Nathalia Timberg faz um balanço das novelas atuais: “Trazem sempre um pouco do que somos”

O Outro Lado do Paraíso
Nathalia Timberg (Divulgação/ TV Globo)

A atriz Nathalia Timberg estará na segunda fase da novela O Outro Lado do Paraíso, que se inicia à partir do capítulo 30. Durante o evento de lançamento da trama de Walcyr Carrasco, a veterana conversou com nossa reportagem e falou sobre sua percepção sobre as novelas atuais, e os desafios enfrentados por ela durante sua carreira.

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Essa novela fala sobre o que acontece do outro lado da vida, o que você acha que existe?


É uma incógnita que todos vamos conhecer na vida real, e agora na ficção.

O que a senhora acha que o Walcyr Carrasco está tentando trazer com essa novela?

Todas as histórias que se desenrolam numa época e lugar, são um retrato dessa vida, desse lugar e desse tempo. Quando você quer conhecer uma época, você procura a arte que ela produz. Mais que do que nunca, as histórias desenvolvidas nas novelas, nesses rios caudalosos, tem muito de trazer nossa verdade do cotidiano imediato, ou mais aprofundado da nossa mentalidade e sensibilidade, como somos e como nos comportamos. Essa histórias por mais fantasiosas que possam parecer, trazem sempre um pouco do que somos. Elas são nossas raízes, às vezes as comédias que nos criticam e dramas que vão fundo dentro das nossas almas. Walcyr é um mestre de nos levar por estes caminhos.

Já começou a gravar?

Ainda não. Meu personagem só entra mais adiante. Mais ou menos por volta do capítulo 30.

Quais foram os desafios enfrentados pela senhora em sua carreira?

Acho que é o de estar aqui agora. Chegar até aqui não digo que tenha sido desafio, mas o aprendizado e vontade de ajudar a falar sobre nós, sobre a nossa gente. Transmitir uma coisa a mais através da minha vida e carreira.

O que te motivou a seguir essa profissão?

Isso veio desde sempre comigo. Fazer teatro se tornou algo indispensável na minha vida, eu tinha uma necessidade muito grande de me expressar e o teatro foi o terreno onde melhor consegui satisfazer essa necessidade. Acho que de todas as atividades, talvez a do ator seja a da mais fascinante porque não têm limites, ela vai fundo na natureza humana, na história do homem, principalmente quando você consegue esquecer da sua persona e assumir as aventuras, tristezas, das nossas personagens.

Como está sendo a construção da sua personagem?

Construção de personagem está em procurar. O universo do autor eu já conheço porque já fiz novela dele, o universo que ele propõe ainda está em desenvolvimento por ser uma obra aberta e o que posso dizer é que me mantenho aberta a proposta dele, filtrada pelo diretor, que nos passa a sua ótica, e conseguir transmiti-lo a vocês do outro lado da tela.

Qual é o seu personagem mais marcante em sua opinião?

Eu não tenho esse tipo de registro. Citar um seria injusto com muitos outros. As coisas marcantes de trabalhos nem sempre correspondem ao retorno que eles têm junto ao público por exemplo. O que eles lhe trazem de enriquecimento às vezes não tem nada a ver com o sucesso que fizeram. Eu acho que tudo o que sou como atriz está construído na soma de todos os trabalhos, não tenho como ignorar um alicerce de uma janela numa construção, enfim. Nossa vida é uma construção, seja de um ator, ou de uma pessoa fora dessa profissão.

*Entrevista feita pelo jornalista André Romano.