Aílton Graça
Aílton Graça (Divulgação/ TV Globo)

Em Cidade Proibida, nova série da Globo, Aílton Graça interpreta o Delegado Paranhos, homem com valores morais rígidos em sua profissão e no âmbito familiar. O ator conversou com nossa reportagem durante o evento de lançamento da nova produção, e contou alguns detalhes sobre o novo personagem.

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Você também canta. Participaria de algum reality como PopStar ou Show dos Famosos?

Eu participei do Artista Completão, no Domingão do Faustão há alguns anos e confesso que foi a primeira vez que fiz algo nesse sentido, mas tenho vontade de prestar homenagem a algumas personalidades do samba, seja em teatro seja em cinema. Quero fazer algo sobre Mussum ou Candeia. Isso faz parte da minha pesquisa, já que tenho uma paixão doentia pelo samba, então logo quero começar a rabiscar alguma coisa.

Como é participar de Cidade Proibida?

Eu estou feliz com esse trabalho e otimista. A gente teve oportunidade de ter a presença do Mauro Wilson, desde o processo inicial. Fizemos laboratórios juntos, e participamos da carpintaria de texto e isso dá pra gente a certeza que estamos construindo juntos uma nova história. Tem um pouco do nosso depoimento dentro dessa estrutura que está sendo contada.

O que pode adiantar sobre seu personagem?

Ele vai ser bravo. O que é engraçado nessa estrutura é que a história se passa no submundo e cada episódio tem sua estrutura dramática, sua narrativa própria, e sua poética, dentro das investigações do Zózimo (Vladimir Brichta), que dá a visão dele sobre como devem ser contadas as histórias. São 4 personagens que vão acompanhar todas as histórias, o Zózimo que é um detetive, a prostituta Marli (Regiane Alves), o Bonitão (José Loreto) e o delegado Paranhos, que era o grande parceiro do Zózimo só que eles seguiram caminhos diferentes. O Paranhos se tornou um delegado e Zózimo, um detetive particular. O ponto de vista de quem acompanha é o mesmo do Zózimo, e existe uma narração que fala como se fosse a consciência de quem está assistindo. A série tem uma pegada de história em quadrinhos, então ela tem uma agilidade, um lado divertido sem perder a dramaticidade.

O delegado Paranhos é um personagem bem-humorado?

Paranhos é sempre durão, mas a situação às vezes o leva a ter um deslocamento para o humor, mas um humor não lapidado, embrutecido. Eu não deveria contar mas tem um momento que o Paranhos cisma com o Clark Gable, e ele quer ter o bigode do Clark Gable, e isso é engraçado porque no meio da investigação de um crime ele pergunta para as pessoas “O que você acha de eu ter um bigode igual ao do Clark Gable?” Esse tipo de humor é que estamos colocando, que tinha nessas pinceladas do cinema noir mas isso tudo é pra poder trazer um pouco de alivio à estrutura dramática e um pouco de poesia para as histórias que estaremos contando.

Ele é um pai rigoroso?

Muito. A filha dele vai sofrer muito, e quem se aproximar dela também. E o melhor amigo dele, o Bonitão uma hora vai querer olhar para a filha dele, o que não será muito saudável, mas vou adorar socar a cara do José Loreto, que já foi meu filho inclusive em Avenida Brasil, e vai apanhar muito agora. Essa autonomia, o código, os princípios que regem o Paranhos, tudo foi talhado no submundo. A polícia nos anos 50 trazia consigo essa confiabilidade. Mesmo ele tendo algumas inserções dentro da alta sociedade, ele ainda é aquele cara que tem trejeitos do submundo, e é isso o que ele conhece.

Aílton Graça
Aílton Graça como Delegado Paranhos de Cidade Proibida (Divulgação/ TV Globo)

Esse é um tipo de defesa dele?

A essência dele é essa. Não há um psicologismo em relação a isso. Ele é assim, e assim estamos tentando construí-lo, dentro dessa figura embrutecida, teremos momentos de humor. Dentro desse código dele, qualquer cidadão que faça ofensas à mulher corre risco de vida na frente dele; É um defensor das mulheres, apesar do lado bruto como ele lida com as coisas. Tem um personagem que ele persegue e bate muito porque estava agredindo uma mulher.

Tem cenas de luta?

Sim. Eu espero que tenham mais. Eu adorei, como é bom bater. Já fizemos duas cenas desse tipo, de mulheres que vão reclamar com o delegado Paranhos que estão sendo agredidas pelos maridos. E ele diz “Como briga de marido e mulher não se mete a colher, eu vou meter a porrada mesmo”.

E ele tem esse lado de proteção à mulher, fazendo um paralelo com o feminismo atual?

Feminismo e proteção à mulher não eram coisas ditas nos anos 50. Eu acho interessante ter esse personagem que faz essa defesa, mesmo que com alguns equívocos. Outra personagem fundamental nessa questão é a Marli (Regiane Alves), que é uma prostituta que está sempre junto com eles, e ela aparece com um comportamento à frente de sua época, está sempre à frente em seu discurso e como interfere na vida desses personagens. Ela cria uma relação de inteligência, não apenas está lá para ser um corpo e rosto bonitos. Ela linka coisas nas investigações, e diferente do Paranhos, não resolve as coisas de forma física.

E ele é completamente incorruptível?

Não. Ele gosta de um dinheirinho sim, tem até uma história que ele pega parte da grana dos criminosos para ele, não pra poder ajudar a corporação, é pra ele mesmo. Ninguém é santo nessa história. Ele tem um desvio de conduta, não de caráter. Como ele está tirando de um criminoso ele acha que está certo.

Ele acredita mesmo que esteja fazendo certo?

Delegado é um cargo de confiança, não tinha nada escrito como deveria ser o comportamento de um delegado. O código dele passa por esse filtro do submundo. São pessoas da alta sociedade que cometem os crimes.

*Entrevista realizada pela jornalista Núcia Ferreira