“Precisamos de mais histórias de amor como esta”, diz Bete Mendes sobre Tempo de Amar

Bete Mendes
Bete Mendes (Divulgação/ TV Globo)

Bete Mendes, está de volta às novelas, após cinco anos sem um papel fixo. Em Tempo de Amar, ele será a Irmã Imaculada, uma freira bastante rígida em seu comportamento consigo e com os outros. A atriz bateu um papo com nossa reportagem durante a coletiva de lançamento da nova novela. Leia:

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Bete, o que você pode adiantar sobre sua personagem?


A irmã Imaculada, é muito séria, e extremamente conservadora então ela é tão conservadora que ela acredita que a monarquia era a melhor coisa que poderia existir. É muito interessante porque é uma personagem totalmente diferente do que eu já fiz.

Como está sendo trabalhar com o Jayme Monjardim?

Eu estou apaixonada pelo Jayme, já fiz vários trabalhos com ele e o astral é maravilhoso, porque ele tem uma criatividade de gênio, e uma forma amorosa de tratar as pessoas, o set, as gravações, e com muita certeza do que ele quer. Então a gente fica muito protegido e estimulado.

Não é a sua primeira freira, não é?

Eu fiz outra freira em Páginas da Vida, a Irmã Natércia, que era boazinha, o oposto da Imaculada que faço agora.

Como é contracenar com a Vitória, que é uma novata, mas pelas chamadas já parece tão boa atriz?

Ela é maravilhosa. Fiquei encantada com a beleza, com a simpatia, e depois com ela em cena, porque eu e Malu Vale que somos as mais experientes, estivemos de cara com a Vitória e com a Yasmin, que também é uma baita atriz. Me relacionar com essas duas jovens talentosíssimas é maravilhoso.

Como é pra você ver essa nova geração que está realmente abraçando a profissão e não só querendo aparecer em revistas?

Eu acho maravilhoso e o maior presente que eu poderia receber, porque eu e vários de meus colegas sempre dissemos que era necessário ter disciplina, e percebíamos que as pessoas estavam muito aéreas há um tempo atrás e agora tenho visto novo pessoal com muita vontade, se organizando, se preparando, se dedicando à leitura e testando várias vezes o linguajar, a postura, isso é incrível.

Bete Mendes
Bete Mendes será a Irmã Natércia em Tempo de Amar (Divulgação/ TV Globo)

Estamos numa safra muito boa de novelas…

Uma safra linda, e essa do Alcides especialmente é maravilhosa. Estava dizendo sem nenhuma timidez que eu acho que vai ser sucesso, porque é linda. Os 36 capítulos que li até agora têm história, muita trama, condimentos do amor, traição, humor. Tem personagens, que olha gente, o público vai adorar!

Você disse que a sua personagem não é uma freira boazinha. Como ela é?

Não que ela seja má, mas é conservadora, cumpridora dos deveres e leis religiosas. Ela não tem delicadeza, vivência. A vida dela é o habito, e a vida dela é a autoridade, ela é muito chata.

E como você é na vida real? Se assemelha mais a sua personagem, ou não?

Todos somos uma multiplicação de coisas. Há situações em que sou muito leve e outras que sou muito séria. Eu poderia ser considerada uma mulher séria, mas sou muito alegre e me sinto feliz com a vida, com o trabalho, com os amigos então tem esse elemento.

Como é voltar a esse horário das seis?

Vou fazer 50 anos de profissão. Voltar é uma delícia! A última novela que fiz na Globo foi Flor do Caribe que também era às 18h, e adorei fazer. Acho que o Jayme, o Alcides Nogueira, e toda a equipe tiveram a percepção de que precisamos de histórias de amor, de se querer bem. Não que as outras histórias não sejam importantes, mas é bom você ter uma história que tem todos os elementos da trama, onde o principal é o amor. Tanto que a chamada fala sobre se querer bem, se acarinhar.

Você já foi uma figura importante para a militância no Brasil, e agora lá fora estamos vendo coisas como passeatas neo-nazistas. Como se sente com isso?

Muito triste. Isso me deixa arrasada. Esse é um assunto delicado para falar senão eu falaria 40 horas, mas gostaria de deixar uma frase do magnífico Oscar Niemeyer, que recebi hoje pelo Whatsapp: Tem que ensinar nas escolas, filosofia e história para as pessoas deixarem de ser burras, e carneiros que seguem a todos. Tiraram essas duas matérias, e no geral são imprescindíveis.

Quais são as dicas que você dá para os jovens militantes no Brasil?

Eu e vários de nós que já passamos por muitos problemas acho que a melhor coisa que existe é a democracia, e a luta pela democracia de forma organizada, saber se organizar para protestar, reagir, interferir. Hoje temos muitos instrumentos e vale pena usá-los além de ir para a rua. Alguns como eu devemos ser campeões de assinaturas de petições, que temos que participar. Eu participo dessa maneira, porque não consigo ficar quieta porque essa coisa é importante para mim.  E eu desejo do fundo do coração que possamos sair desse buraco antes que se acabe tudo, porque estamos vendo o que está sendo feito. Entregar Amazônia, entregar água, entrega, entrega, entrega…

Como é a sua relação com a tecnologia?

O Luiz Fernando Veríssimo que amo de paixão, diz que é pré-jurássico. E eu digo que sou pré-pré-jurássica (risos). Pela necessidade a gente acaba tendo que participar. Eu ando direto com o zap, face, e-mail… Posto, compartilho, aliás é um vício danado. Eu acordo e já ligo o bichinho para ler as notícias.

Você é reservada?

Eu sou muito reservada em minha vida particular. Nossa vida como atriz é muito exposta. Hoje mesmo eu estava com uns amigos e eles disseram “Prefiro ser uma pessoa que passa sem ninguém saber”, e eu respondi: “sorte a sua, porque eu não posso”. É uma escolha que fiz e que me agrada, e na minha vida privativa, eu prefiro privacidade mesmo.

Como é pra você a chegada numa certa idade?

Eu fico assustada com minha idade, e feliz com minha atividade. A vida inteira, eu vivi muito ativamente, e não percebo muito o tempo. Claro que a gente percebe determinadas dificuldades que a idade traz, como a perda da velocidade, um físico tão ágil, mas levo numa boa. Me preocupo com minha alimentação, porque meu maior pecado é a gula, e aqui e já passei por duas tentações e resisti. Faço tratamento para não engordar, porque realmente adoro essas guloseimas.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira