Bruna Marquezine
Bruna Marquezine (Divulgação/ TV Globo)

Aos 22 anos de idade, Bruna Marquezine encara pela primeira vez o desafio de dar vida à uma vilã em uma novela. Em Deus Salve o Rei, ela será Catarina, uma ambiciosa princesa que por sede de poder, trava uma guerra com o reino vizinho, até então seu principal aliado. A atriz conversou com nossa reportagem durante o evento de lançamento da trama e falou sobre o quão difícil é interpretar uma vilã, sua nova fase da carreira, e como construiu a malvada tão diferente de suas personagens anteriores. Confira:

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Conta para a gente como está sendo interpretar a Catarina, sua primeira vilã?

Primeira vilã é um grande desafio. Nunca pensei que fosse tão difícil, mas tenho uma sensação de conquista ao final de cada longo dia de trabalho. É exaustivo interpretar uma vilã, sobretudo de uma história de época, e a Catarina não é um pouco malvada, ela é malvada de verdade, o que me exige uma energia e entrega muito grandes. Ela é um tipo de personagem que me permite criar e explorar lugares diferentes, já que com cada pessoa, ela se comporta de uma forma distinta. É dissimulada, sabe a hora certa de agir, de falar, e é calculista, o que me permite criar uma faceta a cada interação dela. Tem sido muito trabalho, e muito estudo.

É uma trama bem diferente, né?

Como é uma trama muito distante de nossa realidade, é necessário mergulhar completamente nesse universo. Se o elenco inteiro não estiver muito alinhado desde a forma de falar, e de ser, o público não acredita. O público tem que acreditar nesse continente que se chama Cália, o público tem que embarcar nessa história. Desde o início houve uma preocupação grande de criar isso de forma tão consistente para que os telespectadores pudessem embarcar na história. Imagina para a gente fazer preparação antes de ver a cidade cenográfica, antes de ver os efeitos? Era complicado entrar nesse universo medieval, mas tínhamos uma missão maior que era fazer que o público acreditasse. Fiquei arrepiada hoje a noite inteira vendo os vídeos, porque é um projeto que dá tanto orgulho de fazer parte, é tão bonito, legal ver a  TV Globo inovando dessa maneira, e fazer parte disso é emocionante!

As mocinhas que você interpretou anteriormente ajudaram você a construir essa vilã?

Tudo tem seu momento certo. Cheguei a dividir com meus diretores que quase não me sentia capaz a dar vida à Catarina, porque é muito difícil para mim, e desafiador, mas acredito que veio na hora certa. Como acredito muito em Deus, na palavra diz que Ele dá uma cruz do tamanho que a gente consegue carregar, então, se fui abençoada com esse papel, vou me dedicar, e me entregar ao máximo. Veio numa hora especial da minha carreira, estou mais madura como jovem mulher e num momento que estou com muita sede de trabalhar.

Você chorou ao ver os vídeos da novela durante a Comic Con Experience. O que passou pela sua cabeça naquele momento?

Eu não tinha assistido a absolutamente nada. Como é algo muito distante de tudo o que a gente já fez, o elenco tem essa dificuldade de visualizar, aí o Fabrício Mamberti (diretor) chama a gente para assistir às cenas pré-editadas, e nunca fui ver, porque não gosto. Quando vi o primeiro clipe dos efeitos especiais, aquilo me emocionou muito e quando pisei no palco, entrei meio emocionada, me deu uma grande sensação de orgulho. Provavelmente você já ouviu muito ator dizendo: “A equipe da novela virou uma família”, e não que seja mentira, mas às vezes não é tão verdade assim (risos). O clima dessa novela é algo que nunca vivi antes. Uma vez o Fabrício usou a palavra “família” para definir nossa equipe, e eu usaria a palavra “exército”, talvez por estarmos falando dessa era medieval e porque nosso caminho desde o início é muito doido, porque não foi fácil, inclusive muitas coisas que aconteceram em nosso percurso (fala em relação ao estúdio que foi devastado por um incêndio). Já vi equipes desanimarem por muito menos, e nossa equipe só se fortaleceu, como um exército, um grupo que está preparado para qualquer batalha, e que tem em mente a vitória garantida, independente de ibope, então, a sensação de sucesso já existe pela nossa dedicação, por acreditar.

