Marisa Orth adianta detalhes de sua personagem em Tempo de Amar: “Quase uma super heroína”

Marisa Orth
Marisa Orth (Divulgação/ TV Globo)

Depois de Haja Coração, Marisa Orth estará com um novo trabalho na TV: Ela será Celeste, uma cantora de fado na novela Tempo de Amar, próxima trama das 18h. Durante a coletiva de lançamento da atração, a atriz conversou com nossa reportagem e contou detalhes sobre a personagem. Confira:

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Como é sua personagem em Tempo de Amar?


A minha personagem é uma cantora de fado, muito dramática. Tem um passado nebuloso, mas é uma mulher chiquérrima, a única que usa calças, tem uma caracterização diferente, cabelo todo enrolado. É como se fosse uma blogueira de moda da época (risos). Amante de um homem casado, que é o Werner Schünemann, ela sabe que é amante e não pede a ele nada mais do que ele pode dar. Ela é amiga de todas as causas bacanas, como o princípio do femininismo, luta contra o racismo. Super bom caráter, quase uma super heroína.

E os outros personagens não têm preconceito por ela ser amante de um homem casado?

Em alguns casos sim, mas ela é super à frente do tempo. Ela diz: “dane-se”. Simples assim.

Essa carreira de cantora dela é uma coisa que ficou no passado?

Não, a carreira dela existe. Ela é famosona em Portugal, faz recitais, e doa a renda para o Grêmio Cultural, que é uma organização que o Vicente (Bruno Ferrari) faz como uma agremiação de novas ideias, e ela tem um passado misterioso, que nem eu sei, apenas suponho.

Você se inspirou na Amália Rodrigues?

Em tudo que é fadista. Até descobri o porque a Amália Rodrigues é a Amália Rodrigues.

Como está sendo para você fazer uma personagem com sotaque?

Para cantar sim, mas para falar não, porque foi um pedido do Jayme Monjardim (diretor) que ninguém tivesse sotaque, mesmo tendo núcleos e cenas em Portugal. Vamos fazer como os americanos, que chegam em marte, e o pessoal fala inglês. Não é mais fácil?

Você saiu de uma novela contemporânea que foi Haja Coração. Como é fazer uma novela de época como Tempo de Amar?

Muito louco, e diferente. Para mim, a Francesca de Haja Coração era muito próxima, porque sou paulistana, tenho antepassados na Calábria, e feirante em São Paulo, eu conheço bem. E a Celeste, de Tempo de Amar, é uma realidade muito diferente. Nunca trabalhei com o Jayme (Monjardim) também, apesar de admirá-lo muito, e tudo é meio novo. Ela é discreta, chique, triste, e complexa. Ela tem uma nostalgia, sozinha ela sofre que é uma desgraça.

E aí, você vai cantar novamente?

Brega cantei sempre, mas fado é a primeira vez. Inclusive, vamos fazer um revival do Vexame, nos dias 16 e 17 de Setembro, em São Paulo.

Tem essa parte dela ser bem resolvida quanto ao fato de ser amante. Você acha que pode rolar algum tipo de rejeição?

A minha primeira personagem em novelas, a Nicinha, de Rainha da Sucata era exatamente assim também, que fazia propaganda que queria ser a outra, tinha tesão em aliança, mas se bem que o Brasil encaretou muito. Nessa época foi muito louco, porque eu andava na rua e as pessoas falando comigo, eu conseguia perceber quem era matriz e quem era filial (risos), e até vinham mulheres de 70 anos falar comigo: “tenho sido amante há 40 anos, e é a melhor coisa”. Mas, nessa personagem é engraçado, porque o amante tem crises de consciência o tempo inteiro.

Ela também carrega esse sentimento de culpa?

Um pouco. Tem um evento no início da novela e ela precisa ligar para ele, e então ela diz: “Meu amor me desculpe, pois é a primeira vez em 15 anos, que realmente precisei fazer isso”. Quem teria um caso com um homem por 15 anos e nunca ligaria? Enfim!

Sua personagem tem algo de cômico?

Zero comédia.

Você teria estrutura emocional para viver uma situação dessas (traição e tal)?

Se eu tivesse, já teria sido né? Eu fiz da minha falta de discrição um negócio lucrativo. Eu não sou discreta. Se bem que ali é um caso que você entende, porque a esposa dele é realmente doente, acamada.

Você vai estar no ar com a novela e com a reprise do Sai de Baixo, aos sábados. O Miguel Falabella disse em entrevista que as pessoas dizem que ele é o pai do Caco hoje em dia. Falam algo desse tipo pra você?

Pelo contrário. O que ouço geralmente é assim: “nossa, você está bonita ainda hein”. Estou bem feliz com isso, agradecendo à genética.

Você se cuida muito também não, é?

Muito não. Eu tenho dermatologista, que é onde gasto uma grana, nada na permuta, porque geralmente na permuta sai mais caro no meu ponto de vista, porque não gosto de fazer propaganda. Uma grife de roupas me ofereceu um modelo lindo para eu vir aqui hoje, mas encanei e não quis, vim com a minha roupa mesmo. Faço academia, e tento me manter rígida, não preciso nem estar tão magra, mas dura. Tomo vitamina C, a minha onda é mais saúde, não fumo, não dá pra beber mais como eu gostaria. E aprendi que dormir é o que deixa a gente bonita.

Parece que você está mais frequente na televisão, não é mesmo?

Eu sempre fui das séries, e para mim, era muito cômodo. Eu tenho um filho e queria vê-lo crescer, por isso não fazia novelas, agora ele está com 18 anos, não tenho mais desculpas. Quando eu acho que o personagem não é a minha cara, eu consigo convencer a direção que não é para mim, mas agora estou mais disposta a fazer novelas. Finalmente estou me dando a oportunidade de fazer vários papéis.

Você é muito alta. Tem dificuldade em encontrar roupas?

Nunca tem nada no meu tamanho. Por mais que eu seja magra, eu sou fora do padrão Brasil. Já chego nas lojas perguntando o que os vendedores têm de tamanho grande. Às vezes as vendedoras falam: “Pega o tamanho P”, e eu digo: “não vai entrar”. É um terror!

Você chegou onde você sempre sonhou?

Ainda não.

A sua Playboy foi uma das mais vendidas em 1997. As pessoas ainda trazem para você autografar?

Trazem sim. Me sinto lisonjeada. Esse ano como está completando 20 anos, acho que vou fazer um leilão com as outras fotos inéditas, porque sou dona dos negativos. Capaz de eu fazer um leilão em nome da minha escola, a ONG Spectaculu.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira