Após sucesso de Os Dez Mandamentos, Sergio Marone afirma: “A Globo me vê com outros olhos”

Sérgio Marone no Hoje em Dia (Divulgação)

Sergio Marone ganhou status depois que assinou contrato com a Record em 2014 e protagonizou um dos maiores sucessos da emissora. Em Os Dez Mandamentos, escrita por Vivian de Oliveira, Marone deu vida ao vilão Ramsés. Talvez a sua “Odete Roitman”. A trama, que peitou a Globo, conquistou não só os brasileiros como alguns países da América Latina, entre eles, Chile e Argentina, batendo outro grande sucesso da Globo, Avenida Brasil.

Ainda colhendo frutos de seu grande vilão, Marone está cotado para outra trama na emissora, Apocalipse, que conta com a mesma equipe de Os Dez Mandamentos. Enquanto não se confirma a sua participação no folhetim, o ator investe em outro segmento, o de apresentador.

Aguardando uma vaga na grade da Record, ele segue à frente do matinal Hoje Em Dia substituindo César Filho, que está de férias. Claro que ele não está só. Ana Hickmann, Renata Alves e Ticiane Pinheiro seguem na atração que disputa a vice-liderança com o SBT, e que vez ou outra ganha da Globo.


Em entrevista ao Observatório da Televisão, Marone fala sobre críticas em relação ao seu trabalho como ator e apresentador: “Ninguém é mais critico comigo do que eu mesmo”. E a forma como o seu trabalho na Record TV mudou o olhar de algumas pessoas e, é claro, o da Globo: “Sim, a Globo me vê com outros olhos, mas eu sempre fui bem recebido na Globo. Tive boas oportunidades na Globo. Não tenho do que reclamar”, ressalta.

Confira:

Como surgiu o convite para apresentar o Hoje em Dia? 

A gente já vinha conversando sobre algo na linha de shows, eu apresentei um programa ao vivo no Chile de duas horas de duração, a Record viu, me chamarem para fazer o Família Record, logo depois eles me convidaram para substituir o César nas férias dele.

O programa aborda muitas pautas relacionadas ao cotidiano das grandes cidades como violência, trânsito, entre outros. Como você se prepara para falar sobre esses assuntos? 

Tenho lido bastante, gosto de ver canais de notícias em casa, na academia. Eu deixo pra ver dramaturgia em on demand, no meu tempo, tenho focado muito em notícias [Sergio interrompe a entrevista pra falar do sistema prisional que está em crise por conta do caso de Manaus e tem ganhado destaque nos telejornais].

Você tem participado da reunião de pauta do programa? Estuda os assuntos em casa?

Eu me pauto horas antes do programa ir ao ar e na reunião de pauta do dia. É tudo muito dinâmico mesmo. Sobre as notícias do Brasil e do mundo eu vejo nos jornais do dia anterior mesmo.

Audiência te preocupa? 

A gente sempre recebe um report e tem sido ótimo. O horário da manhã é um dos mais disputados da televisão. O SBT vem com programação infantil, a Record fica numa disputa boa com a Globo. Em alguns momentos ficamos na liderança. Eu não me preocupo com isso. Eu me preocupo em fazer o meu trabalho bem feito. Eu fico feliz em saber que está dando um retorno ótimo, mas eu não me culpo por isso. A audiência depende de muitos fatores…

Renata Alves, Sergio e Ticiane nos bastidores do programa (Record TV)

E qual seria o formato de um programa comandado por você?

Eu gostara de levar para o público um entretenimento leve, positivo e propositivo. Não cabe a mim decidir como será a programação da casa, mas isso seria bem a minha cara. Eu ainda nem tenho que pensar nisso. E quando tiver que pensar será em conjunto.

Você tem liberdade para apresentar um programa na TV por assinatura? Tem propostas em vista? 

Sim, eu tenho. Tenho uma proposta voltada para sustentabilidade, algo ligado a doc reality, mas eu ainda não posso falar. O projeto pode ser levado para países da América Latina.

