Selton Mello fala sobre participação em novela das 21h escrita por Manuela Dias: “Eu adoraria fazer parte desse projeto”

Selton Mello
Selton Mello (Divulgação/TV Globo)

Na última quinta-feira (02), foi disponibilizada na Globo Play, a série Treze Dias Longe do Sol, estrelada por Selton Mello. O ator bateu um papo com nossa reportagem que esteve presente no evento de lançamento da série, e falou sobre Saulo, seu personagem na história, sua trajetória, o reencontro em cena com Carolina Dieckmann com quem atuou em 1993 na novela Tropicaliente, e seu projetos futuros dentro e fora da TV Globo. Confira:

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Pode adiantar um pouco desse personagem em questão?


Meu personagem é o Saulo, um engenheiro que cuida de uma construção de um centro médico. Ele, que é ambicioso, quer ser sócio da construtora. Por conta disso, ele acaba fazendo uma obra barata, usando um material não tão bom, isso acaba gerando a queda do prédio. E, ele está lá embaixo soterrado. Isso acontece na hora que a personagem da Carolina Dieckmann (Marion) chega. Ela dá uma dura nele, já que é filha do dono. Você logo entende que eles têm alguma coisa. E, eles ficam presos lá embaixo. A série se passa em dois tempos: nos personagens do mundo de cima e nos personagens do mundo de baixo. A gente lá embaixo lutando para sobreviver; e o povo lá em cima também tentando sobreviver, de uma forma diferente, mas tentando se safar. Um querendo colocar a culpa no outro, e no decorrer da história você vai entender o que realmente aconteceu e o que liga esses personagens. É uma série bem interessante. Quando eu li, eu fiquei bem tocado, bem impressionado.

Como foi para você compor esse personagem, que é meio dúbio, né?

Caramba, eu não sei lhe dizer. Às vezes atuar é um negócio muito intuitivo. Essa série é um reencontro com a Carolina Dieckmann, já que a gente não trabalhava juntos desde Tropicaliente. Se passaram mais de 23 anos. Adorei esse reencontro com ela. Isso foi ótimo! Lá em baixo, tudo vem à tona, os ressentimentos, dores, frustrações, e a eminência da morte, mas ao mesmo tempo eles têm que se unir, para tentar ver a luz do sol. Meu personagem é o herói, mas no decorrer da série, pode ser que ele não seja. A série é um drama, sobre esses personagens, que uns estão soterrados, e os outros soterrados também, mas de outra forma. Soterrados pela imprensa, pela culpa de tudo aquilo. Estão todos soterrados, cada um em sua maneira. Todos passam por uma transformação.

Como foi a gravação do processo em que o personagem está soterrado?

Foi feita em São Paulo, no estúdio da O2 Filmes. Toda parte em que os personagens estavam nos escombros, eram feitas no estúdio. Foi muito bem feito. É difícil falar dessa série, se não entrego segredos. Foi OK, a gente estava atuando no perrengue, mas foi tudo muito bem realizado.

Você já ficou preso em algum lugar?

Não que eu me lembre. Não tenho muito medo de elevador não. Sou um pouco claustrofóbico sim. Mas nunca fiquei preso em elevador. Tudo tranquilo.

Selton, ventilaram a informação de que você estaria cotado para participar da primeira novela das 21h, escrita pela Manuela Dias. Você voltaria para um projeto longo, no caso, uma novela?

Cara, talvez! Eu adoro a Manuela Dias, o Ligações Perigosas, é um trabalho que eu me orgulho muito. Eu coloco ele, como uma das coisas mais lindas que eu tive a chance de fazer. A Manu é muito talentosa. Eu celebro a estreia dela no horário nobre, ela está madura para isso. Justiça foi incrível. Ela é fantástica! Eu adoraria fazer parte desse projeto se a vida possibilitar esse reencontro. A novela sempre esbarra no problema do tempo para mim. É muito longa. As novelas das 23h, com 80 capítulos, eu acho mais fácil caber na agenda. Eu tenho feito há alguns anos, projetos menores. Sempre cabem na minha agenda.

