Edson Celulari na coletiva de Malhação: Vidas Brasileiras
Edson Celulari na coletiva de Malhação: Vidas Brasileiras (Divulgação/ TV Globo)

Depois do sucesso A Força do Querer, Edson Celulari desembarca na próxima temporada de Malhação, intitulada Vidas Brasileiras. Na história escrita por Patrícia Moretzsohn, o veterano fará uma participação especial como Eduardo Mantovani, empresário envolvido em corrupção, e preso pela polícia federal logo no início da trama. Casado com Isadora (Ana Beatriz Nogueira), ele deixará a esposa e a filha Pérola (Rayssa Bratillieri) numa situação financeira complicada. O ator falou com nossa reportagem sobre a importância de participar de um produto que se comunica tão bem com os jovens atuais. Confira:

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Eu queria que você comentasse com a gente como vai ser a sua participação especial na novela…

“É uma nova temporada que vai se iniciar, com novas histórias. Vidas Brasileiras tem uma história principal e outras histórias paralelas que vão mudando a cada duas semanas. É um formato novo e muito inteligente, muito interessante. Eu faço uma pequena participação nos primeiros capítulos como um empresário corrupto que está sendo levado para prestar esclarecimentos na polícia federal. E o que é interessante é que a câmera não acompanha este empresário corrupto, isso que ele causa na família é o foco, é o interesse da câmera, da autora, da direção, desta história. O que ele causa à sua família, à sua esposa, à sua filha e até à sua funcionária. Não é à toa que Malhação é o produto mais antigo da TV Globo, porque tem muitas qualidades e essa capacidade de se reciclar, de se renovar e não é diferente desta vez. Eles estão vindo com muita criatividade, com muita inteligência, a (Patrícia) Moretzsohn, nossa autora e sua equipe, estão muito criativos, a direção também, assim como a qualidade artística, técnica. É um convite, vale a pena acompanhar Malhação: Vidas Brasileiras. É isso!”

A gente vê caras que aprontam que fazem falcatruas, né? Mas a gente não vê como é que ficam as famílias destas pessoas. A família do seu personagem chega a ficar desestruturada?

“Exatamente. Você se pergunta: será que a esposa não sabia das tramoias que ele estava fazendo? E a filha? E a funcionária? Será que ela tem alguma informação? É muito interessante, né? Pois a novela vai questionar isso. Para nós que estamos acostumados a ver pelos jornais a vida do corrupto em si, as consequências né? Se você quer que ele seja culpado e punido e nem sempre é, enfim, essa vida que a gente leva aqui no Brasil, mas a gente tem que ter esperança de que isso vai mudar. É claro que o programa foca nisso, mas foca principalmente nas consequências que este empresário causa à sua própria família, e às pessoas que o cercam.”

Rayssa Bratillieri, Ana Beatriz Nogueira e Edson Celulari na coletiva de Malhação: Vidas Brasileiras
Rayssa Bratillieri, Ana Beatriz Nogueira e Edson Celulari na coletiva de Malhação: Vidas Brasileiras (Divulgação/ TV Globo)

Você está fazendo só uma participação? Há chances de ele sair da cadeia e voltar?

“Não, eu acho que é só uma participação. Eu fico muito feliz de poder participar desse programa, desse conteúdo. É um programa que eu acho que tem o seu público certo. O objetivo de quem escreve é esse de atingir esses jovens, o que hoje em dia não é simples, e eu acho que dessa vez a Moretzsohn acertou em cheio, e este conteúdo está com muitas qualidades.”

Nós assistimos à performance destes jovens atores e eu quero que você me fale sua opinião sobre eles. Sobre essa galera que está chegando na nova temporada…

“Eles são maravilhosos, o que eu vejo são os jovens interessados, estudiosos. Quando eu gravei, todos sabiam seu texto, todos estavam integrados da história. Eu acho que essa é uma renovação necessária e acho que a própria TV Globo tem essa preocupação de instalar o seu elenco preparado, quando vai para o estúdio para gravar. E é isso que eu vi. Eu tenho boas expectativas não só neste grupo aqui de jovens que participam de Malhação, mas no geral, eu acho que gente que gosta de representar, estuda. Eles sabem disso. E eu vou dizer: ‘tem que estudar a vida inteira’”.

