Debora Bloch
Debora Bloch (Divulgação/ TV Globo)

Rosinete é nome da nova personagem de Debora Bloch, que estará em Onde Nascem os Fortes, supersérie que a Globo estreia em abril. Na história de George Moura, a mulher é uma zelosa mãe que cuida sozinha de sua filha, uma jovem que tem uma doença degenerativa. Em conversa com o Observatório da Televisão, a atriz falou sobre a trama, e como construiu a personagem. Confira:

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Como é a sua personagem?

Eu faço a personagem Rosinete, que é casada com o Pedro (Alexandre Nero), um homem muito rico e poderoso na cidade e que tem uma filha com uma doença crônica incurável. Ela passa a vida cuidando da filha e rezando para que a menina fique boa. Ela é traída pelo marido, e sabe que é traída, então é uma mulher com uma crise no casamento e com uma filha doente dentro de casa.

O Nero falou sobre a realidade do sertão, de lugares inóspitos serem muito machistas, de terem uma tradição machista da mulher não ter muitas escolhas. Como é isso em relação à sua personagem?

Mesmo os não inóspitos. O personagem dele é o arquétipo do cara poderoso, machista, que tem a mulher em casa com a filha. Ele diz para a mulher que ama, mas a trai com a assistente, e essas figuras são infelizmente conhecidas. Sabemos como funciona esse tipo de casamento, e ela é mulher que está infeliz no casamento, com uma filha para cuidar, e também uma mulher muito presa a valores tradicionais, que foi criada para casar, ter filhos e continuar casada apesar de tudo.

Você acha que ela é muito apaixonada pelo marido ou continua nessa relação pelos filhos?

Acho que ela está querendo continuar casada, e recuperar, reavivar o casamento. Não vou dar spoiler. Ela tem consciência da traição do marido e acaba engolindo um pouco.

O que é a prioridade na vida da personagem? Cuidar da filha doente, ou tentar recuperar o casamento?

Acho que as duas coisas, afinal a família para ela é a coisa mais importante. É mulher de valores tradicionais, que são muito importantes naquele lugar, manter as aparências.

O Nero falou que os dois vão tentar fazer com que esse casamento funcione. Você acha que é possível um casamento que envolveu traição e desgaste voltar a funcionar? 

Eu acho que depende da vontade das pessoas de continuarem casadas. Casamento é escolha. Você faz a escolha de estar casada ou separada.

Ultimamente você tem feito produtos mais curtos na televisão. Eles são melhores para o ator?

Considere que eu dei sorte, porque nesse momento da minha carreira e vida, são trabalhos mais desafiadores e que me trazem mais novidade. Acho que nessas séries, temos mais tempo. O ritmo é diferente de gravar uma série e gravar uma novela. Novela é um trabalho além de exaustivo, muito rápido porque precisamos colocar o capítulo no ar. Já na série existe esse tempo maior para se trabalhar, porque fazemos na série inteira um volume de cenas que numa novela fazemos em 1 semana. A série que foi ao ar recentemente, Treze Dias Longe do Sol, eu gravei há 1 ano.

Como tem sido a parceria com o Nero em cena? Ele disse que gravaria com você hoje pela primeira vez…

São três cenas que formam uma por ser um plano sequência. Foi ótimo, gostei muito de trabalhar com o Nero, nunca tinha trabalhado com ele, é muito divertido, tem muito humor.

Mesmo a doença da filha não tendo cura, a personagem se empenha numa possível salvação para a menina?

A doença da filha não tem curta, é uma doença auto-imune mas ela tem sempre uma esperança. A Rosinete tem o hábito da corrida, corre muito, e corre rezando. A corrida para ela é uma mistura de descarrego com sacrifício, como uma coisa religiosa de penitência. Ela coloca a energia dela na corrida, o que é interessante porque a corrida é uma coisa bem contemporânea no meio de características tão tradicionais. Mas ao mesmo tempo que esses personagens são do sertão, eles são bem atuais, como é o interior hoje em dia, super conectado.

Na vida real, você já corria não é? Ela te fez correr mais?

Eu voltei a correr por causa da personagem. Eu já corria antes, mas machuquei o joelho e comecei a nadar, e agora voltei a correr pela personagem. Tenho corrido de 4 a 5 quilômetros.

Você é uma pessoa religiosa como a sua personagem?

Eu não sou uma pessoa religiosa, mas não tenho julgamento se é bom ou não. Religião é uma escolha muito pessoal de cada um que precisa ser respeitada.

Lara Tremouroux, Alexandre Nero, Debora Bloch e Gabriel Leone em Onde Nascem os Fortes
Lara Tremouroux, Alexandre Nero, Debora Bloch e Gabriel Leone em Onde Nascem os Fortes (Divulgação/ TV Globo)

Ela se sente de alguma forma responsável pela doença da filha?

Não, mas acho uma coisa muito pesada você ter uma filha que possui uma doença que não tem cura, o que te dá uma certa impotência. A menina requer cuidados mesmo sendo grande, então ela tem esse sacrifício da entrega.

Como é interpretar uma mulher completamente diferente de você?

É ótimo. Eu acho que é muito mais interessante quando você faz um personagem diferente de você, e precisa descobrir aquela pessoa.

Como você se preparou para a Rosinete?

Primeiro comecei a correr, para me preparar pra correr no sertão, porque na cena sou eu mesma que faço, e criei essa rotina parecida com a da personagem. Fizemos preparação com o Chico Accioly, e fizemos ensaios para trabalhar no texto.

Vimos que no seu Instagram você postou várias fotos do sertão. Você gostou de lá?

Gostei muito! É muito bonito, tem uma luz muito bonita, e é uma paisagem que conhecemos pouco, porque o Brasil é muito diverso. Não fiquei muito tempo lá infelizmente, mas gostei muito.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano

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