José Loreto
José Loreto (Divulgação/ TV Globo)

Após emendar novelas, e filmes, José Loreto estará na série Cidade Proibida, que estreia na Globo em setembro. O ator bateu um papo com nossa reportagem durante o evento de lançamento da atração, e falou sobre o personagem e a preparação para viver um papel de época, tão diferente dos que já interpretou. Confira:

Leia também: RedeTV!, mais uma vez, faz mudança sem sentido na grade de programação

Como está sendo fazer essa série?

Ainda estou absorvendo. Vendo o clipe está bonito, diferente. Tem suspense e humor, e estou amando. Estamos fazendo cinema na televisão. São 12 episódios e eu sinto que estamos fazendo 12 longas. Eu nunca tinha gravado nada desse gênero antes, é uma fotografia, uma arte incrível. Foi tudo cheio de muito cuidado, e referências. Os personagens são bem intensos, tem brutalidade, mas tem leveza. Estou louco para ver um episódio inteiro, porque não sei como ficará na tela. Se terão tintas mais fortes da comédia ou do suspense.

Tem muitas participações especiais?

Convidados para lá de maravilhosos. Miguel Falabella, Caio Blat, José de Abreu, Mariana Ximenes, Mariana Lima… São participações incríveis, e nós quatros que somos fixos, Regiane Alves, Vladimir Brichta, Aílton Graça, e eu, já estamos super amigos. Temos um grupo no Whatsapp chamado O Quarteto Fantástico.

A Débora Nascimento também fez participação. Você gravou com ela?

Não. Ela gravou só com o Vladimir. As primeiras cenas de cada episódio são introduções ao caso que será resolvido e ela faz uma dessas cenas. Não posso dar spoiler, mas ela está linda de época. Até vi uma foto, e falei “Ah vai pra casa assim, de época” (risos).

É diferente de se fazer uma novela?

É um outro cuidado. Na novela gravamos 20 a 30 cenas por dia, aqui gravamos 3 cenas por dia. Estou amando. O personagem é todo muito bem escrito e bem desenhado pelo Mauro Wilson. Não desperdiçamos nenhum frame.

O que você pode falar sobre o personagem?

O Bonitão é um presente. É um gigolô dos anos 50, macho alfa, vive às custas das mulheres. Malandro carioca, que não gosta de trabalhar. O máximo que ele faz para ganhar dinheiro é jogar uma sinuca. Tem muitos elementos que fazem com que as cenas fiquem incríveis. Ontem gravamos até as 4 da manhã e minha sensação é que tínhamos terminado às 2 da tarde. Cheguei eufórico em casa.

Como você construiu o personagem?

Vi muitos filmes noir e filmes dessa época com personagens cafajestes, mas que tinham humor. Foi uma junção de filmes que enchi minhas gavetas com informação, e depois passando o texto, fui construindo melhor. Quando entra figurino, e caracterização então, a gente começa a acertar. Na série uso um topete que é uma das marcas do personagem. Às vezes outros personagens querem dar tiros no Bonitão e ele diz “no rosto não, porque vai desmanchar meu topete”. Ele é vaidoso, estou me deliciando.

Você se preparou para fazer alguma cena de luta?

Não. O Maurício Farias, nosso diretor pediu para eu relaxar meu corpo porque nessa época não existia Whey Protein então estou até com uma barriguinha. Eu adoro fazer exercício e preciso por causa da diabetes, mas estou só no aeróbico. Parei com a hipertrofia para não ficar parecendo musculoso em cena. Minha maior referência é o filme Sem Destino, do Jack Nicholson, que ele é um galanteador também. Tivemos a preparação de corpo para nos entrosarmos, e ficarmos como quatro grandes amigos.

Você tem algum problema com seu cabelo?

Meu cabelo acorda pronto. Eu não tenho problema em ficar assim com cachinhos, mas pro Bonitão tem que ser diferente. Fazemos uma escova, porque o personagem, se está andando na rua e vê um espelho, ele para e dá uma ajeitada no topete.

Ele tem a mãe, não é?

Sim, ele tem a mãe. Mora na casa das mulheres que ele trabalha fazendo amor, quase um garoto de programa, e quando a coisa aperta ele vai pra casa da mãe. Então o Zózimo já sabe que quando acontece algo de ruim, o Bonitão está na casa da mãe, escondido no quartinho dele lá. A gente conhece pessoas não nesse grau, mas aquela coisa de mamãe é meu ninho.

Fora isso ele se envolve com alguém de verdade?

Todo episódio ele se envolve com alguém de verdade, mas ele é um mulherengo. O amor dele passa rápido, mas ele chora, briga, fala que quer viajar com a mulher, mas em vários episódios ele se apaixona.

