“Não olho a concorrência. Este é o segredo”, afirma Rodrigo Faro sobre a falta de originalidade na TV

Rodrigo Faro
Rodrigo Faro (Divulgação)

Desde pequeno Rodrigo Faro tenta registrar o seu nome na história da televisão. Começou protagonizando comerciais, trabalhou ainda pequeno com Angélica, Selton Mello e Ticiane Pinheiro, cantou no extinto grupo Dominó, fez novelas na Globo, lançou carreira solo como cantor, mas ele queria mais: “Eu sonhava em ter meu espaço, ter o meu microfone, fazer as pessoas rirem, se emocionarem”, afirma hoje um dos profissionais mais respeitados pelos executivos e, é claro, pelo público.

Rodrigo saiu das tardes de sábado para fazer das tardes de domingo da Record um sucesso em audiência e faturamento. E tem dado certo. Em 2016, seu programa garantiu média de 10 pontos de janeiro a setembro contra oito da sua principal concorrente, Eliana, no SBT. Segundo o apresentador há fila de anunciantes em seu programa: “Esse é um dos poucos programas em que está lotado de anunciantes. Tem fila pra entrar no programa. Eu tenho a minha maneira de falar com o público e dos produtos também”, revela um dos apresentadores mais bem pagos da TV.

Em entrevista exclusiva, Rodrigo Faro fala dos concorrentes – Eliana e Faustão – do começo da carreira, dos “nãos” que já recebeu, da forma como educa as filhas em meio a uma sociedade machista, das comparações com Silvio Santos, Gugu e Faustão e da falta de originalidade na TV: “Não ficamos olhando a concorrência. Eu não acho legal buscar o que faz sucesso lá fora e trazer pra cá. Eu busco a minha maneira de apresentar. Me emociono, dou risada. Tudo do meu jeito. Este é o segredo.” revela o pai das pequenas Clara, Maria e Helena do seu casamento com a modelo e apresentadora Vera Viel.

Rodrigo Faro comemora ótima fase na TV
Rodrigo Faro comemora ótima fase na TV

Confira: 

Audiência te preocupa?

Nenhum apresentador pode dizer que não vive de audiência. Uma novela quando não dá certo poder ser o autor, a história, o casal de protagonistas, a direção…Programa de auditório quando não de audiência é o apresentador.

Você coleciona muitas vitórias contra a Eliana, talvez o dobro, o triplo…

Quintuplica.

Então, você entende muito bem dos números…

Risos. Tem que entender. Quando você trabalha em televisão você precisa ficar atento a tudo que está acontecendo. Os números fazem parte. Eu vim para o domingo pra reforçar a audiência desse horário.

Qual a diferença entre apresentar um programa no sábado e no domingo? 

O público é totalmente diferente. O público de domingo é a família toda. No domingo eles querem ver o Rodrigo mais sério e não só quadros mais alegres. Tem que ter informação, curiosidades, jornalismo, alegria. Se você assistir vai ter quadros diferentes. Você nunca vai ver o quadro sendo repetido porque deu audiência no último programa. Cada programa é de um jeito. Tem que trabalhar muito.

O que é fazer um programa de qualidade pra você?

Qualidade é você respeitar as pessoas pras quais você está fazendo o programa. Saber que você não pode falar tudo o que você quer no seu programa. Saber que você entra na casa das pessoas e precisa respeitar muito esse público. É buscar fazer sempre o melhor. Sempre pensar em quem vai assistir. Isso é qualidade. E trabalhar muito dentro do orçamento que está disponível.

Os números podem influenciar a qualidade?

Os números refletem a qualidade. Você não pode dizer que o programa não tem qualidade. Então, você está desqualificando o público que assiste ele. O nosso programa chega a liderança, alcança vinte pontos…O público que assiste não tem qualidade? O publico que assiste somos nós, os brasileiros. A gente não pode falar desta forma. Se as pessoas estão vendo, reúnem a família pra assistir o “Hora do Faro”… Esse era o meu sonho. Eu comecei do zero no domingo.  E a gente vem conquistando isso.

O que as suas filhas mais gostam de ver no programa?

“Dança Gatinho”. Quadros com criança. Quadros mais alegres. Quadros com mais emoção elas não gostam muito. Elas gostam quando eu me disfarço de velhinho…

Sente saudades de atuar?

O “Hora do Faro” me permite isso. Cantar, atuar e apresentar. Não é muito comum isso acontecer nos outros programas. É uma coisa que eu gosto muito de usar no programa, o meu lado ator.

Muitos apresentadores têm se utilizado de um recurso repetitivo nos últimos meses como entrar dentro de um carro, convidar um famoso, sair pela cidade e gravar uma entrevista. Eliana, Angélica, Luciano Huck, Marcos Mion e a Band têm feito isso. O que você faz para não ser repetitivo ou não copiar o que o que já foi feito há pouco tempo na concorrência? 

Não ficamos olhando a concorrência. Eu não acho legal buscar o que faz sucesso lá fora e trazer pra cá. Eu busco a minha maneira de apresentar. Me emociono, dou risada. Tudo do meu jeito. Este é o segredo.

O que as suas vitórias contra a Eliana representam comercialmente?

