“Tive medo de haver rejeição”, diz Renato Aragão sobre nova versão de Os Trapalhões

Renato Aragão
Renato Aragão (Divulgação/ Globo Filmes)

Renato Aragão está de volta com seu personagem Didi, em Os Trapalhões, nova versão do humorístico, que estreia na próxima segunda (17), no Canal Viva. Na coletiva de lançamento do programa, ele conversou com nossa reportagem onde falou sobre a adaptação para um novo público, assim como os cuidados com as piadas. Confira:

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Qual seu principal cuidado ao voltar a interpretar um personagem tão marcante?

No momento em que começamos, eu fiquei preocupado com os quatro meninos que chegaram e com medo de haver uma rejeição por parte do público que assistia Os Trapalhões anos atrás. Então temos que ter muito cuidado em explicar ao público que eles são outros personagens, Didico, Dedeco, Mussa e Zaca, porque eles estão imitando os trapalhões que são insubstituíveis.


E teve algum desafio pessoal?

Não, nenhum. Fiz o Didi como sempre fiz ao longo da minha vida, então tentei deixar os meninos o mais à vontade possível para eles não se assustarem ou me colocarem lá no alto. Eu disse para eles “Estamos todos nivelados, não existe ninguém maior ou menor, ninguém aqui é mestre ou aprendiz, e eu vim para me divertir com vocês”, aí eles ficaram mais calmos. Aliás, o grande mestre desse programa chama-se Ricardo Waddington, porque ele acreditou nesse programa e o resultado vai ser conferido em breve.

Você sempre conseguiu em seus projetos na televisão e cinema, empregar muita gente…

Você não sabe a emoção que eu sinto quando penso nisso. Eu já fiz 50 filmes, e cada filme, conseguíamos empregar um monte de gente, inclusive o Renato Fonseca, que é um pesquisador de cinema me perguntou uma vez quantas pessoas eu acreditava que já tinha conseguido levar ao cinema, e eu respondi: “zero”, então ele me disse que foram 173 milhões de pessoas nesses 50 filmes (que eu fiz) para me assistirem nos cinemas. Como eu vou corresponder essa gente toda? Por isso é uma responsabilidade muito grande.

Qual o personagem deste remake mais impressionou o senhor?

Eu não levava fé no Mumuzinho, porque é cantor, ritmista, e ele assumiu o Mussum de um jeito que foi uma grande surpresa pra mim. O Zacarias é um pouco mais fácil pela risadinha, e o trejeito de menininho que não quer crescer.

Quando o diretor Ricardo Waddington falou sobre o projeto, o senhor teve algum medo?

Eu disse “cuidado Ricardo. Aquelas pessoas de gerações passadas que são aficionadas pelos trapalhões não vão aceitar isso” e ele me disse “Não existem substitutos para vocês, estamos fazendo apenas uma homenagem”, e isso me deixou mais tranquilo, até porque pretendemos chegar a um público novo também.

Profissionalmente o senhor chegou onde sempre sonhou?

Vou te dizer uma coisa: nunca pensei nisso. Pensei em estudar, como estudei, fui advogado no Ceará. Outro dia assisti a um filme do Oscarito, me lembrei que tudo começou ali. Eu assistia a todos os filmes dele e achava maravilhoso. Um dia consegui chegar perto dele e dizer: “Estou aqui por causa de você”.

O Brasil tem uma lembrança muito grande do senhor beijando a mão no Cristo Redentor.

Aquilo foi loucura, foi delírio mesmo. Deus está aqui entre nós e eu poderia ter agradecido a ele de forma mais fácil, mas queria fazer uma coisa real. Não tive medo quando estava lá em cima, o meu único medo foi quando eu beijei a mão dele, ele querer aplaudir (risos).

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.