Você teve sua fase mulherengo ou sempre foi um cara tranquilo?

Na adolescência temos um momento de tentar ser, mas não consegui. Uma época de competitividade com os amigos, e eu fui assim meio boboca, na época de matinê. Depois que comecei a namorar, com 17 anos, eu parei com isso. Pra ser mulherengo tem que ter talento, e dá trabalho. É uma dedicação, estar sempre tenso, com rabo preso, não é pra mim, nunca foi, não é aí que mora meu barato.

O Bonitão é mau caráter?

Nenhum desses personagens é 100% bom. O Bonitão é amigão, quer ajudar mas faz um monte de besteira. Se alguém der para ele 20 mil cruzeiros para ele passar a perna em alguém, ele passa. Ele vende amor, vende prazer, é um “prostituto”, vive às custas das mulheres. A Marli faz uma prostituta que cobra a hora, ela é profissional, ele é amador.

José Loreto
Bonitão (José Loreto) de Cidade Proibida (Divulgação/ TV Globo)

Ele é corajoso assim como os outros personagens?

Ele é um covarde, morre de medo até de barata. Fala para as mulheres que ele se envolve, que diferente dos maridos delas, ele não é violento. Ele é cheio das tiradas, meio malandro carioca. É uma época tão machista, e ele não é machista. A Marli por exemplo, ele enxerga como igual. Cidade Proibida, cada um entende o título de uma forma, mas para mim é porque eles vivem no glamour do Rio de Janeiro dos anos 50 mas mora longe disso, vive de forma marginal.

O José Loreto em casa mata baratas?

Em casa não tenho opção. A esposa fala “mata aquela barata”, e eu vou (risos). Finjo que não tenho medo, dou aquela travada, mas mato. Eu sou corajoso, mas não como esses personagens. O Zózimo e o Paranhos estão sempre metidos em violência e o Bonitão está sempre retraído.

O Bonitão tem nome?

Tem, mas ninguém chama ele pelo nome. Tem um episódio apenas em que ele diz o nome, mas também não estou me lembrando. Até a mãe dele o chama de “lindinho” (risos).

Você se acha bonitão?

Não. Me acho exoticão. Sou meio desengonçado, tenho um corpo desengonçado. Não sou bonito clássico que nem Gianecchini. Na escola por exemplo sempre fui estranho, e pra ser bonitão a gente usa artifícios: atitude, malemolência. O Rodrigo Hilbert é um cara bonitão, se ele tiver de pijama ou sujo de lama as pessoas vão dizer “Olha que cara bonito”. Eu não, tenho que dar uma aprumada antes, porque acordo com o cabelo bagunçado, cara amassada, todo troncho. Sou uma pessoa assimétrica.

Isso incomodava você quando mais jovem?

Não. Logo que eu percebi que eu não era o mais bonito, nem ficava com as meninas mais bonitas da classe, fiquei mais extrovertido, larguei minha timidez pra ficar mais comunicativo, usando meu carisma.

Você acha que a fama ajuda a ficar bonitão?

Com certeza, a fama ajuda, porque você anda na rua e fica um refletor da Beyoncé em cima de você. As pessoas já têm uma curiosidade por você.

Por que você acha que as pessoas perguntam tanto para você e para a Débora Nascimento sobre ter filhos?

Eu acho que é natural da nossa cultura as perguntas: Quando vai namorar? Quando vai casar? Quando vai ter filho? Mas é meio errado isso, porque muita gente não quer ter filho, e quando se diz isso, a pessoa fica parecendo que é anormal por não querer. Ela e eu nunca combinamos nada sobre isso, mas achamos melhor nem ficar planejando ter filhos agora. Ela por exemplo, está com 32 anos, mais focada no trabalho, e tentamos deixar acontecer para não ficarmos pressionados por algo que nos é imposto. Incomoda um pouco essa imposição.

Quando vocês se conheceram as pessoas não acreditavam que daria tão certo. O que você acredita que tenha acontecido para dar tão certo?

Normal as pessoas não acreditarem, sei que parece clichê, mas eu acho que já estava escrito. A gente se dá muito bem, temos nossas diferenças, mas ela me engrandece. Sou muito fã dela, da pessoa dela, e de coisas que ninguém sabe, e claro, aprendo muito com ela.

Quais são seus próximos projetos?

Eu vou fazer um filme em breve, mas ainda estamos em negociação, mas ainda não posso falar sobre. Estamos ainda gravando a série, e tenho me apresentado com minha peça, A Paz Perpétua, pelo Brasil.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira