Marcelo Adnet sonha em ter Silvio Santos em uma participação no ‘Tá no Ar’: ‘Ele não é de nenhuma emissora, pertence ao Brasil’

Marcelo Adnet
Marcelo Adnet (Divulgação)

Prestes a estrear a quarta temporada do exitoso ‘Tá no Ar’, Marcelo Adnet não perde uma piada. Mas, na entrevista a seguir, que o apresentador nos concedeu, ele falou (sério) um pouco de tudo e comentou que estamos vivendo em uma era em que ninguém pode expor a sua opinião. “É muito difícil fazer um programa e dar a sua opinião, onde as pessoas estão tão reativas a receber a opinião dos outros. O artista hoje é um criminoso. Nós somos todos criminosos, bandidos, canalhas”, revelou Adnet.

Com estreia prevista para a próxima terça-feira, 24 de janeiro, o programa vem repleto de participações especiais. De Angélica a Sandy. Mas, segundo o artista, uma participação que seria o seu sonho de consumo, seria a do nono do SBT, Silvio Santos. “Meu sonho seria o Silvio Santos. Ele é uma figura unanime. Quando eu cheguei aqui na TV Globo, eu não tive o menor medo de falar do Silvio. Ele não é de nenhuma emissora. Ele é o dono do SBT. Ele é do Brasil, ele é do mundo. Talento não pertence a uma emissora. Talento é talento”, opinou Marcelo, que sem dúvida nenhuma, é um artista completo.

Confira o papo:


Esse ano, você terá três programas no ar. Qual deles você considera o mais original, que tem o seu DNA?

“Falando dos três projetos, de qualquer maneira, eu acho que a ‘Escolinha do Professor Raimundo’ é a que é menos autoral porque ela já existe. Ela é uma releitura, mas ao mesmo tempo tem muita autoria porque eu tenho que fazer o personagem Rolando Lero, e ao mesmo tempo fazer o Rogério Cardoso fazendo o personagem. Ou ao mesmo tempo não fazer nada disso. Nunca vou ser o Rogério, nem o Rolando Lero. O melhor que a gente tem que fazer é criar uma terceira via. Tem muita autoraridade subjetiva ali. Para cria, a gente muda um pouco o texto também. Falando do ‘Adnight’, nele eu tenho que receber muita gente, são muitos convidados e o tempo do programa é bem curto. É tudo muito dinâmico, muita coisa. Eu sou quase um cara de harmonia de escola de samba (risos). Eu acho que o programa que eu mais tenho autoraridade é o ‘Tá no Ar’, embora nesse programa eu tenho um nível de improviso pequeno. Nesse programa, a autoraridade acontece mesmo na redação. Todos tem o meu DNA. É isso.”

O ‘Adnight’ foi um programa que dividiu um pouco a critica especializada. O que você aprendeu desse processo?

“Achei as criticas ótimas. Hoje em dia nada é unanimidade e acho isso muito normal. Tem muitas coisas para melhorar na atração sim. A gente grava quase quatro horas o programa, para colocar no ar meia hora. Então, a linguagem de três horas, o ritmo de três horas, é um, quando você coloca em meia hora é outro. Corta-se muita coisa e o programa fica limpo demais. Não tem a sujeira (os erros). Pra quem assistem, acho que as pessoas ficam na curiosidade de ver o erro. O programa é uma grande aventura também. Acho que temos muito que aprender. É uma carga bem forte de trabalho.”

O ‘Adnight’ fez muito sucesso na internet. Você imaginava esse sucesso?

“Eu não esperava não. Eu imaginava que ia ser um desafio. Que é uma coisa nova. Eu comecei fazer esse programa como uma ignota. Porque esse formato é estrangeiro, que precisa se adaptar ao Brasil. A realidade brasileira, ao jeito brasileiro. Também é muito difícil fazer um programa e dar a sua opinião, onde as pessoas estão tão reativas a receber a opinião dos outros. O artista hoje é um criminoso. Nós somos todos criminosos, bandidos, canalhas. Eu só estou aqui porque eu estou apoiando uma revolução comunista, e, estou ganhando muito dinheiro. O governo de Cuba que me paga. Não sei se vocês perceberam, a Globo é ligada a Cuba e ao PSOL. Me alimento da Lei Rouanet. (Marcelo brinca com o que mais lê nas redes sociais). Realmente, é quase insuportável você lidar com isso diariamente. É um momento difícil de falar também. É uma criminalização da arte. O artista é um vagabundo. É um discurso que diz: ‘nós não precisamos de cultura. Precisamos de mais armas, de mais tiros e mais mortes de bandidos’. Estamos vivendo em um momento muito delicado. Isso é mais um desafio para se fazer um programa opinativo. As pessoas precisam entender que a sua opinião é só a sua opinião.”

Você tem cuidado em expor as suas opiniões nas redes sociais?

“É sensibilidade! É o bom senso. A gente sente que o momento do país é um momento tenso. A gente sente isso. Outro dia teve um tiroteio na rua onde eu moro. O cara executou a irmã. Eu fui buscar na internet o que estava acontecendo. Eu desci e descobriu o que era; e twittei. Falei que o policial teve um surto e matou a irmã com seis tiros no peito. A primeira resposta que veio foi a seguinte: ‘vai lá e colocar a sua camisa do PT e vai levar tiro’. Mas ao mesmo tempo é natural. Ninguém viveu essa época. O lado bom da internet é muito maior. Eu não vivo sem essa tecnologia.”

Vivemos na era da inveja. As pessoas criticam o outro por ele ser bom. Você acha que as pessoas querem ser você?

 “Eu não sei! Sinceramente eu não sei. O cara manda eu levar tiro. Eu acho que isso é mais uma coisa de chamar atenção. De ser notado, de ser visto. É um fenômeno que a gente não sabe o que move. A gente experimenta coisas muito estranhas.”

Você cria e atua. Você consegue dividir uma coisa da outra?

“Eu acho que é bem perto uma coisa da outra. Pra mim, o criar e o atuar estão juntos.”

Na última temporada, Carlos Alberto de Nóbrega participou do ‘Tá no Ar’. Qual é o convidado que seria o seu sonho participar do programa?

“Meu sonho seria o Silvio Santos. Ele é uma figura unanime. Quando eu cheguei aqui na TV Globo, eu não tive o menor medo de falar do Silvio. Ele não é de nenhuma emissora. Ele é o dono do SBT. Ele é do Brasil, ele é do mundo. Talento não pertence a uma emissora. Talento é talento.”

Você é oriundo do teatro. Você pensa em voltar aos palcos?

“Eu ainda não tenho nada montado, mas eu sinto falta do teatro. No palco a resposta é ao vivo. Eu sinto saudade do palco sim.”

O que você assiste quando está em casa?

“Eu vejo coisa que eu gosto e vejo coisa que eu não gosto. Gosto de séries, de programa jornalístico e tudo mais.”

André RomanoENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO