agatha Moreira será Ema Cavalcante em Orgulho e Paixão, a nova novela das seis da Globo, que estreia no próximo dia 20 de março. A personagem da atriz que recentemente atuou em Novo Mundo, na mesma faixa, é uma moça casamenteira que esquece da própria vida amorosa e se dedica a cuidar do pai e do avô, após a morte da mãe.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Moreira conta detalhes de sua personagem e de sua vida amorosa pessoal, além de falar sobre os colegas que fez na época que atuou em Malhação (2012). A atriz também abre o jogo sobre como se preparou para interpretar uma das personagens mais queridas das obras de Jane Austen. Confira o bate papo completo abaixo:

Leia também: Viva a Diferença elevou Malhação a um novo patamar


Quais são as características de sua personagem em Orgulho e Paixão?

“Ela tem discursos muito conservadores, o que bate de frente com os discursos da Elisabeta (Nathália Dill), que é uma feminista de época. Então, está sendo bacana fazer uma personagem que coloque esse dilema em questão, sabe? Sobre a questão da vida das mulheres daquela época, então, ela acredita que a mulher tem o dever dela, de se casar, ter filhos e tudo mais. Ela prometeu para a mãe no leito de morte, quando era muito nova, que não deixaria nenhum outro homem entrar na vida dela. Então, o dever dela é cuidar do pai e do avô. E por isso eu acho que ela expondo um pouco os sentimentos dela, não olha pra eles e resolve cuidar dos sentimentos dos outros, resolve casar os outros, cuidar da vida amorosa dos outros. É isso.”

Ema Cavalcante, a sua personagem, vai se envolver com alguém no decorrer da trama?

“Tem o Jorge (Murilo Rosa), que é um advogado da família apaixonado pela Ema. Só que por timidez, por não saber se esse amor é recíproco, ou por falta de coragem mesmo, ele não fala sobre esse amor pra ela, ele não se declara pra ela. A Ema vai empurrar a Amélia (Letícia Persiles) para o Jorge, e fala: ‘Jorge,  você tem que se casar também, você é solteiro’. Ela não percebe ou não quer ver, o quanto ela gosta dele e que tipo de amor ela sente por ele. Então, ela só vai tentar entender esse sentimento a partir do momento que ela descobre que o Jorge gosta dela, e aí, ela já empurrou a Amélia pra ele, e talvez seja tarde demais. Ela é super boazinha, ela gosta de ajudar todo mundo. No fundo ela só quer ajudar as pessoas. É isso!”

Quais são os desafios?

“Eu acho que o desafio é tudo na gente, o desafio é a personagem em si (risos). Fazer mais uma personagem de época, que não é fácil, você contar uma história de 1910, que não é fácil. A forma de andar, de falar, a forma de agir é completamente diferente. Tudo isso se torna um desafio.”

Você de identifica com a sua personagem?

“Eu acho que só nessa questão de sempre estar querendo ajudar o outro, cuidar do outro, eu sou um pouco mãe assim também das pessoas e dos meus amigos. E ser casamenteira, eu desisti faz um tempo, porque assim, os dois pares que eu juntei foram um horror, que nunca mais faço isso na vida. Não deu certo, foi muito errado! Então, deixa isso com a Ema.”

Você fez alguma mudança para compor a sua personagem?

“Não, na verdade não. Graças a Deus, porque meu cabelo já estava muito sofrido com aquele mega hair da Domitila. Então, o cabelo que eu estava a gente manteve, eu só estava com as pontas um pouquinho mais claras, a gente deu um suavizada, mas nada demais.”

Como que é essa amizade da Ema com a Elisabeta, personagem da Nathália Dill em Orgulho e Paixão?

“As duas são muito amigas desde muito pequenas, elas cresceram ali no Vale do Café, são o oposto uma da outra. Elas se completam, a amizade se completa nesse lugar da Elisabeta, de ideias de liberdade, de querer fazer outras coisas, trabalhar, etc. A Ema não, ela acha um horror uma mulher trabalhar, porque ela foi criada com a cabeça do pai e do avô. Não é nem por culpa dela, foi o que ela aprendeu, o que ela aprendeu é a ser conservadora, a entender que uma mulher deve se casar, que uma mulher deve se portar bem, que uma mulher não deve se meter nos negócios dos homens. Ela tem muito essa cabeça. E a Elisabeta é completamente diferente dela, então, elas batem muito de frente por conta disso, por serem muito diferentes.”

Você já teve um momento na sua vida de querer arrumar casamento pra alguém?

“Eu fui cupido duas vezes, foi péssimo, uma coisa horrorosa, não deu certo e nunca mais tento na vida. Nunca mais faço isso.”

Ema (Agatha Moreira) em Orgulho e Paixão
Ema (Agatha Moreira) em Orgulho e Paixão (Divulgação/ TV Globo)

Como você classifica a sua carreira como atriz?

“Olha estou muito feliz, acho que tudo aconteceu do jeito certo, a maneira que tinha que ser e até melhor do que eu poderia imaginar, do que eu esperava, enfim. Tem 6 anos, que estou na casa, 6 anos, que eu não paro de trabalhar, emendando uma novela na outra, essa é a minha sexta novela dentro da casa e sempre personagens muito legais, sempre personagens que me desafiaram, todos eles foram um grande presente e o que é mais legal pra um ator, pra qualquer ator é que todos os personagens que eu fiz, eles são completamente diferentes e isso é muito bom, não ficar enquadrada num tipo de personagem, não, eu fiz vários tipos de personagens, isso é muito bom.”

