“Temos atualmente 3 mil quilombos no Brasil”, explica Zezé Motta que interpretará uma quilombola em O Outro Lado do Paraíso

O Outro Lado do Paraíso
Zezé Motta (Divulgação/ TV Globo)

Após participar da novela Escrava Mãe da Record e da trama Ouro Verde em Portugal, Zezé Motta estará de volta à Globo na novela O Outro Lado do Paraíso. A atriz que viverá uma quilombola no folhetim assinado por Walcyr Carrasco conversou com nossa reportagem e contou que conheceu diversos quilombos espalhados pelo Brasil, e que a novela mostrará o quanto eles ainda precisam de assistência. Confira:

Leia também: O Outro Lado do Paraíso: grávida e cansada de apanhar, Clara ameaça enfiar faca na barriga de Gael

Como está sendo para você falar sobre os quilombos?


Toda vez que se fala em quilombo, as pessoas reportam para a data de 1600, mas temos atualmente cerca de 3 mil quilombos no Brasil. Eu conheço cerca de 40. Pelo que li na sinopse, a ideia do Walcyr Carrasco é mostrar como se vive no quilombo e fazer denúncias também, porque os quilombolas são muitos marginalizados assim como os índios, assim como os negros, e são tratados como minorias no país quando na verdade temos muitos quilombos por aí. Se alguém me perguntar o que falta nos quilombos, eu vou dizer que em alguns faltam quase tudo, e em outros faltam quase tudo. Falta professor, falta médico, saneamento básico, e alguns não tem nem luz elétrica, ou seja, vivem abandonados. Eu fui Conselheira dos Direitos Humanos no governo Fernando Henrique, foi quando comecei a conhecer a realidade dos quilombos, e durante o governo Lula também foi feito um trabalho para apoiar os quilombolas, mas eles estão abandonados há tanto tempo que não sei quanto tempo vai demorar para que deixem de ser marginalizados.

Quem faz parte do seu núcleo?

O meu núcleo entra na segunda fase, e a única coisa que sei é que a Erika Januza será minha filha. Estou encantada porque minha personagem usa capim dourado dos pés à cabeça. É lindo este trabalho feito com o capim dourado. Cada quilombo sobrevive de uma maneira: agricultura, artesanato, gastronomia, e essa coisa do capim dourado, todo acessório que vamos usar na novela, é confeccionado por uma quilombola do Tocantins mesmo.

Você gravou no Jalapão?

Infelizmente não. Eu vou começar a gravar aqui, num quilombo mais próximo.

Você falou que conheceu vários quilombos. Você ficava com eles?

Não. Passava o dia inteiro, depois eu voltava para o hotel. Eu acho que eles não estão preparados para hóspedes, ou os hóspedes não estão preparados para ficar, mas é uma boa ideia para uma próxima vez.

Essa novela marca o seu retorno a TV Globo, não é?

Sim, verdade. Minha última novela na Globo foi Boogie Oogie, que já perdi a noção do tempo que faz, creio que faz 4 anos. Fiz Escrava Mãe na Record, e uma novela em Lisboa, que foi uma experiência fantástica. Eu não precisava falar com o sotaque português porque eu fazia parte de uma família brasileira na trama. Inclusive, muitos atores brasileiros atualmente vivem em Lisboa, nunca encontrei tantos como dessa vez.

Existe uma diferença de produção?

Não. A produção é impecável, figurinos belíssimos, ótima direção e preparação de atores. Foi uma experiência muito legal.

Como está sua música? E como faz para estar com esse corpo?

Eu engano direitinho, eu não estou magra não (risos). Sobre a música, tenho novidades, vou lançar um novo álbum chamado ‘O Samba Mandou Me Chamar’, está muito bonito e estou muito animada. Ainda não decidimos qual será a música de trabalho, mas tem tanta coisa boa que nem sei por onde começar.

Entrevista feita pelo jornalista André Romano.