Bárbara Paz comenta parceria com Gloria Pires em O Outro Lado do Paraíso: “Tenho dó de fazer ela sofrer”

Barbara Paz
Bárbara Paz (Divulgação/TV Globo)

Bárbara Paz é Jô em O Outro Lado do Paraíso, uma mulher que se une ao ex-sogro para acabar com sua rival, Elizabeth, vivida por Gloria Pires. A atriz, que também pode ser vista no programa A Arte do Encontro no Canal Brasil, conversou com nossa reportagem e contou um pouco sobre a personagem, e sua forte ligação com a arte. Confira:

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Como está sendo contracenar com a Gloria Pires em O Outro Lado do Paraíso?


Ela é incrível, tenho dó de fazer ela sofrer porque ela é uma pessoa tão bacana, mas a personagem dela logo vai mudar. Como a novela fala que tudo tem volta, a minha personagem vai viver isso.

E você acredita nisso?

Muito! Tudo o que você faz de bom, volta, e tudo o que você faz de ruim volta também. Pode demorar, mas um dia volta.

A maldade da sua personagem deu muito certo, né?

A gente tem que sentir. Energia é uma coisa que a gente sente, tem gente que sente mais e tem gente que sente menos. Eu Bárbara, sou bem sensitiva, então a gente tem que prestar atenção.

Como assim?

Eu sou muito de energia, sou muito espiritual. Sou católica, budista, sou todas as religiões. Acredito na natureza, e que temos que estar com ela, conversando, não machucando, não desmatando, e aí você vai estar conversando com seu mundo.

O documentário do Babenco, em que fase está?

Está em fase de maturação. Vamos estrear no meio do ano que vem.

E agora, 1 ano após a perda dele, como você está se sentindo?

É um recomeçar. Eu preciso reaprender a viver. Essa palavra superação, luto, não cabe pra mim, porque sou muito ativa, com muita energia, muita felicidade, gosto de viver. E a gente precisa transformar a dor em poesia.

Achei legal que você disse numa entrevista que de repente ele iria adorar que você encontrasse outro amor, como é isso?

De repente não, com certeza. Eu acho que ele iria me matar se soubesse que iria ficar sozinha, porque ele sabe que sou muito mais feliz amando, com alguém. Só falta bater a química.

Você falou sobre a religiosidade. O que você acha sobre intolerância religiosa?

A pessoa que não tem fé em nada é infeliz. Mas o que está acontecendo hoje no Brasil é um absurdo, um retrocesso, um fanatismo e uma pena porque aí estragam religiões que poderiam ajudar pessoas e estão atrapalhando. As religiões estão se sobrepondo as artes e eu sou uma artista do meu tempo, e não uma que aprova o retrocesso. Tem que ter mais educação, o povo brasileiro não consegue estudar. O nosso governo não dá educação de qualidade, e aí muitas pessoas por exemplo não sabem o que é uma exposição, por exemplo. Não estou generalizando, mas infelizmente isso acontece por falta de educação. Devia ter mais museus e cinemas nas periferias, cidades do interior. Na minha cidade até pouco tempo não tinha cinema, agora tem um com meu nome inclusive (risos). Olha que máximo.

Você já usou o nu para ferramenta de trabalho, não é?

Usei no palco. A arte de expressão não tem limites. Veja os renascentistas, e a exposição que tem no MASP agora, é incrível.

Quando na sua vida, você percebeu que estava tão ligada à arte?

Não sei, eu aprendi a viver a vida assim, vendo tudo como uma poesia, e quando criança eu não sabia o que era, mas descobri sozinha que isso era arte.