Como foi para você ter terminado Novo Mundo, gravou um filme, e em seguida emendado com a novela Orgulho e Paixão?

“Eu não sei como eu fiz isso, nem me pergunte porque eu não sei (Risos). Realmente a gente, às vezes, tem que virar uma chavinha. Porque senão, paramos pra pensar: ‘o que é que eu estou fazendo?’ Entro em desespero, sabe? Mas foi muito bom também, não atrapalhou de forma alguma, só acrescentou. Por eu ter feito uma novela de época, só acrescentou coisas para estar fazendo uma novela de época agora, eu não estou tendo as mesmas dificuldade que eu tive em Novo Mundo, sabe? Tem diversas coisas, a linguagem, a forma de falar, tudo isso eu já estou acostumada, então, não me criou nenhum empecilho na hora de construir a Ema, mas é completamente diferente. Tem uma diferença no texto, até porque nessa novela, a gente também quer aproximar o público da gente, então não queremos deixar tudo extremamente rebuscado, que eu acho que isso pode afastar um pouco o público de certa forma. O público precisa entender o que está sendo dito.”

Você acha que a sua personagem só dará conta de que perdeu o grande amor, depois de já ter encaminhado ele para um casamento?

“Talvez sim (Risos).”

Você acha que ela não enxerga ele por quê?

“Eu acho que é mais por essa promessa que ela fez pra mãe mesmo, ela não se permite julgar, ela não olha para os sentimentos dela, sabe? Então, ela deixa de lado e não percebe, até porque o Jorge está ali na vida dela há muito tempo, ele é um amigo da família desde que ela se entende por gente, sabe? Que ele está ali, que ela conhece o Jorge. Então pra ela, ele é só um grande amigo, e até ela perceber que essa amizade pode ser um amor, demora.”

Já aconteceu isso com você?

“Não! Com amigo? Não. Não é nada anormal, mas comigo nunca aconteceu.”

Sua personagem é fechada para a própria vida amorosa. Como ela poderia sonhar com o casamento?

“Então, eu acho que a forma dela sonhar com o casamento é sonhando com o casamento das amigas.”

Você acha que ela coloca a felicidade dos outros acima da dela?

“Eu acredito que sim, sim. O tempo todo, porque ela em nenhum momento se pergunta se está sendo feliz, ela cumpre o dever dela, que é cuidar do pai e do avô.”

Você também é assim?

“Não (Risos). Eu acho que é mais essa coisa, como se fosse um instinto maternal digamos assim, eu gosto muito de cuidar dos meus amigos o tempo todo, sabe? Se precisar: ‘ah torci o pé, vamos no médico’. Eu cuido muito.”

Você gostar de falar sobre suas dificuldades para as amigas?

“Ah, gente. Com certeza! Amigo é melhor que terapeuta.”

Você curte o estilo bem bonequinha?

“Eu gosto, acho fofo. Eu acho que sou vaidosa na medida, não chego ser a Ema, porque a Ema é extremamente over, ela é completamente apaixonada por cada detalhe do que ela usa, florzinha que ela bota no cabelo, tudo é muito pensado. Eu acho que a Ema é um pouco mais pra esse lado do que eu, mas eu gosto.”

Você se inspirou em algo para compor a sua personagem?

“Estou lendo Ema, que é uma bíblia enorme (Risos). E assisti ao filme da Ema, também. Estou para assistir Orgulho e Preconceito. Eu tentei essa semana, dormi, mas tudo bem, estamos gravando muito, acontece. Mas sim, assisti a várias coisas de época que me dessem uma certa inspiração para entender mais ou menos o ano de 1910, como que era, tudo mais.”

Você tem emendado um trabalho no outro. Existe alguma cobrança da sua família com relação a isso?

“Ah sim, sempre. Já estou acostumada com a cobrança (risos).”

Você colocaria sua carreira à frente de outras coisas como, por exemplo, relacionamentos?

“Olha, não sei. Nunca tive que escolher pra saber, mas com certeza minha profissão vem em primeiro lugar. Eu sou capricorniana, extremamente trabalhadora, então, assim, o trabalho é muito importante pra mim, mesmo.”

Ema (Agatha Moreira) em Orgulho e Paixão
Ema (Agatha Moreira) em Orgulho e Paixão (Divulgação/ TV Globo)

Sua personagem tem dificuldade de abrir os sentimentos. E você, como é?

“Não tenho dificuldade nenhuma (risos). Tudo bem que meus amigos me acham um pouco pragmática, racional, é o lado capricorniano, mas minha lua está em câncer, está em câncer.”

Você é romântica?

“Eu sou, dou flores e tudo.”

Muita gente não tem acesso a literatura. Qual a importância de trazer a história de Jane Austen para o Brasil?

“Total, ainda mais uma mulher gênia, né gente. De 1870. Antes de 21 anos, ela escreveu ‘Orgulho e Paixão’, sabe? É muito importante, mas por outro lado também me surpreendeu a quantidade de fãs no Brasil que ela tem, mesmo. Tem diversos fã-clubes, está todo mundo muito ansioso pra ver como vai ficar, mas espero que a gente consiga passar a grandiosidade que ela foi para o público, porque acho que também se torna um certo incentivo à leitura.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.