Bruna Marquezine
Bruna Marquezine (Thiago Duran/AgNews)

Como está sendo essa sua nova fase?

Então, acho que fui crescendo nesse meio e todo mundo passa por transformações, muda de pensamento, comportamento, maneira de vestir, a diferença é que me acompanharam fazendo isso. Graças a Deus, todo dia acordo um pouco diferente. Tenho 22 anos, estou na fase que acredito ser de muita descoberta e autoconhecimento, de estar conectada com meu lado espiritual e me descobrindo como imagem, quem sou eu para as outras pessoas, o que represento, no meu trabalho, na minha arte. As pessoas me conhecem desde pequena e às vezes me cobram por algumas coisas, o que é meio cruel.

O que está ajudando você na sua descoberta?

O que ajuda todo mundo. Fé é essencial independente de religião. Autoconhecimento de todas as maneiras. Eu acho muito difícil crescer como ser humano sem um momento de reflexão, sem meditação, sem uma boa análise, boa terapia. Isso é o que tenho buscado, cuidar de mim de verdade. Vivemos num mundo de muitas aparências, e a gente foca primeiro nisso, e quando a aparência está perfeita, do jeitinho que a gente quer, a gente não se sente mais completo.  Então, acho que estou cuidando nesse momento do que é realmente importante e válido.

Você é uma atriz jovem que se joga. Em algumas cenas divulgadas de Deus Salve o Rei,  percebemos um tom de voz diferente, e tudo o que você faz tem uma dimensão enorme, né?

Até agora estou bem feliz com a repercussão do que o público viu. A Catarina já mudou muito, porque estamos descobrindo coisas novas durante o processo. Fico feliz também por esse retorno em relação ao José Fidalgo, e que as pessoas acreditem nesse casal, porque é isso que a gente quer, contar uma história que toque o telespectador de alguma maneira. O que é muito doido nessa novela, é que estamos dividindo muita coisa com o público e vocês sabem muito bem que a TV Globo não divide nada com o público até a novela estrear, e pela primeira vez, a Globo entendeu essa mentalidade desse mundo de internet, e o público está podendo participar antes da novela estrear. Tem gente divulgando bastidores, surpresas, coisas que nunca fizemos, e o legal é conquistar um púbico antes dessa história ser contada. Estamos chegando com um produto muito diferente, o que ajuda o público a entender esse universo, e se identificar de alguma maneira.

A Catarina tem uma paixão avassaladora pelo Constantino. Esse amor é real?

Na verdade, entre a Catarina o Constantino é um encontro muito potente, de muito fogo, muita atração e os dois são muito parecidos. Ambos têm obsessão pelo poder, e se unem pela atração e porque se tornam aliados nessa caminhada pelo que querem conquistar. É um relacionamento baseado em paixão e entrega, mas ao mesmo tempo em insegurança, porque são dois personagens muito perigosos. A Catarina sente que a qualquer momento o Constantino pode traí-la, e ele sente que ela pode mandar matá-lo a qualquer momento também. É uma relação muito diferente do que estamos acostumados a ver em novelas. Existe um interesse e uma verdade entre eles.

Você se identifica com a Catarina em algum aspecto?

Sempre vai ter alguma coisa, mas pela primeira vez me propus a criar uma personagem do zero, sem emprestar nada meu para ela. Sempre que recebemos um personagem, procuramos saber o que a gente tem em comum com ele, porque lógico, queremos o caminho mais fácil para não sofrer tanto, mas a Catarina me tirou da minha zona de conforto. Não tentei identificar nela características minhas e entendi que só empresto meu corpo para ela. Trazemos um debate da ambição nesses primeiros capítulos,  que sempre tem uma conotação negativa, e ela expõe isso, que a ambição não é algo ruim, e, sim, algo que lhe motiva a sair do lugar.

