Tarcísio Meira relembra primeiro trabalho com Regina Duarte: “Me sentia até meio pedófilo”

Tarcísio Meira

Em entrevista, Tarcísio Meira fala de Fausto Leitão, seu personagem em A Lei do Amor, nova trama das 21h da TV Globo que estreia na segunda-feira (03).

O veterano comenta também a respeito do trabalho com Vera Holtz e Regina Duarte e do rótulo de galã.

Confira o papo:


Personagem

“Fausto Leitão é o bom bandido. Mais que isso, é o bom bandido que quer ser o bandido bom. Mas não sei muito sobre o personagem, nem o passado, nem o futuro. E acho que essa é uma das premissas da novela. Um folhetim que reserva uma porção de mistérios, de coisas escondidas, do público e de nós, atores. Bem, pelo menos de mim andam escondendo algo.”

Redenção na vida real

“Todos nós mudamos o tempo todo. Somos mutantes, graças a Deus. Então acho perfeitamente possível que isso aconteça. Eu mesmo já fiz tantas coisas nessa vida que não gostaria de ter feito, das quais eu me arrependo. E qual de nós não tem? O simples fato de me arrepender já mostra que eu mudei.”

Encontro profissional com Vera Holtz

“Nunca tinha contracenado com a Vera Holtz (que interpreta a sua mulher Magnólia), por exemplo. Esse privilégio me foi reservado para essa hora, nunca nos encontramos em outra novela. Essas coisas acontecem.”

Reencontro com Regina Duarte

“Amei reencontrar a Regina Duarte. Ela fez o primeiro folhetim da sua vida comigo, chamava-se ‘A Deusa Vencida’ (1965), na Excelsior. Ela era uma menininha, me sentia até meio pedófilo (risos). Ela antes só tinha feito um comercial, me lembro até hoje, das geladeiras Frigidaire. Era uma gracinha e nunca mais, na minha carreira, fiz par romântico com ela. Voltei só agora.”

Contracenar com Regina Duarte

“Nós nunca deixamos de nos encontrar pela vida, mas foi um prazer. Lamentavelmente, as cenas que tivemos foram muito poucas. Gosto muito da Regina, tanto da atriz como a pessoa.”

Desanimado com a política

“O desânimo que sentimos com a política acabou nos dando um ânimo muito grande. As coisas estão mudando muito mais rapidamente do que esperávamos, e isso é ótimo. Tudo sempre andou muito devagar e agora vão depressa. O povo nunca teve uma oportunidade como essa de poder fazer julgamentos. E isso, claro, é muito bom.”

Infinidade de galãs na telinha

“Poxa, uma infinidade (risos)? Tenho só uns 15 anos de carreira (risos). Sempre desempenhei meus papéis com o maior orgulho, com o maior interesse, com o maior amor, mas os galãs são sempre os piores papéis. Eles são insípidos, incolores, inodoros. São como a água que corre e se ajusta em qualquer espaço. Eles não criam espaços, eles ocupam. O papel do galã é muito chato!”

Papel de galã é chato

“Porque ele tem que ser assimilado pela maioria das pessoas, sejam homens ou mulheres. Entretanto, mesmo assim, eu sempre procurei dar características mais fortes e específicas aos meus galãs. Nunca quis me repetir. Em ‘Irmãos Coragem’ (1970), acredito que não fiz do João um galã, ele tinha esse algo mais que sempre procurei para os meus personagens.”

Rótulo de galã

“Eu nunca me senti um galã, sou só um ator. Um modesto ator. É preciso que se diga que esse rótulo é algo que vem de fora, não é algo que está dentro de mim. As pessoas viam isso em mim, queriam que eu assumisse esse papel, compreende?”

Esposa mocinha e diva da TV

“Eu que acho a minha mulher uma “galoa” (gargalhadas).”

Rótulos não me definem

“O fato de eu aparecer como um galã foi bem chato, porque esse rótulo vinha carregado de um preconceito, uma carga desrespeitosa. Sempre pensei em mim como um cara que apenas representava papéis, alguns deles bem irritantes (risos). Mas eu precisava crer neles, porque se não o fizesse, como podia esperar que alguém acreditasse? Mas esse conceito de galã vem de fora, não é algo que eu quis, criei ou cultivei. Foram contingências.”

André RomanoENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO