Dedé Santana elogia novo elenco de Os Trapalhões: “São heróis”

Dedé Santana
Dedé Santana (Divulgação/ TV Globo)

Dedé Santana, o eterno trapalhão estará de volta à TV nesta segunda-feira (17), no programa Os Novos Trapalhões, que será exibido pelo Canal Viva. Na companhia de seu amigo, Renato Aragão, ele vai reviver seu personagem mais famoso. Em conversa com o Observatório da Televisão, o humorista falou sobre suas expectativas sobre o remake do programa, o carinho do público e como foi o seu encontro com os atores que interpretam os novos trapalhões:

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Como é para você participar desse novo programa que traz de volta Os Trapalhões?

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à Rede Globo pela oportunidade de nos preparar essa linda homenagem no aniversário 40 anos dos Trapalhões. No começo fiquei bem preocupado, mas me tranquilizei ao conhecer os meninos (Lucas Veloso, Bruno Gissoni, Gui Santana e Mumuzinho). Acho que o grande barato é que os trapalhões estão de volta ao lar, porque só fomos muito conhecidos por causa da Rede Globo. O Renato é muito mais comerciante do que comediante, e a cabeça dele para dirigir nosso antigo programa era incrível. Eu trouxe para a trupe o humor circense, fui até nomeado embaixador do circo no Brasil recentemente. Passei isso para o Mussum, para o Zacarias, para o próprio Didi, e os ensinei como cair no chão por exemplo. Todo lugar que eu vou as pessoas dizem “Sinto falta do humor dos trapalhões”. Então participar desse projeto, tendo Ricardo Waddington como diretor foi algo que me deixou muito feliz.

O que você achou dessa nova formação?

Olha, esses meninos são heróis. Eu nunca me considerei um trapalhão, mas sempre fui fã dos trapalhões. O Mussum então, era um ídolo pra mim, ele não saía da minha casa e do meu lado. O caso do Zacarias, era um tipo que ele fazia, interpretando um personagem, mas Didi, Dedé e Mussum não, éramos basicamente aquilo ali. E o novo elenco cumpriu muito bem a missão.

Quando surgiu o convite você teve medo de dar errado?

Todos nós tivemos. As próprias pessoas, quando eu contava sobre o projeto falavam “Acho que não vai dar certo”, mas quando o projeto cai na mão de pessoas competentes é outra história. Tenho para mim que vai funcionar. Por mim, começaríamos a gravar agora tudo de novo. Nas últimas gravações aconteceu algo que acontecia comigo lá no início, onde eu ficava tão encantado com a atuação dos outros que o diretor precisava me dizer “Dedé, você está na cena”. Chegava a hora de eu dizer minha fala e eu estava mais preocupado em ser espectador deles.

O humor de hoje tem algumas diferenças. Como vocês pretendem lidar com isso?

Tem diferenças, e tem essa coisa do politicamente correto é o que não podemos errar. Por exemplo, o doce que mais gosto se chama Nega maluca, aí chego no lugar e digo que quero uma afrodescendente desmiolada? Falo isso, porque minha família é toda composta por negros e brinco dessa forma em casa, mas temos que substituir por outras coisas hoje em dia. O Mussum, quando vivo, pedia para eu chamá-lo de “negão”, hoje não posso chamar o Mumuzinho de “negão”.

Você sentiu que os trapalhões estavam realmente ali reunidos?

Eu senti na primeira cena que fiz sozinho com o novo elenco. Quando a cena terminou eu tive que ir conversar com o Mumuzinho porque ele estava igual ao Mussum, e fiquei impressionado com o trabalho dele. O Zacarias nem se fala, parece a encarnação. Só não gostei do Bruno (Gissoni) fazendo o Dedé porque ele é muito bonito (risos).

Dedé Santana, Renato Aragão, Gui Santana, Lucas Veloso, Mumuzinho e Bruno Gissoni (André Romano)
Dedé Santana, Renato Aragão, Gui Santana, Lucas Veloso, Mumuzinho e Bruno Gissoni (André Romano)

Você disse que não se sentia um trapalhão. Explique isso.

Eu me sentia mais fã do que fazendo parte do grupo. As pessoas sempre me diziam que o Dedé era o único que não tinha graça. E no primeiro encontro que tivemos para o remake, o Renato falou para o Bruno: “Você vai fazer o papel mais difícil que é o Dedé, porque ele não está ali para fazer graça e sim preparar a piada para os outros comediantes”.

Como é o carinho do público? Continua o mesmo?

Rapaz, continua igual. Nas apresentações que faço, vejo diversas gerações, e acho engraçado crianças querendo me abraçar, e imagino que elas estejam tomando conhecimento dos trapalhões pela internet. Outro dia fiquei emocionado no aeroporto porque chegou perto de mim um rapaz chorando, pediu para me abraçar, e disse “Quando eu conheci Os Trapalhões eu era solteiro, me casei, tive meu filho e ele foi quem pediu para te dar um abraço, tenho que chorar cara”.

Quem é o público alvo desse remake? O público saudosista do primeiro programa ou uma nova geração?

Aí você me pegou. Não sei te dar essa resposta. As pessoas sentem muita falta dos Trapalhões. Fiz um show recentemente no Mato Grosso, e ao final do espetáculo, eu falei que tinha uma novidade, e contei sobre os novos trapalhões. A plateia levantou e começou a aplaudir, então existe uma expectativa nessa volta.

Conte-nos um pouco sobre o período em que ficou fora da Globo.

Esse período eu estava em Portugal com o Renato Aragão fazendo Os Trapalhões lá, que eram só Dedé e Didi. Ficamos lá por quatro anos. Quando voltei ao Brasil, fiz Escolinha do Barulho, e depois o Beto Carrero me chamou para fazer Dedé e o Comando Maluco, que eu adorava fazer.

*Entrevista realizada pelo jornalista André Romano.