Feliz com repercussão, Mumuzinho afirma: “Não queremos tomar o lugar dos Trapalhões”

Mumuzinho durante coletiva de lançamento de Os Trapalhões (Reprodução/ Instagram)

Elogiado antes mesmo da estreia, Mumuzinho dará vida a Mussa na nova versão de Os Trapalhões que estreia no Canal Viva na próxima segunda (17). O sambista conversou com o Observatório da Televisão, e falou sobre o desafio de interpretar um personagem icônico como Mussum (Antônio Carlos Bernardes), na primeira versão do programa.

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Como surgiu o convite para participar da nova versão de Os Trapalhões?

Eu ainda estava no Esquenta e o diretor Ricardo Waddington me chamou. Na hora fiquei meio assustado, pensei “Vou tomar algum esporro, devo ter feito alguma brincadeira que ele não gostou”, daí ele falou “Vou te colocar em um novo projeto. Você vai ser o Mussum”, não entendi nada na hora, fiquei ansioso, começaram a sair algumas coisas na imprensa e depois chegou oficialmente o convite. Eu já tinha alguma semelhança, por ser do samba, e isso me levou a imitá-lo algumas vezes em shows, mas o programa me fez ter o estudo da voz, do olhar, do corpo.

E essa preparação para incorporá-lo foi difícil?

O Antônio Carlos (Mussum) era uma pessoa incrível, ele dizia que não era humorista e sim caricato. O Dedé Santana foi quem trouxe o Mussum para a trupe dos Trapalhões, e durante o laboratório que fizemos, ele contou que as coisas que o Mussum falava não tinham nem no texto.  Comecei a ver vídeos dele, e colocava só o áudio enquanto me preparava para dormir, e dormia ouvindo a voz dele. Os trejeitos, de tanto assistir, e o trabalho de preparação foi muito importante.

Os trapalhões costumavam fazer um humor muito diferente do que é feito hoje. Como ficou isso?

Hoje está muito mais sério e politicamente correto. O Mussum pegou até mesmo a questão do racismo e transformou em brincadeira naquela época. Então até comigo mesmo, não houve nenhuma brincadeira em que eu me sentisse mal, foram todas brincadeiras sadias, que hoje a gente consegue fazer uma passagem de tempo do que era para a linguagem de hoje.

Você sente como se ele estivesse presente?

Pô cara, eu coloco o figurino e sinto ele aqui. A família dele mora no meu prédio, então eu sempre conversava com eles. O Sandro, filho do Mussum foi um cara que me ajudou muito. Homenagear o Mussum é uma grande responsabilidade, eu estou muito emocionado porque eu ainda não tinha visto as cenas e entendemos que estamos aqui para nos divertir. Queremos apenas honrar o que eles fizeram, e dar sentido ao que eles lutaram lá atrás.

Como foi gravar com o Dedé Santana e Renato Aragão?

Desde o primeiro dia que cheguei aqui, eles estiveram sempre perto da gente, nenhuma vaidade nem separação. Todos sabemos a responsabilidade que é estar aqui neste projeto e tenho que dizer que a ficha ainda não caiu, porque minha infância foi assistindo a esses caras e é uma emoção para mim. Minha vida foi muito difícil, diziam até que eu era filho do Mussum, e assisti a muitos filmes dos Trapalhões, e hoje eles estão aqui próximos, e o melhor é que eles mesmos não tornam isso distante.

E você esperava estar aqui, vivendo esse momento novo na sua carreira?

Eu vim de uma família muito pobre, a Regina Casé que me botou na televisão. Eu comecei do nada, e hoje estar aqui é uma grande responsabilidade. Não queremos ser ou tomar o lugar dos Trapalhões originais, e sim fazer o público se divertir.

Você sempre foi muito batalhador por correr atrás de diferentes projetos. Como vai ficar a música na sua vida?

Aquele Mumuzinho batalhador continua aqui. Eu sou da música, do samba, e pude vivenciar um momento tão crítico da música. Nesse momento de crise no país, entre comer e ouvir música as pessoas preferem comer. Hoje em dia, a dificuldade que está a música, poder entrar numa outra área que gosto muito que é atuar, é um presente.

Você falou sobre a Regina Casé e sobre a gratidão que tem…

Sou muito grato. A Regina Casé é minha vida. Qualquer hora que ela me ligar estarei junto com ela. E esse trabalho eu fiz pensando nela, para ela ter orgulho do filho que ela arrumou.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.