Você tem algum outro projeto pela frente?

“Eu vou estrear meu filme em abril. Se chama: Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos, onde eu faço um pizzaiolo cego, é uma história linda, de um homem que tem a oportunidade de começar a enxergar. Ele é um cego feliz. Tem a participação também da Soledad Villamil, que é uma grande atriz argentina. Tem Leonardo Machado, tem grandes atores também do Sul do Brasil. É uma história que se passa em São Paulo, ele é um pizzaiolo do Bexiga, corintiano, que tem uma vida normal, e aí tem a oportunidade de enxergar através de uma cirurgia. Não posso contar o final, mas é um filme de muita delicadeza do Paulo Nascimento.”

Queria saber como você se sentiu com a vitória da Beija Flor?

“Eu fiquei muito feliz, porque eu acho que é o momento de prova do carnaval carioca, porque ele tem muitas expressões. Ali da avenida, saber se estabelecer numa relação conturbada com prefeitura e ela deu provas que o carnaval ali na avenida, na Sapucaí, está muito vivo. Foram apresentações lindas, é um momento de união das escolas, é muito legal ver isso, eu soube de um momento ou de outro que houve uma dificuldade e houve uma colaboração conjunta. Isso é muito legal, acho que a gente tem muito o que aprender com esse tipo de solidariedade. Eu sou Beija-flor há muito tempo, há muitos anos, já toquei na bateria, já saí na diretoria, eu frequento o barracão, tem uma renovação dentro da Beija-flor.”

O enredo também foi muito impactante. Tem a ver até com o seu personagem, né?

“É uma consequência. Acho que surge como uma necessidade. Teve que usar a criatividade e aí que eu acho que o Carnaval serve muito a isso. A saber criticar, a apontar o dedo na ferida que tem que ser apontada, então, foi muito legal ter participado disso, ter vivenciado isso.”

A Karen também desfilou…

“Desfilou na diretoria.”

Mas foi a primeira vez dela?

“Primeira vez e pé quente.”

Ano passado foi um ano especial para vocês, né? Porque vocês já moravam juntos, mas fizeram um casamento lindo, um casamento mais intimista. Como aconteceu? Foi planejado por vocês?

“A gente queria de alguma forma registrar e celebrar a nossa união, daí chamamos meus filhos, pouquíssimos amigos e celebramos num local bacana, gostoso, e era um sonho até meu, a coisa da Toscana, da coisa italiana, eu estava naquela coisa do tratamento e falei num dia brincando, e aí realizamos e estamos felizes.”

É muito bonito ver o amor que o Enzo e a Sofia têm pelo pai quanto pela mãe. Isso chega a ser até um exemplo para outras famílias…

“Eu sinto que todas as famílias são assim. Eu sinto que eles são muito ligados aos pais e mutuamente. Foi muito legal a reação com relação a separação. Por que é assim, a vida segue e a gente tem respeito um pelo outro, Eu e Claudia, e a gente tem atenção conversada e compartilhada sobre os assuntos dos filhos, então, eu acho que isso é fundamental em primeiro lugar e o resto eu acho que só faz parte. Tem afinidades também da minha parte de cuidador. Os dois são maravilhosos, e estão se preparando para a vida. E acho que eles vão sofrer com questões que todo jovem na idade deles tem que enfrentar, mas eles têm coragem de enfrentar. Acho também que eles têm respaldo familiar, que é o que ajuda. E eles têm o pé no chão. Sabe que tem entrar na fila e saber que tem que se correr atrás das coisas e se não conseguir, tentar de novo e de novo.”

* Entrevista feita pelo jornalista André Romano