“Mira conquistou o público por ser medrosa e atrapalhada”, revela Maria Clara Spinelli

Maria Clara é Mira em A Força do Querer (Globo/Estevam Avellar)

Maria Clara Spinelli estreou na TV em 2012 no núcleo de traficadas de Salve Jorge, em 2016 fez a série Supermax, já gravou a primeira temporada de Carcereiros e, atualmente, pode ser vista em A Força do Querer, ao lado de Débora Falabella, como a dupla de vilãs Mira e Irene.

Iniciante na TV, a atriz vem chamando a atenção do público e crítica por conta de sua atuação na trama de suspense, que volta e meia traz humor por conta do jeito atrapalhado da personagem, submissa aos desejos e loucuras de Irene, uma mulher capaz de tudo para obter dinheiro e amor.

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Em entrevista ao Observatório da Televisão, a atriz, que também é destaque nos cinemas, fala sobre a parceria com a autora Gloria Perez, a reação do público em relação as armações de Irene e Mira e do que ela espera para o final da trama policial na qual está inserida.

“Mira conquistou uma empatia com o público por ser desastrada, medrosa, atrapalhada. No fundo as pessoas pensam que a Mira não é uma má pessoa”, revela a atriz, que torce pela dupla juna até o fim da trama em meados de outubro.

Nos últimos dias o cerco tem se fechado para Irene e Mira. A sua personagem não é uma vilã de fato, mas está sempre por perto para ajudar Irene no que for preciso. Podemos dizer que ela também é uma criminosa por falsificar um currículo, ser cúmplice dos crimes de Irene? 

Por falsificar um currículo nós não podemos dizer que ela é uma criminosa…(risos). Eu também acho que a Mira não é uma vilã de fato. Mira foi uma pessoa fraca de personalidade, que não tem muitos amigos… Mira gosta de uma vida boa, conforto e de dinheiro…E a Irene se aproveita disso.

Não acredito que ela seria cúmplice de um assassinato. Quando ela se deu conta do que a Irene já tinha feito [Golpe no Gomes] já não tinha mais volta. Elas têm personalidades diferentes. A Mira é um contraponto para a Irene. Ela traz um pouco de humanidade para a Irene. Eu torço para as duas ficarem juntas até o final…Eu não gostaria que a Mira abandonasse a Irene.

Como tem sido o retorno do público?

O mais positivo em todos os sentidos. As pessoas reconhecem a Mira. Agora o grande público está começando a conhecer quem eu sou. Pra mim é uma grata surpresa. A abordagem, em sua maioria, é resgatar a Mira das garras da Irene. É uma dupla bacana Irene e Mira. Mira conquistou uma empatia com o público por ser desastrada, medrosa, atrapalhada. No fundo as pessoas pensam que a Mira não é uma má pessoa. Algumas pessoas falam que ela é tão má quanto a Irene, que ela tem que apanhar…Isso me deixa muito feliz. Quanto mais raiva o público sentir, é sinal de que o meu trabalho está sendo bem feito.

Como tem sido trabalhar com a Gloria Perez? 

Uma experiência incrível. Trabalhar com uma das maiores dramaturgas que temos hoje no Brasil e no mundo. A Gloria tem uma qualidade que é dar humanidade e profundidade para cada personagem seja ele menor ou maior na trama. Ela fala com maestria com as massas, ela consegue contar essa história com beleza, leveza… que uma obra popular pede. E com humanidade. Estou tenho o privilégio de trabalhar com uma grande autora.

Ainda que você esteja num núcleo de suspense, volte e meia a Gloria insere doses leves de humor como no dia em que Mira e Irene quase foram flagradas por Biga num restaurante. Irene fugiu e pra você sobrou a conta…

Isso é muito interessante. A Gloria nos sugere um leve humor. E outras vezes estudando as cenas nós vimos algumas possibilidades de humor. As pessoas mais inteligentes são as que mais têm bom humor. Os textos da Gloria são muito inteligentes, o humor surge naturalmente, o que torna a história, o núcleo de suspense, muito mais interessante.

Recebeu conselhos por parte do elenco levando em conta que essa é a sua segunda novela e com um papel de destaque? 

Eu sou muito aberta e digo isso pra todos os colegas, quando eu tenho um pouco mais de proximidade. Eu quero fazer o meu melhor e ouvir o que os meus colegas e, principalmente, os diretores têm pra me dizer. Interpretar é um trabalho em conjunto. Quando eu jogo melhor, todo mundo joga melhor. Isso é uma coisa natural. Conforme a convivência, a cumplicidade a gente troca….Eu ouço ou falo coisas que podem acrescentar às minhas cenas.

A sua parceria com a Débora Falabella também tem sido elogiada. Você pegou a trama já no ar. Foi complicado ou tirou de letra? 

Fico muito feliz por estar trabalhando com a Débora Falabella, que é uma grande atriz, talvez uma das maiores da minha geração. Fico muito feliz com a generosidade, pelo carinho, pelo coração aberto em que ela me recebeu sem me conhecer para começarmos um trabalho juntas. Fico muito feliz que isso esteja sendo percebido, isso me deu mais segurança para me entregar ao projeto e essa parceria que é fundamental. Essa empatia, essa química vem muito da Débora.

Comecei a gravar depois que a maioria já estava gravando. Dá um frio na barriga, dá um medo…Eu não tive a mesma preparação que a maioria dos atores tiveram. É como uma roda gigante: você sabe que vai ser maravilhoso, mas no começo te dá um frio na barriga, você tem medo de chegar lá em cima…É uma obra aberta, você vai construindo a personagem com o autor, com o público, mas no começo deu um friozinho na barriga.

Quais são seus novos projetos?  

Carcereiros estreia em 2018 na TV, mas já está disponível no Globo Play. Essa é a minha terceira parceria com o querido Rodrigo Lombardi [Salve Jorge, Carcereiros e agora A Força do Querer], a segunda com o Othon Bastos [Carcereiros e A Força do Querer] e também o José Eduardo Belmont, [Supermax e Carcereiros], e também com o texto do Drauzio Varella, [A Felicidade de Margô e Carcereiros]. Tenho alguns convites para cinema e também para a TV. Eu só posso decidir minha agenda a partir de novembro.