“No dia que meu contrato acabou, a Fátima me convidou para o Encontro”, relembra Alinne Prado hoje no Vídeo Show

Aline Prado hoje no Vídeo Show
Aline Prado hoje no Vídeo Show (Reprodução Globo)

Quem pensa que trabalhar na TV é fácil não imagina a quantidade de obstáculos que muitos profissionais da área enfrentam. Ter talento, carisma, um boa formação, persistência e uma boa dose de sorte ajudam e muito.

Alinne Prado coleciona passagens pela TV Brasil, Globo News e Globo. Do jornalismo para entretenimento, Alinne segue um caminho trilhado com frequência por muitas colegas de profissão. E na sua nova jornada ela vem conquistando seu espaço.

Cobriu política, economia, trânsito e se tornou repórter do Encontro com Fátima Bernardes. Daí foi um pulo para os bastidores da TV Globo, ou seja, Alinne Prado além de ser repórter do Vídeo Show acumula também a função de âncora ao lado de Otaviano Costa, Joaquim Lopes e Rafael Cortez.


Em entrevista ao Observatório da Televisão, Alinne fala do começo da carreira e dos desafios que enfrentou para realizar seu sonho.  No dia em que seu contrato com o departamento de jornalismo da Globo acabou, Fátima Bernardes lhe fez um convite: “O ‘ao vivo’ trouxe visibilidade ao meu trabalho e a Fátima Bernardes me acompanhava no canal.  Daí, no dia que meu contrato acabou com a emissora ela me fez o convite para integrar a equipe do Encontro, que ainda estava na época do núcleo de criação. Fiquei extremamente honrada e feliz.”

Confira:

Teve medo de mudar do jornalismo para o entretenimento? E por que mudou? No jornalismo, Globo e Globo News, o que mais destaca?

Nunca tive medo de mudanças.  Mas confesso que essa migração do jornalismo para o entretenimento não foi algo planejado. Fiquei dez anos fazendo jornalismo na TV Brasil e pedi demissão para ir para Globo News. Nesse canal 24 horas eu fiz coberturas ao vivo de grandes tragedias no Rio de Janeiro (como descarrilamento do bondinho, chacina na escola de realengo, desabamento de um prédio no Centro do Rio…). O “ao vivo” trouxe visibilidade ao meu trabalho e a Fátima Bernardes me acompanhava no canal.  Daí, no dia que meu contrato acabou com a emissora ela me fez o convite para integrar a equipe do “Encontro”, que ainda estava na época do núcleo de criação. Fiquei extremamente honrada e feliz.

Em algumas entrevistas você conta que sofreu preconceito por não ter um nome de peso para então conquistar um espaço na Globo. Como avalia as suas conquistas e o que diria para aqueles que duvidavam da sua capacidade? E pra quem tem um sonho e passa pelas mesmas coisas que já passou, o que diria?

Subestimar o próximo se baseando em características físicas ou sociais ainda é uma atitude muito comum, infelizmente.  Mas eu sou daquelas que não se ligam nessas atitudes mesquinhas. A melhor resposta para acabar com as trevas é brilhar. Me prendo a Deus (e sou muito grata a Ele) e sigo meu caminho sem abaixar a cabeça.

O que mudou na sua vida, carreira, após vir para o entretenimento? Passou a ter mais cuidado com o corpo? O público te vê com outros olhos? Você passou a ficar mais exposta na mídia. Quais os cuidados que toma para não invadirem a sua privacidade?

A vida mudou muito. Meu trabalho ganhou uma dimensão que nunca imaginei! E com isso a visibilidade também cresceu.  O entretenimento exige mais da nossa imagem, e eu me cuido para estar bem para meu público.  Tenho uma relação muito positiva e respeitosa com os fãs – e isso é recíproco.  E procuro estar bem fisicamente e intelectualmente para dar ao espectador um trabalho cada vez mais bonito e consistente.

Ser uma jornalista e negra representa muito não só pra você, mas também para milhares de mulheres. Como analisa esse contexto levando em conta o pouco espaço que a mídia reserva aos profissionais negros? Afinal, você é a primeira e única apresentadora negra do programa. Quem te inspira? Já passou por alguma situação de racismo? Como tem criado o seu filho em relação a tudo que ainda acontece?

Somos poucos, porém cada vez mais fortes.  E pouco a pouco estamos crescendo.  Colorindo nosso espaço com muito orgulho. Eu sempre fui fã da ex-apresentadora norte americana Oprah Winfrey. Ela é o símbolo de empoderamento negro feminino com conteúdo de qualidade. Me espelho muito nela! E vou desbravando espaços, tentando construir um caminho mais bonito para meu filho caminhar. Um mundo de mais justiça racial e social.  Um mundo com mais humanidade e  generosidade.

Aline Prado e o pequeno Arthur (Reprodução Twitter)
Alinne Prado e o pequeno Arthur (Reprodução Twitter)

Você é repórter do Vídeo Show mas também está na bancada. Como é a sua rotina quando está trabalhando na bancada? Como se prepara para as pautas?

Boninho meu deu um grande presente de poder substituir os meninis na bancada.  Eu fico extremamente grata e feliz. Tanto quando tenho oportunidade de apresentar o programa ou quando estou fazendo reportagem, estudo o que farei.  Tenho tanto carinho pelo meu trabalho, que me preparo com uma fonoaudióloga incrível chamada Rose Gonçalves e faço teatro para entender melhor a preparação artística.

O programa tem se mostrando mais descontraído. Como é sua relação com os demais apresentadores?

Sabe aquela bagunça no recreio da escola? Somos nós nos bastidores. O Vídeo Show conta com uma equipe qualificada e muito amorosa.  E os meninos viraram meus grandes amigos.  Joca, Ota e Rafa moram no meu coração.