Sandra Annenberg abre o jogo: “Não Penso em migrar para o entretenimento”

Sandra Annenberg
Sandra Annenberg (Divulgação)

Sandra Annenberg é uma das figuras mais carismáticas do telejornalismo brasileiro, e o púbico da internet confirma isso em forma de memes. Sorridente, ela conversou com nossa reportagem e falou um pouco de sua trajetória profissional. Confira o papo:

Como tem sido sua carreira até o momento?

“São 25 anos de telejornalismo diário.Todo santo dia você estar ao vivo dando noticias – vocês colegas de profissão sabem – não é fácil. Mas ultimamente tem sido bem mais difícil. Então, 2016 foi o ano mais difícil profissionalmente que eu já tive. Foi um ano que as noticias não só foram impactantes, mas elas tiveram um volume e uma rapidez muito grande. A cada minuto aparecia uma coisa nova. Nós jornalistas ficávamos surpreendidos.Foi um ano muito complexo para todo mundo.”


Como é a sua relação com sua filha?

“Minha filha já está com 13 anos. Agora ela entende mais das noticias. Até então, a mãe vivia talvez em um mundo mágico, um mundo da televisão. Quando eu era criança, eu me lembro que eu ia olhar no tubo da TV, para ver quem estava lá dentro. Como aquilo funcionava e tudo mais. A gente vivia em um mundo protegido, em um mundo mágico. Que as coisas aconteciam em um piscar de olhos. Aos poucos a minha filha está percebendo que a realidade é outra. Eu sou muito realista com ela. Eu conto absolutamente tudo. Eu não mudo as cores para falar do dia a dia. Ela está chegando em uma idade que ela está entendendo. Então, ela sabe a importância que o prêmio do programa do Faustão significa para mim. Ela sabe como eu chego em casa. Triste, pesada, carregada. Não há quem não chegue assim depois de um dia de trabalho longo e muito exaustivo. Ela sempre me amparou muito. Ela agora está entendendo mais a minha profissão. É muito bom. Ela quer ser atriz. Ela quer ir para a ficção. A realidade está demais (risos). Quem sabe eu irei a entrevistar no futuro? Seria o máximo.”

Como é a Sandra como mãe?

“A minha vida é corrida como a de todo mundo. Hoje em dia não tem essa coisa de mulher dona de casa, profissional, mãe e tal. Sempre teve. As mulheres sabem bem o que é se desdobrar em 15. Mas os homens também estão se desdobrando em 15. Eles também estão presentes em casa, participando, levando o filho pra escola, ajudando a casa funcionar. Enfim. Isso não é mais uma função feminina. Como mãe, acho melhor você perguntar para ela (risos). Eu sou uma mãe chata. Eu não vou lá verificar se fez lição, e nem faço lição junto com ela. Essa é uma responsabilidade dela. Ela que tem que fazer e fazer bem feito. Eu confio nela. Eu sou a primeira a parabenizar quando ela tira boa nota. Eu não puxo a orelha quando não tira boa nota. Mas eu falo: ‘podemos melhorar, né?’. A vida é um aprendizado. Você erra, você aprende. Você cai, levanta. Vamos em frente. Eu sou chata nesse sentido. Eu sou exigente.”

Como você avalia o programa ‘Como Será”?

“Estou muito feliz com o sucesso do programa ‘Como Será? ’. É um programa pensado por muitas cabeças. Todo mundo na mesma sintonia. Acreditando que é possível sim fazer algo melhor. Nós podemos nos melhorar. É um programa que mostra todas as atitudes, todas as iniciativas. A gente vive reclamando, a gente gosta de reclamar da vida. Quando você vê pessoas que estão reagindo e estão fazendo alguma coisa, tudo muda. E, são pequenas atitudes. São pequenas atitudes que estão conseguindo mudar o mundo. É isso que a gente consegue mostrar nesse programa. Eu costumo dizer que o ‘Como Será?’ é o meu oásis. É o lugar onde eu consigo respirar, curtir muito e me divertir bastante. Além de ser muito feliz. Porque no meio dessa selva de pedra e tudo mais, a gente precisa criar esse oásis. Então, eu amo o ‘Jornal Hoje’ de paixão, como sempre eu amei. Mas o ‘Como Será?’ tem sido o momento do respiro.”

Como algumas de suas colegas de profissão, você pensa em ir para o entretenimento?

“Eu não penso em migrar para o entretenimento. Eu comecei como atriz. Fiz novela, seriado e tudo mais. O ‘Como Será?’ me satisfaz. Eu gosto tanto de jornalismo diário também. A adrenalina diária me motiva. Eu fico pensando quando eu irei me aposentar, como vou viver sem essa adrenalina diária. A gente que é jornalista sabe que isso corre nas veias de uma maneira enlouquecedora. Então, o ao vivo é muito gostoso. Gosto muito da noticia que acaba de chegar. Do plantão, que tem que entrar e tudo mais. Isso é incrível.”

Como você encara o fato de ter virado meme tantas vezes?

“Eu rio de mim mesma. A gente tenta rir da gente. Se não, a gente perde a graça da vida. Eu acho essa loucura da internet, pra mim, isso é uma loucura. Eu não sou tão conectada assim, não sou das redes sociais não. Não é da minha geração, não é da minha época. Eu preciso saber como as coisas funcionam. Mas eu não consigo agir como a juventude age. Com o telefone na mão o tempo todo, clicando e tal. É muito interessante. Mas, não faz parte da minha vida, nem do meu show. Agora de virar meme, eu só posso achar engraçado. Sei lá.”

Como é o carinho do público?

“É uma delicia. É extremamente carinhoso. As pessoas chegam com o brilho nos olhos, que me emociona. É isso.”

André RomanoENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO