Morando nos Estados Unidos, Carolina Dieckmann não descarta carreira internacional

Carolina Dieckmann
Carolina Dieckmann (Divulgação/ TV Globo)

Em Treze Dias Longe do Sol, minissérie que será disponibilizada na plataforma de vídeos Globo Play na próxima quinta-feira (02), Carolina Dieckmann, interpreta Marion Rupp, uma médica que foi se especializar nos Estados Unidos e se viu obrigada a voltar ao Brasil para resolver problemas relacionados à obra do Centro Médico idealizado por seu pai. A atriz conversou com nossa reportagem e contou detalhes sobre a nova produção. Confira:

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A Marion parece ser uma mulher bem calma, mesmo estando no limite. Como você equilibrou isso?


Essa calma da minha personagem eu tentei trazer um pouco pela médica que ela é. Eu acho que quando a pessoa escolhe fazer medicina, tem que ter uma frieza, que às vezes as pessoas acham que é calma. Mas você precisa olhar a situação de fora, conseguir ver, e perceber o que deve ser feito. Quando eu vi que a personagem era médica, eu pensei o seguinte: ‘É uma característica boa para investir’. Ela está ali no meio daquele caos. Ninguém sabe fazer um curativo, etc. Ela tem umas noções que não são de qualquer pessoa.

Você tem fobia de alguma coisa?

Eu tenho! Quando eu estou no elevador, ele está cheio, eu fico com vontade de sair, mas eu fico com vergonha. É um autocontrole. Eu não gosto de ficar presa. Daquela sensação, sabe?

Como foi para você compor essa personagem que fica em seu limite?

Então, a gente fez uma preparação na verdade. Como ela passa o tempo todo da série em uma situação limite (a personagem fica soterrada), a gente tinha que colorir essa situação. Não poderia ser o tempo inteiro triste, o tempo inteiro com fome, com sede, com sono, enfim. A gente teve que equalizar um pouco essas sensações, para cada hora, uma coisa aparecer mais, outra hora aparecer menos. Então, foi um trabalho minucioso nessa parte, de você pensar em que você vai estar em contato, em quais emoções. Nunca era uma só, sempre mais que uma. Por esse lado foi um trabalho muito mais mental. Quando você faz uma novela, ou uma série, acontece uma coisa, depois você se recupera. Nessa série em especial, todo dia era uma situação limite. Não dava para chegar na cena e dizer: ‘Vamos lá!’. Tudo era muito bem colocado, as emoções em si.

Essa série chegou na hora certa? Uma Carolina Dieckmann mais madura?

Recentemente Tropicaliente (1994) foi reprisada, e foi bom me ver com o Selton Mello. Eu acredito que a gente tem que estar sempre pronto para os desafios. Em alguns momentos da vida a gente vai mandar melhor, outros a gente vai mandar pior. Mas a gente sempre tem que estar inteiro. Ficar inteiro é um bom pré-requisito. Eu sempre estive inteira nas minhas personagens. Então, é obvio que a Açucena hoje, eu teria noção de milhões de coisas. Mas ela é uma menina daquela idade, imatura daquele jeito. Não tem como contar aquela história tendo outra idade, entendeu? Tendo outra experiência, sabe? Ela era matuta, ela era inexperiente, ela era inocente, a Açucena para mim, é aquela Carolina. Não teria como ser outra. Eu acho que cada personagem vem na hora que tem que vir. E, é o que é.

A personagem está soterrada ao lado do Saulo, um dos responsáveis pela obra, e culpado pelo acidente. Como sua personagem lida com isso?

A Marion talvez reaja a isso de uma maneira diferente, do que a Carolina reagiria. Eu acho que as coisas acontecem porque tem que acontecer. Eu não acredito que foi por acaso que a Marion e o Saulo estavam ali no momento do acidente. Eu não acho que ele tenha sido o único responsável. Aquilo poderia desabar a qualquer momento, sem ninguém lá dentro. Não é que eu não culparia, eu acho que não adianta culpar. É do ser humano julgar, querer arrumar um culpado, mas eu vejo cada vez mais na vida, que não é isso que nos faz andar para frente. No caso, arrumar um culpado. A gente precisa sempre estar pronto para resolver as coisas no momento em que elas aparecem. Você precisa sempre resolver, melhorar. Sempre buscar a solução. Eu perdoo bastante. Eu não tenho dificuldade de perdoar não. Às vezes a gente afasta pessoas. Não que a gente não tenha capacidade de perdoar. Essa pessoa não está rolando, não está fazendo bem. Às vezes as coisas não conectam. A sua vida não vai ser de outro jeito se você não mudar, se você não ter uma atitude diferente, se você não afastar alguém. A gente nunca deve achar que a culpa que nos deixa insatisfeito está no outro. A decisão é sempre nossa, deve sempre começar na gente. Ai, você transforma.

13 Dias Longe do Sol
Marion Rupp (Carolina Dieckmann) em Treze Dias Longe do Sol (Divulgação/ TV Globo)

Você falou que não gosta muito de maquiagem, né?

