“Eu não carrego personagem para casa”, garante Drica Moraes sobre papel dramático na minissérie Justiça

Drica Moraes
Drica Moraes (Foto: Globo)

Drica Moraes encara a missão de viver mais um personagem dramático em sua carreira. Depois da Cora de Império e da Carolina de Verdades Secretas, a atriz será Vânia na minissérie Justiça, que estreia dia 22 de agosto, na Globo.

Vânia é uma aspirante a cantora, viciada em drogas e violentada pelo marido. “Ela é alcoólatra. Casada com um homem que a maltrata diariamente. O marido dela é um politico corrupto. O grande sonho de Vânia é ser cantora”, revela Drica.

Mas apesar de toda essa carga dramatica, a atriz garante que não leva nada para a vida pessoal. “Eu não carrego personagem para casa. Eu não deixo de dormir por causa disso. E, os dias são intensos. Eu volto muitas vezes triste ou cansada para casa. Mas, eu chego em casa com muito prazer.”


Confira na íntegra a entrevista com Drica Moraes:

A sua personagem vai ter alguns dramas?

“Muitos dramas! É uma mulher dependente química. Todas as histórias da trama são barra pesadas. A dela não fica atrás. Ela é alcoólatra. Casada com um homem que a maltrata diariamente. O marido dela é um politico corrupto. O grande sonho de Vânia é ser cantora. Tudo isso junto, é nitroglicerina pura. Ela cai na noite. Vive bêbada. Não deixa de ir ao Karaokê. Ela acaba tendo um caso com Maurício, personagem de Cauã Reymond. Que vai acabar a levando para um outro caminho, para um outro lugar.”

Para melhor?

“Essa série não tem muito melhor. Não é que a série seja difícil. É que a vida está muito dura. E, a série reflete a vida.”

Você fica muito carregada com essa energia negativa da personagem?

“Fico, não fico. No começo de minha carreira eu fiz muita comédia, muita novela das seis, das sete, das nove. Eu fiz muito menina brejeira, encantadas com o mundo. De uns tempos para cá, comecei interpretar personagens mais densos, em séries mais curtas, mas eu sei que tudo é uma grande brincadeira, é um grande jogo. Eu não tenho mais essa ilusão. Eu não carrego personagem para casa. Eu não deixo de dormir por causa disso. E, os dias são intensos. Eu volto muitas vezes triste ou cansada para casa. Mas, eu chego em casa com muito prazer. Por ter conseguido juntar tantas camadas ao meu trabalho. Que não é só dramático.”

Qual o balanço que você faz de sua carreira até aqui?

“Eu envelheci (risos). Basicamente eu envelheci e entrei num outro rol dos personagens. E, não é pessoal ter envelhecido. Vai acontecer com todos nós. E, você começa a ter novos desafios pela frente. Eu gosto de olhar para trás e ver o conjunto de coisas que eu fiz ao longo de minha carreira. Enfim.”

Como foi a preparação para compor a personagem?

“Eu voltei a fazer aula de canto. No começo de minha carreira eu fiz muito musical. Cantava, tocava piano, etc. Eu voltei a fazer uma aula de canto, que é uma coisa muito gostosa pra minha rotina. Não pretendo parar. E, redescobri essa coisa de cantar que é uma delicia. A minha personagem na trama é uma cantora ruim (risos). Falsas cantoras são grandes personagens. Essa personagem é uma falsa cantora. Entretanto, é uma grande mulher.”

Além dessa série, tem mais alguma coisa em vista?

“Eu estou escalada para a próxima novela das onze da TV Globo. Tem estreia prevista para ano que vem. O texto será da Lícia Manzo.”

Você fez ‘Verdades Secretas’, uma personagem bem dramática. E, agora essa personagem em questão. O horário ajuda?

“O horário permite fazer com mais camadas os personagens. Com mais profundidade. Eu adoro fazer novelas mais leves. E, eu estou ai para voltar a elas. Acho também que é um exercício maravilhoso. Isso acaba diversificando o trabalho. E, o ator pode buscar isso sempre.”

Quando você se ausentou de ‘Império’, você nos preocupou. Como você está hoje em dia?

“Eu estou ótima! Aquilo não foi nada sério na verdade. Eu simplesmente não consegui acompanhar o ritmo de gravação de uma novela das nove. Um personagem de uma demanda grande. Eu fiquei sem voz. E, não tinha capitulo para botar no ar. Então, a coisa se complicou nesse lugar. Mas de fato eu nunca estive doente, gravemente doente. Eu tive em 2010, mas não na época de ‘Império’. Eu tive Leucemia em 2010. Hoje eu estou recuperada. ‘Império’ foi uma experiência muito boa de qualquer maneira. A Cora foi um personagem lindo, que eu pude dividir com a Marjorie Estiano. É isso!”

Esse tipo de trabalho agrada mais você?

“Agrada sim! Eu acho que um projeto mais curto harmoniza melhor com uma vida de uma mulher com um filho pequeno e com uma rotina de mãe, cotidiana de uma mulher comum, que sou eu. Eu não tenho empregada a noite, volto para casa, boto janta para o meu filho, faço o dever de casa com ele. Para esse tipo de rotina que me faz feliz. Esse tipo de trabalho é bem adequado.”

Seu filho está bem?

“Sim! Ele está ótimo…”

André RomanoENTREVISTA REALIZADA PELO JORNALISTA ANDRÉ ROMANO