Não são as vitórias contra a Eliana. Desde a época em que eu apresentava o “Melhor do Brasil” eu já tinha uma imagem forte junto ao público e também com os anunciantes. O “Melhor do Brasil” era lotado de anunciantes. Conseguimos trazer esses anunciantes para o domingo. Trouxemos os antigos e conseguimos novos também. É um programa pensado pra família. Esse é um dos poucos programas em que está lotado de anunciantes. Tem fila pra entrar no programa. Eu tenho a minha maneira de falar com o público e dos produtos também.

E pessoalmente muda algo em relação ao que possa existir entre vocês?

Eu sou amigo pessoal do Fausto. Sou amigo da Eliana. Eles fazem parte do meu convívio social. Da mesma forma como a Eliana me recebeu no programa dela aqui na Record. Ela me desejou boa sorte, me convidou pra cantar no programa dela. Eu não esperava concorrer com o Fausto nos domingos. Quando a gente tá junto não falamos disso. A gente deixa isso para as TVs, as produções. Só de estar entre eles já é das melhores sensações.

O que você destaca no Silvio Santos, Luciano, Eliana, Celso, Gugu e Faustão?

Fausto faz parte da história da televisão. O Silvio nem precisa falar. É meu ídolo. Todas as vezes em que eu estive com ele foi maravilhoso. A Eliana é uma menina batalhadora, veio de  uma família simples. Uma história incrível. Eu acompanhei essa história. O Portioli é um grande apresentador. Fiquei muito feliz por ele. Ganhou o último Troféu Imprensa. Ele merece. Achava uma injustiça ele não ter ganhado até então. Luciano arrebentou na Band. Tenho feito o mesmo na Globo. É um dos grandes apresentadores do Brasil. O Gugu que meu deu a oportunidade de cantar. Gugu é um cara espetacular. TV sem Gugu não é TV. Tenho amizade com todos eles. Cada um deles têm a sua história. Espero um dia ser lembrado com o cara que fez história com o “Dança Gatinho”, no domingo… Tenho amizade com todos eles. São referências. Só de estar entre eles é uma das melhores sensações.

Existe um Rodrigo antes e depois da Record?

Existe o Rodrigo Faro que ganhou a oportunidade de vida na Record. Oportunidade de apresentar um programa. Uma oportunidade profissional que eu não tinha na Globo. Era um ator na Globo. Eu tentei apresentar na Globo. Eu já tinha apresentado um programa na Bandeirantes. E de repente eu estava com dois programas na Record [O Melhor do Brasil e o Ídolos]. Sair na capa da Veja, ganhar Troféu Imprensa… Algumas pessoas falam que eu vou substituir o Silvo, o Fausto…Eu tenho muito o que aprender. Nem no meu melhor sonho. Eu sonhava em ter meu espaço, ter o meu microfone, fazer as pessoas rirem, se emocionarem… Eu não me sinto o “grande apresentador”. Estou escrevendo a minha história nos domingos com muita luta e com bons resultados.

Você se recorda das pessoas que te deram apoio no começo da carreira? 

Teve muitos que me apoiaram, mas tinham muitas pessoas falavam que eu não ia chegar a lugar nenhum. Qualquer coisa que te falam entra por um ouvido e sai pelo outro. Ou isso serve pra te motivar e conquistar algo lá na frente. Eu trabalhava pra ajudar em casa. Eu não vim pra carreira artística pra ser famosinho. Eu comecei fazendo na carreira em comerciais. Comecei aos oito anos e estou com 42. São 36 anos de ralação. Trabalhei com a Ticiane Pinheiro, Angélica e o Selton Mello ainda criança.

Você é um homem rico,  bem sucedido e com uma família igualmente feliz.  O que falta ser realizado?

Pra mim de verdade não falta nada. Eu quero continuar fazendo o que eu faço. Eu peço saúde pra continuar fazendo o que eu faço. Essa é a minha missão. Se eu pedir qualquer outra coisa pra Deus é pecado da minha parte. É só agradecer.

Ser o único homem da família fez você ter uma visão diferenciada do machismo que está arraigado à nossa sociedade?

Eu aprendo com elas. Elas me ensinam a ser um homem mais feminino. Eu aprendo com as mulheres que convivem comigo todos os dias. Eu tenho todos os dias uma forma diferente de ver o mundo. Eu só preparo as minhas filhas a tratarem bem as pessoas, que sejam humildes, que saibam que elas nasceram em berço de ouro, mas com limite. As coisas podem ser fáceis pra elas hoje, mas nunca foi assim para os pais dela. É pé no chão com limite.

Defina a sua relação com a imprensa?

A melhor possível. Eu recebi você no meu camarim. Eu respeito a imprensa. Não escondo nada da minha vida. Me coloco no lugar das pessoas. Ficaria muito triste se eu falasse com alguém e essa pessoa fosse arrogante e grosseria comigo… Ainda que você faça uma pergunta que eu não goste, eu vou dizer:’cara, não quero falar sobre isso.’. Mas nunca virando a cara, com grosseria… Essa foi a educação que eu recebi em casa. Me coloco muito no lugar do outro. O que falta muito no ser humano hoje é respeitar e se colocar mais no lugar do outro.