O fato de ter apresentado programas especiais no Chile e Argentina e também toda a repercussão da novela abriu portas por lá?

Bastante. O pessoal está super receptivo. No Chile e Argentina fiz várias participações. A gente tem conversado, mas nada fechado. Existem possibilidades de acontecer alguma coisa.

Você segue até o dia 20/01 no Hoje Em Dia. E depois o que tem pela frente na Record? 

Existe uma vontade da emissora em me ter em Apocalipse e eu também gosto muito da ideia por conta da história que é forte e pela equipe que é a mesma de Os Dez Mandamentos como a autora e o diretor.

Tem medo de ficar marcado pelo Ramsés, assim como a Beatriz Segall ficou por causa da Odete Roitman?

Nunca. De maneira alguma. O Ramsés tá marcado na vida das pessoas. Na minha estreia no Hoje Em Dia teve memes do Ramsés apresentando o Hoje Em Dia. As pessoas ainda falam muito sobre isso. É tudo o que um ator quer.

Existe um Sergio Marone antes e depois da Record?

Enquanto pessoa eu sou o mesmo. Já para o público pode ser que exista um outro Sergio Marone, para a imprensa também. Consegui que falassem só sobre o meu trabalho e deixassem minha vida pessoal de lado como os meus antigos relacionamentos… Neste sentido é outro Sergio.

Depois de todo esse sucesso, você acha que a Globo te enxerga com outros olhos?

Sim, a Globo me vê com outros olhos, mas eu sempre fui bem recebido na Globo. Tive boas oportunidades na Globo. Não tenho do que reclamar. O Nícolas de Caras e Bocas foi recorde de audiência e isso foi dito pelo Jorge Fernando [diretor de núcleo]. Eu tive boas oportunidades na Globo mas nunca tive a chance de ser o protagonista ou o antagonista numa novela. O Nícolas chegou a ser destaque na novela por três meses, o casal [Sergio fez par com a atriz Sheron Menezzes] ficou com o mesmo destaque que o casal principal. Eu sou muito grato ao Walcyr Carrasco pelas duas novelas que fiz com ele. Fiz uma participação em Insensato Coração do Gilberto Braga que reverberou muito. Fiz um protagonista de Malhação, o Vitor, e o Ricardo Waddington mandou e-mail parabenizando pela audiência. A Globo sempre foi muito querida comigo e sempre me olhou com bons olhos.

Durante sua estreia algumas pessoas falaram sobre seu desempenho, o nervosismo por conta de ser um programa ao vivo, substituindo o César Filho… Como avalia tudo isso?

O nervosismo eu não vejo como crítica. É natural estar nervoso no teatro, na televisão ao vivo por conta da cobrança que eu mesmo faço. O dia em que eu não sentir esse nervosismo estou morto. Isso inclusive é um compromisso que eu tenho com o público como entregar sempre o melhor. Eu sou um iluminado por poder fazer aquilo que eu gosto. É natural. Ninguém é mais critico comigo do que eu mesmo.

Após a sua estreia a Record te chamou pra conversar sobre o seu desempenho?

Não, não. A Record tá super feliz. Eu recebi uma única observação para interagir um pouco mais com as apresentadoras do Fala Brasil. No primeiro dia eu pedi para ser mais objetivo até por conta do nervosismo. Aí me pediram para ter um pouco mais de interação com elas.

Como avalia esses primeiros dias?

É muito positivo. É óbvio que eu me cobro uma melhora todos os dias.

E além da TV pretende seguir com trabalhos no cinema e no teatro?

Eu venho com um filme, Jesus Kid, do Lourenço Mutarelli. É um filme alternativo que tem grande potencial para agradar público e crítica. A direção é do Aly Muritiba, ele é muito respeitado. Um curta dele quase foi exibido no Oscar. Estou captando recursos para rodar até o fim do ano e lançar em 2018.

É  complicado ser produtor no Brasil?

Muito difícil produzir cinema por conta da situação do país e isso demanda muita paciência.