José Fidalgo como Constantino em Deus Salve o Rei
José Fidalgo como Constantino em Deus Salve o Rei (Divulgação/ TV Globo)

Na última semana o ator José Fidalgo apresentou ao público o guerreiro e vilão Constantino em Deus Salve o Rei, nova novela das 19h da Globo. Em seu primeiro trabalho na TV brasileira, o português contou à nossa reportagem como surgiu a oportunidade para participar da trama do autor Daniel Adjafre, falou sobre caracterização, preparação e personalidade do seu personagem. Além disso, José também comentou como está sendo contracenar com Bruna Marquezine, que interpreta a ambiciosa princesa Catarina. Confira:

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Como você recebeu o convite para interpretar o personagem Constantino em ‘Deus Salve o Rei’?

“O convite partiu a partir de um conceito chamado ‘Passaporte’, em que vários diretores e agentes são convidados por um grupo, em cada país, para conhecerem um determinado número de atores para em futuros projetos terem em mente um ator mais indicado para um papel. Em Portugal, eu tive a oportunidade de falar com três brasileiros, um deles foi o André, que trabalha na TV Globo. A gente falou um pouco dos meus objetivos, o que eu queria em relação ao Brasil. Eu respondi que o Brasil seria um país como outro, para o ator que pretende alcançar uma carreira internacional, assim como eu quero. Eu não quero trabalhar só no meu país, eu quero trabalhar em vários, se for me dada essa oportunidade. A grande vantagem que eu tenho no Brasil é a língua, então, é óbvio que eu agarrei a oportunidade quando esse convite surgiu depois da reunião.”

Depois você chegou a fazer um teste?

“Nada! Eu fui convidado e pediram para eu fazer um vídeo só para verem como estava o meu brasileiro, porque eles ainda não sabiam. Todo dia eu estou tentando falar de maneira mais fluída possível e perceptível. Mas na altura, eles não tinham a ideia se eu ia falar brasileiro ou português. E quando eles viram o vídeo decidiram arriscar, apostar nessa possibilidade, eu fiquei agradecido. Mas o Constantino não fala um brasileiro típico e eu, como ator, tenho a sorte de criar uma linguagem nele. Tanto que esse cara é do sul do continente onde tem vários reinos. Então, pode sempre haver um outro termo, uma outra palavra, uma outra sílaba que possa buscar o português, mas sem ferir.”

Essa novela traz um cenário medieval, mas também não deixa de ter uma história de conto de fadas, né?

“Sim. Tanto que eu e os outros atores tivemos um trabalho fonético, de poder adaptar essa linguagem a esse tempo medieval.”

Como está sendo sua preparação para o personagem? Já vimos que as meninas tiveram aulas de arco e flecha, de hipismo. E vocês? 

“Estou há dois meses no Brasil. Foi o mesmo, só que não na mesma altura, porque eu cheguei depois. Teve a preparação com o cavalo e estou tendo coreografia e preparação para luta, porque essa novela vai ter grandes batalhas. Então, a preparação foi muito no sentido físico.”

Para interpretar e traçar a personalidade do Constantino, você se inspirou em algum personagem da série ‘Game of Thrones’? 

“Em tudo na vida você tem uma referência, não só como ator, mas em qualquer profissão. Então, eu não fujo das referências atuais, mas a gente pode buscar um Bret Hart, por exemplo, e a partir daí tirar os maneirismos ou métodos como eles trabalharam. Depois foi tudo muito criado por mim, através da personalidade que eu tenho com as características, as diretrizes, que o próprio diretor e roteirista mandaram.”

Você chega aqui no Brasil com quantas novelas no currículo? Você já fez série?

“Eu trabalho como ator desde os 18 anos, comecei fazendo teatro. Hoje, eu estou com 38 anos, e já tenho várias novelas, várias peças, não tantas quanto eu gostaria, mas são decisões na vida que a gente toma. Graças a Deus, já consegui passar por várias plataformas em que o ator pode trabalhar, até teatro de rua. Tenho a missão de querer muito mais e de fazer muito mais.”

E o que você pode falar do seu personagem? Ele é bonzinho ou ele é ruim?

“Ele segue um código de honra, ele é um guerreiro. Aí a gente pode procurar essas referências. Como qualquer guerreiro da época medieval tem qual objetivo? Guerra, conquistar. O Constantino quer conquistar. Mas o quê conquistar? Ainda não sabemos, vamos esperar para ver. Agora, o que eu acho é que ele vai ser visto como alguém que não vai ser muito bom. Ele vai ser um vilão com certeza, até porque o método que ele vai utilizar para conquistar o que quer, não é sempre o melhor.”

Como foi gravar com a Bruna Marquezine? Você já conhecia os trabalhos anteriores dela?