Você mostrou para a Fernanda Souza um louvor que a ajudou num momento que ela precisava. Isso uniu mais vocês?

Falando desse caso da Fernanda, ela e eu nos tornamos amigas de verdade ali. Uma grande amiga minha, a mesma que estava cantando o louvor, disse para mim uma vez, que Deus não une pessoas, e sim propósitos. Então, se alguém entra na sua vida, é porque essa pessoa tem um propósito na sua vida. Eu acredito muito em Deus, óbvio que ser usada por ele é sempre uma honra, mas não é mérito meu, fui apenas instrumento dele, e fico feliz de saber que fui usada por Deus para tocar uma vida. Tenho pensado muito sobre redes sociais, e essa coisa de no Instagram, a gente dividir bastante a nossa vida “perfeita” e pouco as nossas dificuldades. Por muito tempo me cobrei para ser um exemplo de perfeição, até entender que eu jamais seria perfeita, e isso é um erro. Por que não falar das nossas dores e do que nos incomoda? Temos muito mais a aprender com um exemplo de sinceridade, do que com um exemplo de perfeição, que nunca iremos alcançar. Prefiro dividir hoje o que é real ou não dividir absolutamente nada, porque às vezes precisamos não dividir com ninguém.

Muita gente comparou Deus Salve o Rei ao sucesso Game Of Thrones

Cara, a comparação com Game Of Thrones surgiu no momento que as pessoas viram as primeiras imagens da novela, e claro que iria acontecer, porque é o mesmo universo. Ficamos lisonjeados por sermos comparados com um projeto de tamanha qualidade como Game Of Thrones, mas compararam os figurinos, o que é muito superficial. Deus Salve o Rei é uma comédia, um horário diferente, uma história diferente. A direção passou para a gente que nós mesmos criaríamos nossos personagens, só usando o texto da trama, que é muito rico de informações. Tínhamos tudo o que precisávamos nos capítulos e criamos nosso universo do zero, até porque queríamos que a nossa novela tivesse uma identidade própria. É normal o público comparar com algo que já conhece.

Catarina (Bruna Marquezine)
Catarina (Bruna Marquezine) (Divulgação/TV Globo)

Você faz uma vilã que também é princesa. Você já sonhou em ser princesa na infância?

Fiquei refletindo sobre isso, nunca pensei ser uma princesa na infância, sempre me interessei mais pelas histórias de aventura. Acho que eu não teria paciência, não conseguiria.

Como é sua relação com a moda? Você já foi criticada algumas vezes por seus looks ousados, não é?

Acho que se a gente se prender a críticas, nos afastamos ao que de fato somos, e começamos a construir nossa imagem a partir do olhar do outro. Graças a meu belo terapeuta, e muitas orações, entendi que eu precisava buscar dentro de mim, o que de fato me agradava. A moda é consequência do meu trabalho, por causa dos eventos, eu comecei a me divertir com ela, e entender que moda também é arte, e a arte me fascina. É uma maneira de me expressar e mostrar quem eu sou.

Você liga para as críticas?

As únicas que ligo são de fato as relacionadas ao meu trabalho, porque temos sempre algo a melhorar.

Você chegou onde sempre sonhou?

Que pretensioso responder isso, não sei. Estou muito feliz onde estou, grata pelo que conquistei, pretendo seguir trabalhando, se Deus quiser e permitir, não sei onde quero chegar, mas quero seguir meu caminho.

Teve algum momento que você pensou em desistir da carreira?

Teve um momento sim, mas não foi recente, foi quando eu fiz a Lurdinha em Salve Jorge. Eu tinha 18 anos, e como era uma personagem com apelo sexual maior, as pessoas começaram a me olhar de maneira diferente e comecei a receber críticas, comentários, e isso foi da noite para o dia. Começaram a inventar coisas de mim, o que me assustou. Então, comecei a repensar, porque as consequências da profissão me assustaram, mas com apoio da família, profissionais, fé, fui entendendo a maneira de lidar com isso.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.

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