Eu odeio! Eu tirei a maquiagem da lama toda, mas não é maquiagem, é caracterização. O nome é outro, caracterização. Não é que eu não gosto de maquiagem, até gosto, a gente se sente bonita e tal, mas eu não gosto da sensação. Um negócio na pele, sabe? Eu me sinto muito bem quando eu estou no banheiro passando uma buchinha. Limpando a cara, sabe? Eu me sinto limpa. A maquiagem sempre tem uma coisa que parece suja, tampando a gente, tampando a cara.

A gente percebe que você é uma mulher muito determinada. Sempre foi assim?

Eu acho que essa minha determinação sempre esteve comigo, mas eu não identifiquei como você, me vendo de fora, eu não falo: ‘eu sempre fui sagaz’. Eu não tenho essa autorreflexão sobre a minha vida. Eu sempre estive inteira. Talvez o que as pessoas vejam em mim, sempre alguma coisa inteira. Às vezes errada, às vezes tomando uma atitude equivocada. Talvez, mas inteira. A gente sempre está procurando acertar, e inteiro para errar também. Quando a gente erra, a gente erra. Tem que assumir os erros. Tentar fazer diferente, então, o que eu vejo não é uma pessoa que acertou sempre, mas uma pessoa que sempre tentou acertar, e uma pessoa que sempre teve uma conexão com a verdade. Eu nunca estive em um lugar incompleta: ‘Eu estou aqui!’. É isso.

E a maternidade ajudou a ser essa mulher?

Eu já era assim. Isso é uma coisa que eu trago desde sempre. Quando eu era muito nova, a minha casa pegou fogo, e a minha mãe olhou para mim e disse: ‘Filha, a gente não perdeu nada’. E, eu disse: ‘Mãe, eu perdi todas as minhas fotos, minhas pelúcias, as minhas roupas’. E, ela sempre falava: ‘A gente não perdeu nada. A gente só tem a gente. O resto a gente compra novamente, ou não compra nunca mais. Mas isso não é nosso. Mas o que é nosso é o que a gente sente, o que a gente ama: nosso pai, nossa mãe, nosso filho. É isso’. Desde nova, talvez por causa de uma tragédia, eu tinha 10 anos de idade, e percebi que a gente não controla o futuro. Eu saí para ir a escola, e, quando eu voltei, não tinha mais casa. Do que adianta você ficar guardando algo, e, não sabe que irá voltar para aquilo. Desde muito cedo eu aprendi a dimensionar o tamanho que as coisas têm em nossa vida. E não tem tamanho.

O público brasileiro sente muito a sua falta nas novelas atuais, mas mata a saudade com as reprises. Como é para você esse retorno?

A Senhora do Destino é muito boa. Eu queria estar vendo, mas na TV Globo Internacional não passa. Eu gosto de ver novela, eu gosto de fazer novela. Eu nunca tive que fazer uma novela para colocar o público no teatro, eu nunca tive que fazer uma novela para fazer baile de debutante. Eu faço novela porque eu gosto de novela, gosto de assistir. Eu tenho uma felicidade na minha vida, que faço o que eu amo. Faço isso a vida inteira, eu amo isso aqui. Eu gosto de ver. Eu assisti o capitulo final de A Força do Querer, eu chorei, como se eu tivesse visto todos os capítulos. Eu amo novela, eu amo. Eu sempre fiz mocinha, e poder ter feito da minha vida, alguma coisa que me move, que me emociona, me dá paixão, é uma sorte.

A gente percebe que você nas redes sociais é mais entrega, e menos look do dia, né?

Às vezes tem o look do dia (risos). Vou botar o look do dia, eu vou botar. Eu coloco bastante frase de efeito. Eu estou estudando Neurociência, muito mesmo. E, inglês! Então, eu estou postando bastante coisa.

Você faz meditação, yoga?

Nunca gostei de fazer yoga. Mas essa coisa de você mentalizar e focar, tem mudado os meus dias. Eu tenho dificuldade de controlar a respiração junto com o exercício. Eu decidi parar de tentar fazer yoga, meditação. Eu vou aprender primeiro a respirar. Se eu conseguir controlar a minha respiração e meditar, ai, eu acho que a yoga seja o segundo passo. Mas tudo junto, eu nunca consegui.

Você está morando fora, tem vontade de voltar a viver aqui?

Eu não gosto de falar que eu queria voltar para o Rio de Janeiro, agora. Pois eu não seria justa com tanta coisa maravilhosa que eu estou recebendo. Eu estou estudando, vendo o meu filho de perto, de poder estar com o meu marido, de poder cozinhar para ele, esperar ele voltar do trabalho, tanta coisa linda acontecendo, que eu não acho justo falar que eu quero voltar. Agora eu estou no Rio de janeiro, depois estou nos Estados Unidos. A vida é isso! A vida é aqui, e lá.

Você colocando o inglês em dia, pensa sem seguir uma carreira internacional?

Deixa eu te falar uma coisa, eu só penso no presente. Só presente. O futuro a gente não controla. Quem sabe?

Como está se dividindo com um filho aqui, no Rio de Janeiro? Fala muito com ele por Skype?

Quem consegue falar toda hora com um adolescente no Skype? Se tiver uma mãe que fala toda hora com o filho adolescente por Skype, eu quero conhecer essa mãe. Quero descobrir o que ela fez. Eu não consigo (risos).