“Não gosto nem de lembrar”, afirma Ana Canosa, terapeuta do Escola para Maridos, sobre momento de fúria de um dos participantes

Ana Canosa Fox Life (Reprodução)

Os problemas conjugais sempre foram debatidos nas novelas e atrações de gosto duvidoso como Márcia, Silvia Poppovic, Hora da Verdade, João Kleber, Ratinho, Casos de Família e Troca de Família…E na vida real também: trabalho, família, faculdade…Sempre tem alguém querendo desabafar e alguém pra ouvir, certo? Certo, mas será que com capacidade necessária para dar bons conselhos? Talvez.

No caso do reality exibido pelo Fox Life, Escola para Maridos, o viés era outro – claro que a exposição faz parte do jogo de cena em busca de audiência – mas a atração tinha um começo, meio e fim e o apoio de uma especialista no assunto: meter a colher no vida dos casais – oito casais – problemáticos das mais variadas classes sociais e estilos tendo a psicologia como aliada.

Em entrevista ao Observatório da Televisão, Ana Canosa, terapeuta do programa, que lançou o livro A Metade da Laranja? Discutindo Amor, Sexo e Relacionamento, fala sobre a sua participação no programa e os dilemas da vida a dois.


Em umas das provas de “resistência” e conciliação, a esposa tinha a oportunidade de realizar uma fantasia sexual com o apoio de um modelo – que cumpriria ali o papel de marido – uma delas se entregou tanto que acabou cedendo aos apelos do convidado e o beijou. Para Ana a atração que comanda ao lado de Luigi Baricelli, Diana Bouth e Felipe Solari discutia tudo sem amarras: “Não há hipocrisia. A gente fala de sexo, de desejo, de infidelidade, de traição financeira, da dúvida sobre paternidade, da raiva da família…” 

Um dos momentos mais tensos envolveu justamente uma prova que testa o ciúmes: Tatinho não gostou nem um pouco das regras da prova e explodiu: Seguranças, produtores, maridos, apresentadores foram acionados para tentar conter a fúria do corintiano. Sobre esse lamentável capítulo, Ana não gosta nem de lembrar: “Se teve uma coisa ruim que eu vivi nesse programa foi o dia dessa gravação. Não gosto nem de lembrar, não assisti a esse episódio na minha casa. Eu detesto violência. Foi demais para mim”, declara Ana que também marca presença no programa Eliana do SBT. 

Confira:

Qual foi o seu maior desafio como terapeuta da atração?

Lidar com oito homens difíceis de uma só vez!

Como se preparou para o programa?

Tenho 25 anos de atuação como psicóloga clínica, 20 como terapeuta sexual e de casais. Somam-se 18 como professora, sete escrevendo para homens na Revista VIP e mais cinco fazendo TV. Sem contar dois casamentos, e anos de terapia…acho que já estava pronta, né?

Assistiu aos programas veiculados no exterior?

Sim, assisti uma temporada da versão argentina.

O que a Ana levou da vida pessoal para o programa?

Muita disposição para ouvir e vontade de partilhar, além de tudo o que aprendi sobre ser homem, ser mulher e ser “dois” na minha vida pessoal. Contei muito sobre minha vida para eles, trocamos ideias, nos emocionamos. Eu estava 100% ali.

E do programa para a vida pessoal?

Que eu preciso ser mais romântica com meu marido.

Qual foi o retorno do público?

Para mim foi maravilhoso. A maior parte das pessoas fez referências positivas ao meu trabalho e isso me encheu de orgulho.

Entrar na intimidade dos casais foi o seu maior desafio levando em conta a exposição que não ocorre em um consultório?

Embora seja diferente em consultório, no sentido das aulas, exercícios e atividades, a intimidade é a mesma, mas se expressa de modo diferente. Enquanto no consultório ela é revelada em um ambiente privado, através da expressão corporal e verbal, no programa ela é exposta, se torna visual. Eu acho que lidar com a exposição sim, é mais difícil, não só eu, mas todos do elenco, produção e direção, nos preocupamos com os limites da exposição dos casais.

Mudaria alguma atitude como terapeuta?

Não. Nada. Nem saberia como fazer diferente.

Qual casal apresentou efetivas melhoras apesar do resultado?

Todos os casais aprenderam muito e isso foi muito legal de observar. Alguns mais, outros menos. Felipe Fachini e Bruna; Luiz e Flávia foram os que mais mudaram como casal, sem dúvida nenhuma.

E o pior apesar das expulsão e da atitude do Adriano?

Adriano e Wiliam são os que eu tenho mais dificuldade de avaliar, pois tem um comportamento irônico e uma personalidade menos flexível; então eu me questiono o quanto se aprofundaram em suas questões. Mesmo Felipe Melo, sendo extremamente duro e reativo, quando a ficha caiu, caiu mesmo!