“A Bruna é como qualquer outra atriz com quem eu tenho trabalhado até hoje. Com todo o respeito, a gente faz um trabalho com o objetivo de fazer uma grande novela. Ela é uma atriz que tem muito potencial e eu estou muito contente por isso.”

Vocês serão um casal romântico, serão amantes. Você sente que os personagens tiveram uma química?

“Eu trabalho sempre no sentido de extrair melhor o que existe no outro ator, e do contrário também. Ou seja, nós temos o objetivo de fazer um bom papel e, para isso, a gente dá o melhor.”

Você está percebendo que o seu nome está em evidência por conta de um ‘clima’ com a Marquezine durante as filmagens?

“São vocês que criam esse clima.”

Mas você acompanha a repercussão? Tem consciência de que o seu nome está sendo conhecido por conta desse suposto clima?

“Não. Até agora tem sido reconhecimento através do que eu fiz com o trabalho, sempre desse contexto. E é por aí que eu vou me guiar. Até agora só viram coisas relacionadas ao trabalho e, assim, continuarão vendo.”

Constantino (José Fidalgo)
Constantino (José Fidalgo) (Divulgação/ TV Globo)

Você está solteiro?

“Eu só não falo da minha vida pessoal.”

Você vai ficar no Brasil ou é só por conta do trabalho?

“Até agora é por trabalho, depois eu vou voltar. Eu tenho saudades da família, dos amigos e da minha terra natal também.”

Você já tinha trabalhado em outro país antes do Brasil?

“Meu trabalho tem sido feito há dez anos, pelo menos, com o objetivo de ir conhecendo pessoas, diretores, tentando ter um agente que esteja em cima do que se vai passando, que é nos Estados Unidos, Espanha, França e, dessa vez, surgiu o Brasil. Eu fiquei contente, até porque não há só uma relação profissional, há uma relação afetiva. Nós temos a noção e a cultura do Brasil há 30 anos, coisa que vocês não têm em relação a Portugal. A gente sabe perfeitamente o que é uma novela, a gente assiste novela há 30 anos em Portugal.”

Então, você está contracenando com atores já conhecidos?

“Está sendo uma honra trabalhar com o Nanini, com o Tarcísio Filho, com a Rosamaria Murtinho. Eu pareço um moleque olhando para eles, porque eu me lembro de quando era moleque e via as novelas em que o Nanini entrava. Para mim, está sendo um sonho.”

Você é um cara ligado à moda? Essa barba e cabelo são para o personagem?

“A barba é minha, o cabelo já é a extensão que fica. Ainda tem outra que é um dread, mais cabelo para fazer as tranças. Quando tem dois ou três dias de descanso, eu tiro para dar uma descansada no couro cabeludo. Eu sempre gostei de moda, não que eu seja um fanático, no bom sentido. Eu procuro estar um pouco a par das tendências, porque a minha relação com a moda é um pouco peculiar nesse sentido, ou seja, eu tenho uma ligação com a roupa, procuro fazer história com o que uso. Eu não uso qualquer roupa, no sentido de uma camiseta, uma calça, tem que ter uma história: porque fez uma viagem comigo, porque fez o meu primeiro casting, porque fez parte de um momento muito importante para mim. Eu tenho uma bota há 15 anos, e até hoje ando com ela, não posso deixar de usar porque representa momentos bons da minha vida. Então, essa é a relação que eu tenho com a moda.”

Quais são as peças que você mais gosta?

“Botas (risos).”

O que um homem tem que ter para estar sempre bem vestido? O que não pode faltar no guarda-roupa?

“Nunca pode faltar uma camisa. Nunca pode faltar um bom terno, porque você enquanto ator, tem que estar disponível para várias situações. E não é só o fato de ter um terno em casa, quando você veste um terno, você assume uma postura. E isso é bom para o ator, brincar um pouco com essas ocasiões.”

E você tem um figurino bem medieval agora com a novela, né?

“Eu estou supercontente com esse figurino. Eu, sinceramente, não vejo esse trabalho como uma novela, eu vejo como uma série, um filme. Eles estão apostando muito nessa novela, é uma megaprodução, são muitos detalhes.”

Na época do incêndio no galpão utilizado para a produção de ‘Deus Salve o Rei’, o diretor Fabrício Mamberti teve muita garra e disse, inclusive, que o acidente não iria atrapalhar, que tudo seria reconstruído. No final, tudo deu certo, né? 

“Isso é algo que eu posso destacar em vocês brasileiros. Vocês não se vão abaixo, isso é bom. Qualquer coisa é motivo de bola para frente. No dia que o Fabrício falou que aquilo não levaria ninguém abaixo, a gente fez uma festa. Eu fiquei supercontente com essa motivação, é uma maneira de pensar diferente. Isso é algo que vocês devem transportar para o mundo.”

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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