Vivendo uma prostituta em O Outro Lado do Paraíso, Mayana Neiva fala sobre preparação para a personagem: “Impactante”

Mayana Neiva
Mayana Neiva Divulgação/ TV Globo)

Mayana Neiva estava nos Estados Unidos quando recebeu o convite para participar da novela O Outro Lado do Paraíso. Longe das telas brasileiras desde 2013, a atriz conversou com nossa reportagem e contou detalhes sobre a personagem Leandra, uma prostituta do interior do Tocantins, e a preparação para viver tal papel, que a levou a imergir no universo das garotas de programas. Confira:

Leia também: O Outro Lado do Paraíso: Para evitar a cadeia, Elizabeth aceita forjar a própria morte

Como surgiu o convite para a personagem?


Eu estava em Nova Iorque, fazendo uma série lá chamada Rotas do Ouro, e o Mauro Mendonça Filho me ligou dizendo: “Quero você nesse trabalho”. Eu estava cansada, mas queria muito trabalhar com ele e com essa equipe que é muito especial. Desde o texto, a escolha da temática, o Walcyr, os atores. Imagina, a preparação, você “batendo” o texto com a Fernanda Montenegro? É uma novela que está sendo feita com muito cuidado.

Você está sem fazer novela desde Sangue Bom, não é?

Sim, já faz muito tempo. Eu fui morar fora do Brasil, estudar cinema e meditação. Fui amar também, e viver outras coisas. Fiz duas séries na Argentina, dois filmes e duas peças nos Estados Unidos. Foi um período importante para mim, tanto que logo mais irei estrear a série O Hipnotizador, na HBO América Latina, então tive muito trabalho.

Você estava sentindo falta das novelas?

Estava sentindo falta dessa coisa que só a novela tem que é essa comunicação com o público brasileiro, e as pessoas conversam sobre isso na rua, é muito bom.

Como está a rotina das gravações?

É muito gostoso. Foi bem diferente por termos gravado no Tocantins, é muito legal gravar em um lugar novo que a gente nunca foi. O ritmo de novela só vai pegando depois que já está no ar, porque no começo é tudo muito fresco.

Sua personagem é mulher sensual. Você se acha sensual?

A personagem é, eu não. Se você acordasse comigo nunca diria que sou sensual (risos). Minha personagem é a Leandra, uma prostituta do interior do Tocantins, e uma mulher que vai enfrentar questões de preconceito, guarda muitos mistérios e tem uma conexão forte com a Mercedes, personagem da Fernanda (Montenegro), e vai trazer elementos bem interessantes. Ela começa na segunda semana, e estou gostando bastante. Nunca tinha feito uma prostituta antes, sobretudo, uma do interior, que não tem aquela aura de glamour da Avenida Atlântica.

Você mudou sua visão sobre as prostitutas?

Completamente! Fiz uma pesquisa enorme, conversei com várias, vi vários documentários, e foi uma revolução na minha própria mente porque nunca tive contato com esse universo. Por exemplo, as prostitutas suecas estão atualmente reivindicando a legalização da prostituição, porque é a última fronteira do feminismo. Quanto mais se criminaliza, mais elas ficam expostas a violência. Se você bate em alguém que para a sociedade não existe, aquele crime fica escondido. Internamente, como mulher, foi muito bom saber dessas coisas. E como a Leandra é uma mulher do interior, é tudo mais difícil. A Leandra, apesar de ser esperta, e estar na vida, sempre quer sair, se apaixonar. É muito complexo isso.

Quais foram suas principais referências?

Primeiramente em documentários, inclusive tem vários no Youtube, assisti a um filme argentino chamado O Lado Secreto do Coração. Queria sair do óbvio, tipo Uma Linda Mulher, e procurar mais o underground, e lugares mais crus. Fui a São Paulo conversar com algumas delas, e foi muito impactante para mim, até no ponto que você ama, e se compadece com as histórias. Algumas que precisaram ir para fora do país se prostituir para ajudar a pagar dívida de jogo do marido. Situações que de fora você imagina uma coisa, e quando você olha de perto, são completamente outras.

Entrevista feita pelo jornalista André Romano.