Durante a formatura vocês passaram por algumas situações. O que motivou a atitude do Adriano com a Diana? O fato dela ser uma mulher bonita justifica – jamais – a atitude dele? Conversou com ele após o programa? Adriano é a prova de que os conflitos não foram capazes de mudar em quase nada seu comportamento. Comente por favor:

Adriano tem um comportamento bastante forte de defesa; ou ele agride, ou ele ironiza, ou desconversa. É o que mais teve dificuldade em baixar a guarda. Penso que no momento final, quando os homens se uniram para decidir quem havia sido o “melhor marido”, ele foi o primeiro a ser descartado, de maneira bem explícita, verbal; acho que ele se incomodou, embora nunca vá admitir isso. Ao invés de fazer disso uma reflexão sobre seu comportamento, descontou na Diana. Aproveitou para ter uma atitude bem sexista, para mostrar “que ele pensava assim mesmo”, que ele estava sendo verdadeiro e por isso mesmo não tinha sido considerado o melhor marido…Minha leitura. Ele pensa daquela maneira mesmo, infelizmente.

E a explosão do Tatinho, marido expulso, com o Luigi e outros deixou você apreensiva?

Se teve uma coisa ruim que eu vivi nesse programa foi o dia dessa gravação. Não gosto nem de lembrar, não assisti a esse episódio na minha casa. Eu detesto violência. Foi demais para mim. Confira aqui o momento mais tenso do programa. 

O mardo explodiu e foi expulso da atração (FoxLife)

Mantém contato com alguma família após o fim do reality?

Sim, com alguns pelas redes sociais.

A proposta do programa é salvar aqueles casamentos, mas mesmo diante de tantas barbaridades insistir é a solução?

A lógica de um casal não é a sua, nem a minha. Há muitas questões emocionais envolvidas que dificultam resoluções de separação. O que para mim é um sacrilégio, para outro pode não ser. O problema de um casal está no quanto sofrem, ou não, com sua dinâmica. Certamente que separar, em alguns casos, é uma solução mais saudável.

Cada programa apresentava um tema diferente. Qual chamou mais a sua atenção? E por quê? Como pensaram nas provas e temas? A prova da fantasia não foi ousada demais? Uma esposa chegou a beijar um participante…

Sabe o que mais eu gosto nesse programa? Não há hipocrisia. A gente fala de sexo, de desejo, de infidelidade, de traição financeira, da dúvida sobre paternidade, da raiva da família, etc, etc. Então, coisas podiam acontecer. E vou te falar: pelos comentários que li no twitter, foi isso que mais agradou ao público. As pessoas foram, junto com o programa, fazendo reflexões sobre cada episódio, então se uma mulher deu um selinho em um modelo, lá pelas tantas, isso de algum modo não era o principal, pois o público ia percebendo o quanto verdadeiro era o programa e o quanto somos humanos. Para mim, em se tratando de dinâmica de casal, o episódio 1, da comunicação, foi sensacional. Gostei muito da prova do acampamento e também da troca de casais. Ah…gostei de tudo. As provas não foram elaboradas por nós, mas nós as conduzimos e orientamos todo o conteúdo. Se eu tiver oportunidade de contribuir para pensar em provas e exercícios para futuras temporadas, farei isso com prazer.

Talvez o Luiz e a Flavia fossem o casal mais complicado. O quanto a história dela mexeu com você e o grupo como um todo? Praticamente todos choraram com a revelação dela…

Uma história de abuso sempre mobiliza, mas não penso que isso foi o principal no caso deles. Dava para perceber que eles se amam muito, tem muita intimidade, então era quase impossível não torcer para que se conectassem em uma relação positiva e saudável novamente. Luiz foi certamente o primeiro marido que percebeu que o seu comportamento agressivo não tinha relação direta com a Flavia, era algo dele, da sua personalidade. Ao invés de ficar se justificando no comportamento da mulher, tratou de pensar a respeito.

O quanto as esposas estavam entregues ao programa? Existia ciúmes por parte delas em relação a outros participantes?

Ciúme talvez um pouco, mas não senti isso de maneira forte. Algumas estavam bastante entregues, outras menos. De qualquer maneira, todas elas estavam dispostas a colaborar e a melhorar suas relações.

Falando em tarefas…Você e a Diana assim como o Felipe e o Luigi protagonizaram cenas curiosas: simulação de sexo. Não foi ousado por parte dos maridos escolher os apresentadores do programa? Ficou receosa em cumprir a tarefa?

(Risos) Em algum momento eles tinham que extravasar não é mesmo? Foi a deixa para “se vingarem” de nós. Como eu trabalho com sexualidade, dou aulas e sou uma pessoa espontânea, para mim, tudo bem. Foi bem divertido, não tive um pingo de receio em fazer.

Apresentadores do programa foram pegos de surpresa (Reprodução)

Uma palavra que define a atitude dos maridos?

Machistas.

As esposas também precisam de uma escola?

Nossa. Se precisam; a maior parte delas contribui para o comportamento do marido!!!!

Livro da terapeuta A Metade da Laranja (Divulgação)