Você acha que a nossa TV vai caminhar para o universo das séries?

Vai sempre existir a novela. Você vê recente, o trabalho que a Gloria Perez fez, né? Ela é danada, ela escreve sozinha. Eu admiro muito a Gloria. Ela fez um sucesso danado. A novela sempre vai ter o seu espaço. A massa do público brasileiro gosta muito de novela. Eu só acho que vai ter mais séries e minisséries, pois é coisa do mundo em si. Sempre vai ter público para telenovelas.

Você comentou que a série é bem física. Como você se preparou em relação a isso?

Eu cuido da minha alimentação. Pratico meditação, faço um pouco de ginastica. Na época da série, eu só intensifiquei um pouco tudo isso, que é fundamental. Pois era um trabalho que exigia muito da gente. A gente sempre muito sujo, machucado. E cenas dramáticas, trabalho muito intenso.

Essa história nos faz pensar em nossas tragédias pessoais. Você lembrou-se de algo do tipo quando gravou a série?

Felizmente eu nunca vivi nada tão pesado como esse personagem vive nessa série. Mas o meu irmão viveu (Danton Mello sofreu um acidente de helicóptero em 1998, no Monte Roraima. Ele esperou 30 horas, para ser resgatado). Para quem tem mais idade aqui, meu irmão caiu de helicóptero. Ele é um sobrevivente. Muitas vezes nesse trabalho, eu pensava nele. Meu irmão é uma inspiração para esse trabalho. Ele viveu algo realmente pesado. E todos nós da família. A gente achou que ele tivesse morrido. Ele foi encontrado no meio da floresta, foi operado, e está ai. Está fazendo novela e o Tá no Ar. Ele é pai, enfim.

Como está sendo esse reencontro com a Carol Dieckmann?

Ela está mais linda do que nunca. A gente está envelhecendo bem. A maturidade é uma coisa boa. Falando dela especificamente, ela sempre foi uma menina, eu trabalhei com ela menina mesmo. Ela tinha 17 anos, 18 anos no máximo. Ela sempre foi uma pessoa muito viva – gosta de festas e tal. Foi legal reencontrar ela, e perceber que ela está igualzinha. Ela é uma mulher cheia de vida, filhos lindos. Foi lindo meu reencontro com ela. Ela é uma atriz maravilhosa. Intuição purinha. Muito intuitiva. Danada, ela.

Você começou a sua carreira ainda criança. Você imaginava chegar aonde chegou?

É, não dá para imaginar. Eu sempre sonhei fazer isso que eu faço. E venho fazendo coisas bacanas e bonitas que me inspiram, que me movem, que me fazem crescer. Vem o diretor, autor, e eu fui ampliando o meu leque criativo. Acaba que uma coisa alimenta a outra. Muito bom, eu estou muito feliz com o que eu venho aprontando. Desde sempre!

Se não fosse essa tragédia, seu personagem não estaria ao lado do amor da vida dele. Têm males que sempre vem para o bem, né?

Isso, sim. Eu acho que você sempre cresce nos fracassos, nas derrotas. Já aconteceu comigo, várias vezes. Muitas vezes, desde criança. Sempre, todo mundo. Isso é do humano. A gente cresce.

Você tem projetos para ano que vem?

Sim, tenho uma série da Netflix, chamada: O mecanismo, que tem direção do José Padilha. Eu vou atuar. Eu sou ator da série.

E projetos na TV Globo?

Eu tenho um projeto de série que eu já apresentei para a TV Globo, que é o conto de Machado de Assis, chamado: O Alienista. Eu amo o Machado de Assis, a gente tem uma conversa avançada, a gente já desenvolveu um formato de minissérie, para a TV Globo, e, estou esperando o sinal verde deles, para realizar. Eu espero que eu possa fazer logo, porque Machado de Assis é um clássico da gente. Estamos na fila. A fila agora está grande, ainda mais com o Globo Play.